Uma nova dependência: uso frequente do celular é comparado ao vício no cigarro

Saiba como o cérebro reage ao ter contato com as notificações de apps

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Assim como o cigarro ou outros tipos de vícios, o hábito de conferir notificações, curtidas e o feed das redes sociais podem descontrolar os impulsos do cérebro e se tornar em uma dependência digital. Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem aos consumidores a redução da exposição aos aparelhos.

Entenda:

Os estímulos desenvolvidos pelo constante uso do aparelho celular, ainda que tragam uma momentânea sensação de satisfação e prazer, podem contribuir com o aumento do comportamento compulsório em se manter conectado, até que se torne um vício.

Como acontece:

A partir do estímulo repetitivo, o cérebro cria uma tolerância onde um ciclo vicioso passa a fazer parte de seus impulsos. Assim, sem que a pessoa perceba, passa a buscar constantemente a respostas a essas incitações. O prazer e satisfação oferecidos por esse looping vicioso vêm através do excesso de dopamina liberada pelo neurotransmissor – assim como em casos de vícios.

O hábito de pegar o celular, em momentos de ócio ou procrastinação, abrir em um aplicativo e ficar em uma infinita rolagem no feed da rede social – ainda que sem nenhuma notificação – é um grande exemplo desta dependência.

Consequências:

Na maioria das vezes, a dependência digital é vista pelo medo de “ficar de fora”, ou seja, o medo permanente de perder informações ou notificações que julgue importantes. Este medo também é conhecido como Síndrome de FOMO.

  • Além disso, pode-se desenvolver Síndrome de Burnout ou Transtorno de Déficit de Atenção (TDA).

O que diz os especialistas:

  • “Muita gente usa o celular o tempo todo, mas ainda tem o controle da situação. Quando ela coloca em risco alguma atividade que faz ao usar o celular, quando não consegue se concentrar em outras atividades por estar focada no que está acontecendo no aparelho, aí já pode ser um problema”, explica a psicóloga do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), Dora Goes.
  • “Muitas pessoas usam o celular como muleta, porque se sentem sozinhas, e veem o celular como companhia. São ansiosas, têm pânico, e o celular faz o contato com o mundo.  Tivemos uma paciente extremamente ansiosa que trocou o vício do cigarro pela tecnologia. Ela teve problemas pulmonares por causa do cigarro e trocou o vício”, conta Eduardo Guedes, pesquisador do Instituto Delete.

Veja a matéria completa disponível no R7, clicando aqui.

O que fazer:

Em um mundo tecnológico não há problemas em fazer o uso da internet e se manter bem informado, mas é preciso ter restrições básicas se quer manter a sua saúde mental estável. Para isso:

  • Tenha equilíbrio: fique atento (a) ao uso do celular, principalmente em momentos de lazer e fora do ambiente de trabalho onde costuma-se utilizar com mais frequência;
  • Estabeleça limites: defina momentos ideais para a troca de mensagens ou verificar notificações;
  • Em momentos de lazer ou com a família: desligue as notificações, isso o ajudará a amenizar o uso;
  • Aproveite os momentos vagos: construa novos hábitos ou passatempos que agreguem em sua vida fora das telas.

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Colaborador

Yasmin Lindo / Foto: iStock