Chamado para servir: do isolamento à evangelização nas ruas

Aos 49 anos, aposentado que utiliza cadeira de rodas conta como encontrou apoio para superar o medo e passou a levar uma palavra de fé a outras pessoas

Imagem de capa - Chamado para servir: do isolamento à evangelização nas ruas

O chamado para servir também alcança pessoas que, em algum momento, precisaram de ajuda para recomeçar. Por isso, no Ano do IDE, esta série apresenta histórias de quem encontrou acolhimento na fé e hoje participa da Obra de Deus, convivendo com diferentes condições físicas, sensoriais ou intelectuais.

Uma delas é a de Jaime da Costa dos Santos, de 49 anos. Durante muito tempo, o medo o fez se fechar dentro de casa. Em outras ocasiões, porém, saía sem avisar e viajava, tentando encontrar alívio para a aflição.

Depois de receber apoio, o aposentado, que utiliza cadeira de rodas, passou a desejar que outras pessoas também encontrassem ajuda. Hoje, participa da Evangelização Universal (EVG) e do projeto Anjos da Madrugada, dedicado ao trabalho evangelístico com pessoas em situação de rua.

Chamado para servir do isolamento à evangelização nas ruas

Entre a dependência e a busca por autonomia

Jaime adquiriu a deficiência ainda bebê. Segundo seu relato, aos 11 meses teve meningite e poliomielite. Assim, na infância, dependia da família para comer, tomar banho e se vestir. Por volta dos 8 anos, também passou por uma cirurgia e ficou meses em recuperação.

Durante muito tempo, recusou a cadeira de rodas e se deslocava arrastando-se pelo chão. Até que uma professora o encontrou na rua e lhe comprou uma cadeira. Entretanto, a falta de acessibilidade no transporte dificultava seus deslocamentos.

“Naquela época, não tinha ônibus adaptado. Os motoristas não gostavam de levar, não paravam. Quantas vezes fiquei nos pontos esperando para poder pegar um ônibus com a cadeira…”

Chamado para servir do isolamento à evangelização nas ruas

Já adulto, Jaime enfrentou depressão e síndrome do pânico. Conta que ouvia vozes e acreditava que pessoas o perseguiam. Além disso, quando tentava conversar com os irmãos, as respostas o faziam se fechar ainda mais.

“Geralmente, eles falavam que eu estava ficando louco e que iam me internar. Era como se eu não tivesse alguém em quem pudesse confiar naquele momento.”

Em busca de alívio, começou a viajar de um lugar para outro. Foi durante uma dessas viagens, em Minas Gerais, que entrou em uma Universal. Embora a reunião já estivesse terminando, ouviu a oração e conversou com o pastor.

Depois, sem ter onde ficar, passou a noite na rua.

“Passei a noite com medo, frio e fome. Fui até uma delegacia e pedi para ficar lá, mesmo que fosse em um canto, só para dormir e não precisar ficar na rua.”

Chamado para servir: do isolamento à evangelização nas ruas

O apoio para voltar a sair de casa

A aproximação com a Igreja continuou durante uma temporada na casa da irmã, em Brasília. Mais tarde, Jaime também passou a acompanhar as pregações do Bispo Jadson Santos, que o encorajaram a perseverar.

Ainda assim, sair de casa continuava difícil. Até que, um dia, pediu um carro por aplicativo e foi a uma reunião. Ali, encontrou pessoas dispostas a acompanhá-lo.

“Conversei com os obreiros, e um deles se propôs a ir me buscar em casa para assistir à reunião. Depois apareceram outros, e cada um revezava para poder me buscar.”

Um deles se tornou amigo. Além de levá-lo às reuniões, o recebia em casa e o acompanhava em atividades.

“Isso foi me dando muita força. Fui me apegando a Deus.”

Com o tempo, Jaime começou a evangelizar na porta da Igreja. No início, porém, a timidez dificultava a aproximação.

“Às vezes, eu tinha vergonha de chamar as pessoas. Mas você vai uma vez, vai duas, e daqui a pouco começa a falar. As pessoas que estão ali ajudando na evangelização também vão te motivando.”

A mudança alcançou ainda a relação com a mãe, a quem antes culpava por sua condição. Quando ela adoeceu com câncer, ele passou a cuidar dela e preparar suas refeições. Jaime conta que, antes de falecer, a mãe aceitou o batismo nas águas.

Chamado para servir do isolamento à evangelização nas ruas

Nas ruas, uma oportunidade de servir

Hoje, Jaime participa dos Anjos da Madrugada, de núcleos e de outras atividades da EVG. Para chegar ao Templo de Salomão, sai de Guaianases, na zona leste de São Paulo, em um percurso que, às vezes, leva duas horas.

“Nem por isso deixo de estar aqui servindo a Deus.”

Entre os encontros que marcaram esse trabalho está o reencontro com um homem que conheceu em situação de rua. Ele o abordou para contar que estava trabalhando em uma loja, havia alugado um cômodo e frequentava a Igreja, com o acompanhamento de um obreiro.

Jaime ouviu a notícia com alegria. Afinal, reconhecia naquele homem a possibilidade de uma mudança que também havia vivido.

“Assim como sofri aquela situação, sei que para elas também tem mudança. Porque o Deus que mudou a minha situação muda a de qualquer um.”

Ao falar sobre o recebimento do Espírito Santo, ele explica o que o motiva a continuar:

“Quando você tem paz dentro de si, quer que as outras pessoas que estão ao seu redor tenham paz também.”

Por isso, diante de um convite para evangelizar, sua resposta é simples:

“Estou à disposição. É só chamar. O que precisar para levar a Palavra de Deus às pessoas, estou aí para servir.”

Chamado para servir do isolamento à evangelização nas ruas

Você também pode servir

O desejo de servir a Deus pode vir acompanhado de dúvidas e inseguranças. No entanto, uma condição física, sensorial ou intelectual, assim como as dificuldades pessoais, não precisa impedir alguém de buscar a Deus e se colocar à disposição da Sua vontade.

Se esse desejo arde dentro de você, procure uma Universal mais próxima e converse com o pastor responsável. Conte sobre sua vontade de servir e busque orientação sobre como participar da Obra de Deus.

Leia também

imagem do author
Autor

Ester Lima | Fotos: Cedidas