Como decifrar rótulos de produtos?

Muitos ingredientes prejudiciais à saúde ficam escondidos em letras pequenas e nomes técnicos nas embalagens. Descubra o que você está consumindo e como isso pode impactar nos cuidados com o seu corpo

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Você consegue entender todas as informações nutricionais contidas nas embalagens de produtos industrializados? Para a maioria dos consumidores, os nomes técnicos e as letras miúdas dificultam a compreensão dos rótulos.

Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está com uma consulta pública aberta até 9 de dezembro para discutir um novo modelo de rotulagem na parte da frente dos produtos. A ideia é que as informações sobre os componentes prejudiciais à saúde sejam encontradas mais facilmente pelos consumidores.

“Os rótulos de hoje não cumprem a função de passar informações de forma clara e objetiva. A informação nutricional costuma estar escondida, com letras e cores que dificultam a leitura. Já a informação publicitária, como alegações e personagens infantis, tem muito destaque”, afirma Laís Amaral, nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

A proposta sugerida pelo Idec para os novos rótulos indica que os nutrientes críticos em excesso devem ser informados na parte da frente, dentro de triângulos pretos, indicando uma advertência. “O modelo de advertência é importante para alertar o consumidor em relação aos nutrientes críticos”, diz Laís.

Já o modelo de rotulagem frontal levado à consulta pública pela Anvisa traz um design que usa o formato de lupa para indicar quantidades excessivas de açúcares adicionados, gorduras ou sódio. A proposta exclui gorduras totais, adoçantes e gordura trans da parte frontal. No caso da gordura trans, há um processo regulatório que ocorre atualmente na Anvisa para a restrição e o banimento da substância.

Segundo Laís, o Idec defende que os altos níveis dessas substâncias sejam destacados na rotulagem frontal. “A gordura trans não traz benefício nenhum ao organismo e os adoçantes já estão associados a doenças, como o câncer. Muitos produtos infantis trazem três, quatro tipos de adoçantes e isso pode ser prejudicial para a saúde das crianças.”

O consumo de adoçante deve ser feito com cautela. “Eu só recomendo adoçantes para pessoas diabéticas, que não conseguem absorver açúcar refinado. Algumas pessoas querem reduzir o açúcar e vão para o adoçante, mas o ideal é só reduzir o açúcar ou substituí-lo pelo mascavo ou pelo demerara”, destaca a nutricionista Tassiana Rozon.

Lista de ingredientes
Tassiana diz que os consumidores devem ficar atentos à lista de ingredientes dos produtos. “A lista é organizada de forma decrescente, a composição que aparece primeiro é a que está em maior quantidade”, esclarece. Laís confirma que a parte mais importante do rótulo hoje é a lista de ingredientes. “A lista de ingredientes traz todos os componentes do produto, é onde o consumidor consegue se informar melhor.

Se um produto tem mais de quatro ou cinco componentes, esse é um indicativo de que ele é ultraprocessado e deve ser evitado. O consumidor também deve evitar produtos com ingredientes com nomes que ele não compreende, como nomes técnicos de emulsificantes, corantes, aromatizantes e adoçantes”, finaliza.

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Colaborador

Rê Campbell / Arte: Edi Edson