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Notícias | 9 de fevereiro de 2020 - 00:05


Cuidado com o que você consome

Você pode estar se envenenando sem saber

Já imaginou que podem existir substâncias capazes de alterar profundamente o corpo humano e modificar o funcionamento do sistema hormonal do organismo? Essa pergunta não é o ponto de partida para o argumento de um filme de ficção científica que mostra um futuro distante. Essas substâncias realmente existem e estão presentes em quase tudo o que é consumido hoje em dia: do protetor solar ao sabonete ou da garrafa plástica ao comprovante de papel emitido pela máquina de cartão de crédito. Elas são chamadas de disruptores endócrinos.

Uma pesquisa recente, realizada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com pesquisadores norte-americanos, descobriu que crianças brasileiras apresentam altos níveis de alguns desses agentes, encontrados especialmente em cosméticos e produtos de cuidado pessoal.

Os pesquisadores focaram nas crianças porque mudanças na produção e no funcionamento de hormônios durante o desenvolvimento trariam repercussões mais graves. Durante o estudo, foram analisadas amostras de urina de 300 voluntários com idades entre 6 e 14 anos, que foram coletadas em 2012 e 2013 nas cinco regiões do Brasil.

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que aditivos como os analisados na pesquisa são adicionados intencionalmente pelas empresas para exercer funções tecnológicas, mas o uso está sujeito a rígidas regulações e só pode ser feito em quantidades autorizadas pela legislação pertinente.

Complicações
De acordo com a médica Daniele Zaninelli, mestre em endocrinologia e metabologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), os disruptores endócrinos podem interferir no funcionamento de todos os nossos hormônios. “São substâncias químicas exógenas (não naturais), ou uma mistura dessas substâncias, que interferem no funcionamento hormonal de vários modos. O sistema endócrino é fundamental para manter o equilíbrio de inúmeras funções biológicas e fisiológicas em nosso organismo. Pelo fato de interferirem nesse sistema, os disruptores endócrinos podem trazer diversas complicações à saúde”, adverte. (Veja quadro na página ao lado.)

Ela diz que essas substâncias podem ser encontradas em vários produtos. “Elas estão presentes em pesticidas, produtos infantis, recipientes de alimentos, materiais eletrônicos e de construção, produtos de higiene pessoal, medicamentos e tecidos. Elas chegam ao nosso organismo por meio da água, do ar, dos alimentos, dos medicamentos, da poeira doméstica e até de produtos cosméticos”, enumera a especialista.

Ela acrescenta ainda que os disruptores podem afetar o sistema endócrino de diversas maneiras. “Eles podem imitar um hormônio natural e ativar processos normalmente acionados por ele ou, ao contrário, interferir na ação dos hormônios naturais por bloquear ou alterar a ativação de seus receptores em diversos tecidos e órgãos.”

A especialista comenta que é possível controlar a ação dos disruptores em parte e deixa algumas recomendações. “Evitar a exposição de crianças pequenas a brinquedos e mordedores de plástico; tirar o pó frequentemente dos ambientes com aspirador de pó; evitar o uso de utensílios de plástico no micro-ondas; retirar a gordura visível da carne, pois o agrotóxico se acumula nela; evitar alimentos industrializados e altamente processados; não usar objetos descartáveis feitos de plástico, como copos e canudos; preferir alimentos orgânicos; e lavar bem os vegetais e as frutas que não podem ser descascados.”

Em 2016, a Comissão Europeia divulgou uma lista com 66 compostos químicos avaliados com “clara evidência de perturbação da atividade endócrina”. Para a endocrinologista, a melhor maneira de amenizar o contato com eles é por meio da mudança dos hábitos.

“Quanto menor o consumo de produtos industrializados de qualquer natureza – vestuário, alimentos, mobiliário, etc. –, menos produtos químicos serão despejados no meio ambiente, desde a produção até o descarte, e absorvidos pelo seu organismo. Então, consuma de forma consciente”, aconselha Daniele.


  • Eduardo Prestes / Foto: Getty Images 


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