“Eu me cortava, bebia e pensei em me matar”

Adolescente acreditava que não havia jeito para seu sofrimento, mas recorreu, no último momento, a Quem realmente podia ajudá-la

Imagem de capa - “Eu me cortava, bebia e pensei em me matar”

A depressão, grande mal espiritual, pode atacar suas vítimas silenciosamente. Muitos têm parentes e amigos que sofrem da doença e só percebem quando já é tarde demais. Quase foi o caso de Laura Farias, de 14 anos, de São Paulo, capital.

Ainda pequena, aos 8 anos, Laura “sofria quietinha”, como diz. Os problemas que eram levados para sua casa pelo pai, alcoólatra na época, só pioravam tudo. “Até então eu tive uma infância normal, mas tinha pensamentos tristes e a situação do meu pai me deixava muito mal. Comecei a me sentir culpada e a me isolar cada vez mais.”

Nesse isolamento, os espíritos malignos acharam brechas. “Comecei a ouvir vozes dizendo que a culpa era minha e que se eu não tivesse nascido nada daquilo estaria acontecendo com a minha família. Sentia um vazio cada vez maior. Aos 9 anos comecei a tentar preencher aquele espaço, mesmo que fosse com dores diferentes, para esquecer aquela situação: praticava automutilação”, conta.

“Me sentia um peso para meus pais. Cheguei a fazer mais de 40 cortes pelo corpo, que escondia com roupas compridas mesmo que fizesse muito calor. Para piorar, comecei a beber álcool, que conseguia com amigos”, diz. Seu pai se libertou dos vícios na Universal, mas, apesar disso, o sofrimento dela continuava.

“Senhor, me ajuda!”
“Com 12 para 13 anos, me vi sozinha um dia em casa. Não aguentava mais aquelas vozes que nem o álcool ou os cortes espantavam. Até ao espiritismo já tinha recorrido. Decidi me matar com uma faca, mas não consegui”, relata. Daí ela se lembrou que sua mãe tomava um remédio forte contra pressão alta. Tomou uma cartela inteira e pensou: “é agora que acabo com tudo isso”, recorda.

“Eu me cortava, bebia e pensei em me matar”

Laura se lembra dos últimos momentos antes de perder completamente os sentidos. Olhou para o céu e clamou com muita força “Senhor, me ajuda!” e desmaiou. Os pais chegaram pouco depois, a encontraram desacordada e a levaram rapidamente ao hospital.

Chegando lá, aconteceu algo surpreendente: “quando iam me preparar para a lavagem estomacal e outros procedimentos que casos desse tipo exigem, eu acordei. Mediram minha pressão, fizeram vários testes e estava tudo normal comigo. Já cheguei ao hospital curada. Deus tinha mesmo me ajudado.”

Laura conta que os pais, a princípio, ficaram tristes. “Eles se sentiam culpados por nunca terem percebido nada, mas estavam muito felizes, pois eu parecia outra pessoa. Quis ir para casa e os médicos, também surpresos, me deram alta, pois os exames mostravam que tudo estava normal.”

Em casa, ela recebeu todo carinho dos pais, que diziam que nunca sairiam do seu lado. “Quis ficar na sala e ver TV. Passava a programação da Universal”. Ela se lembra perfeitamente da oração que fez: “Senhor, já recorri a tudo. Me mostra agora um sinal de que o Senhor continua comigo após me salvar e me mostre pelo menos alguma melhora.”

Ela foi atendida. “Pela primeira vez, o peso sumiu. Era uma alegria muito grande, que eu nunca tinha conhecido. Pedi à minha mãe que me levasse às reuniões da Universal. Fui à reunião de cura, mas logo quis saber como eram todas as outras, como a de libertação e a de sucesso financeiro. Queria aprender sobre a fé o máximo que pudesse.”

“Prisão para a alma”
Quem vê Laura hoje custa a acreditar que ela passou por tudo isso. O olhar luminoso, o sorriso fácil, a alegria muito perceptível, a fala que demonstra felicidade, unidos a um vocabulário correto e ótima educação, cativam e provocam curiosidade.

Outra coisa que chama atenção é a sabedoria de quem foi revestida pelo Espírito Santo. E é com ela que Laura aconselha aqueles que passam por algo parecido com o que ela viveu: “se ouvir vozes dizendo coisas ruins, não as ouça. Depressão é coisa séria, mas muitos dirão que o que você tem é frescura. O diabo usa essas pessoas para você achar que não precisa se curar ou que você não tem jeito.”

Do alto de sua experiência, embora tão jovem, Laura finaliza dizendo: “a depressão é uma prisão para a alma, mas há como sair: se apegando a Deus e tendo o Espírito Santo. A obediência é o maior segredo da Fé”.

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Colaborador

Marcelo Rangel / Fotos: Demetrio Koch