Boicote à Rede Globo mobiliza empresas
Por causa de jornalismo ideológico e conteúdo insatisfatório, anunciantes suspendem contratos publicitários
A rede de lojas de departamentos Havan divulgou uma nota afirmando que não veiculará mais anúncios na Rede Globo. Luciano Hang, dono da loja, justificou que não compactua com o jornalismo ideológico adotado em alguns programas da emissora. No comunicado, Hang não cita nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, mas diz que as eleições do ano passado mostraram que a grande maioria dos brasileiros quer mudanças e afirma ainda que a Globo faz um desserviço à nação e age contra os costumes da família brasileira.
Além da Havan, outras empresas também suspenderam a veiculação de suas campanhas publicitárias na emissora. Uma delas é a rede de supermercados Condor, uma das maiores do Paraná, com 49 lojas. Outra é a construtora imobiliária Habitec. Em nota, ambas divulgaram que não compactuam com a posição da Globo em relação ao governo.
O ataque ao Presidente
O diretor do Instituto Liberal, Lucas Berlanza, diz que a decisão dos empresários foi motivada pela veiculação de reportagem que relaciona a morte da vereadora Marielle Franco ao presidente Jair Bolsonaro, com base no depoimento do porteiro do imóvel em que o chefe do Executivo reside. “Os empresários estão fazendo isso como posicionamento quanto à maneira como a Rede Globo abordou a notícia, o que foi uma tentativa de associar o presidente da República ao assassinato da vereadora do PSOL-RJ, e também para questionar valores que estariam sendo ofendidos ou afrontados por determinados programas.”
A voz da população
Luciano Hang afirmou que um dos motivos que influenciaram sua decisão foi a cobrança dos clientes para que ele se posicionasse. A direção da rede Condor, por sua vez, declarou que, após os ataques da Globo a Bolsonaro, as redes sociais foram inundadas com manifestações pedindo um boicote por parte das empresas à emissora. Ou seja, os internautas reagiram à polêmica. A hashtag #globolixo ficou em primeiro lugar no Twitter.
Para Berlanza, o alcance das redes sociais e a opinião popular têm influenciado muito as decisões dos grandes empresários. “Eu acredito que há nisso uma espécie de efeito, de consequência, desse incremento da participação das redes sociais e da internet. E, por causa disso, movimentos organizados na sociedade brasileira potencializam as pressões e cobranças.”
As consequências
Além do termo “globolixo”, começou uma campanha de boicote à emissora, mas é importante lembrar que a onda de críticas à Rede Globo não é recente. Para Berlanza, ainda não é possível medir o impacto que a suspensão de publicidade causará à emissora. “Sem sombra de dúvida, esses empresários que estão desfazendo parcial ou totalmente os contratos publicitários com a Globo estão questionando a credibilidade da emissora perante certos segmentos da sociedade. A Globo está sendo malvista tanto por setores da direita como da esquerda ao mesmo tempo. Não sabemos a que ponto isso pode chegar, mas, independentemente das consequências, é algo que deve fazer tanto os responsáveis como os coordenadores do jornalismo da emissora refletirem”, conclui.
(*) Com informações do programa Brasil Notícias
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