Chamado para servir: quando a própria experiência ajuda a acolher
Autista e mãe de três filhos autistas, Juliana encontrou na EBI uma forma de transformar sua vivência em cuidado com outras crianças e famílias
Falta de tempo, medo de não dar conta ou até a sensação de não ter o perfil certo. Quando o assunto é assumir uma responsabilidade com Deus, não é difícil encontrar motivos para adiar uma decisão.
A série “Chamado para servir” apresenta pessoas que convivem com limitações físicas, sensoriais ou intelectuais, mas decidiram não deixar que essas dificuldades definissem até onde poderiam ir.
É o caso de Juliana Cândido da Silveira Moraes, de 31 anos. Autista e mãe de três filhos autistas, ela aprendeu a reconhecer os próprios limites e, ao mesmo tempo, encontrou uma forma de usar sua experiência para ajudar outras pessoas.

Uma história que começou sem respostas
Desde criança, Juliana percebia que reagia de maneira diferente. Era nervosa, tinha dificuldade para controlar algumas atitudes e, muitas vezes, sentia que ninguém a compreendia. Na época, porém, o autismo ainda não fazia parte das explicações que ela tinha sobre si mesma.
Na adolescência, a situação se agravou. Aos 14 anos, chegou a tentar tirar a própria vida. Aos 16, conheceu o homem com quem se casaria apenas um mês depois. Ela mesma reconhece que sua impulsividade e seu temperamento também trouxeram dificuldades para o início do casamento.

Depois vieram os filhos — e novos desafios.
O primeiro, Gustavo, nasceu com alguns problemas de saúde. Quase dois anos depois veio Lucas, que ainda bebê já apresentava sinais diferentes no comportamento e, mais tarde, recebeu o diagnóstico de autismo. Pouco depois, Juliana descobriu a terceira gravidez. Com o tempo, Maria Gabriela, a caçula, também recebeu o diagnóstico.
Em um dos momentos mais difíceis, os três filhos tiveram uma crise ao mesmo tempo. Juliana conta que tentou acolher cada um enquanto também lidava com a própria sobrecarga sensorial.
Foi quando clamou a Deus.
Algum tempo depois, pediu ajuda a uma vizinha que era obreira. Como ela estava indo para a Igreja, fez um convite: Juliana poderia acompanhá-la.
Ela foi.
“Foi como se Deus me abraçasse, me compreendesse e entendesse todas as minhas necessidades.”
A partir daquele momento, conta que passou a se apegar à Palavra de Deus.

Entender a si mesma também fez diferença
Quando recebeu o diagnóstico, inicialmente teve dificuldade para aceitá-lo e chegou a procurar outros médicos. Depois, porém, compreender a condição a ajudou a reconhecer seus limites e melhorar a forma como lidava consigo mesma.
Nesse processo, Juliana também buscou informações sobre o tema e encontrou apoio no livro “Autismo – Entender é a chave para amar e ajudar”, de Josi Boccoli. Segundo ela, a obra a ajudou a compreender melhor os filhos e mostrou como a fé, aliada ao conhecimento, poderia fazer parte dessa caminhada.
“A Palavra de Deus é a minha motivação.”
Ela destaca que a fé não fez as dificuldades desaparecerem. As crises sensoriais continuam acontecendo, assim como o incômodo com luzes, sons e excesso de pessoas. Entretanto, hoje ela afirma saber lidar melhor com essas situações.

Do acolhimento ao desejo de ajudar
Foi por meio dos filhos que Juliana se aproximou do trabalho da Escola Bíblica Infantil (EBI).
Ao perceber como eles eram acolhidos pelas educadoras, surgiu o desejo de fazer o mesmo por outras crianças.
“Sempre fiquei encantada com a forma como meus filhos eram tratados, acolhidos e cuidados. Isso despertou em mim o desejo de também poder contribuir.”
Hoje, a maior parte de suas escalas no Templo de Salomão é com crianças atípicas. Para Juliana, a própria experiência contribui nesse trabalho.
“Talvez por eu também ser autista e ser mãe de três crianças autistas, consigo compreender algumas necessidades e perceber coisas que, às vezes, elas não conseguem expressar com palavras.”
Em uma das situações que marcaram sua atuação, uma criança autista chegou à EBI em crise. Juliana foi chamada para ajudar e conseguiu acalmá-la em poucos minutos.

A dificuldade não precisa decidir
O trabalho também exige esforço. Juliana conta que algumas atividades causam cansaço intenso e que, muitas vezes, precisa descansar quando chega em casa.
Ainda assim, decidiu continuar.
“O autismo não vai me limitar e não vai fazer com que eu faça menos para Deus.”
Para ela, algumas barreiras surgem antes mesmo da tentativa:
“Muitas vezes, aquilo que nos limita não está no nosso corpo, mas nos nossos pensamentos.”
No Ano do IDE, a história de Juliana mostra que servir a Deus não exige uma vida sem dificuldades. No caso dela, aquilo que um dia contribuiu para que se sentisse incompreendida hoje também a ajuda a compreender e acolher outras pessoas.
Você também pode servir
O desejo de servir a Deus pode vir acompanhado de dúvidas e inseguranças. No entanto, uma condição física, sensorial ou intelectual, assim como as dificuldades pessoais, não precisa impedir alguém de buscar a Deus e se colocar à disposição da Sua vontade.
Se esse desejo arde dentro de você, procure uma Universal mais próxima e converse com o pastor responsável. Conte sobre sua vontade de servir e busque orientação sobre como participar da Obra de Deus.
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo