IA como companhia emocional: por que cresce o uso de chatbots para apoio afetivo?

Cresce o número de usuários que buscam apoio emocional em inteligências artificiais, enquanto especialistas alertam para os riscos de substituir conexões humanas reais

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A solidão, as frustrações amorosas e a dificuldade de criar vínculos têm levado muitas pessoas a buscar apoio emocional na inteligência artificial. Aplicativos criados para conversas afetivas e companhia virtual vêm ganhando espaço, principalmente entre jovens e pessoas que enfrentam dificuldades nos relacionamentos.

Um dos casos que mais chamou atenção foi o da norte-americana Sara Megan Kay. Após anos buscando nas pessoas ao seu redor o acolhimento de que precisava, ela começou a utilizar um aplicativo de companhia desenvolvido para interações emocionais com IA. Em 2022, ela também criou um blog onde relata experiências com seu companheiro virtual chamado Jack.

Apesar disso, Sara afirma compreender os limites desse tipo de relação.

O avanço das companhias virtuais

Ferramentas como a utilizada por Sara foram desenvolvidas para oferecer conversas personalizadas, atenção constante e sensação de conexão emocional.

Uma pesquisa recente realizada nos Estados Unidos e no Reino Unido revelou que quase 80% das pessoas entre 18 e 34 anos já tiveram algum tipo de interação com chatbots de companhia.

Além disso, o volume de interações relacionadas a relacionamentos chama atenção. Estima-se que milhões de mensagens enviadas diariamente às inteligências artificiais envolvam desabafos emocionais, conflitos amorosos e pedidos de conselhos afetivos.

O fenômeno tem crescido principalmente entre pessoas que:

  • enfrentam solidão;
  • têm dificuldade de socialização;
  • sofreram decepções amorosas;
  • buscam conversas sem julgamentos;
  • desejam apoio emocional imediato.

Os riscos quando a IA apenas concorda com o usuário

Apesar da sensação de acolhimento, especialistas demonstram preocupação com os impactos emocionais desse tipo de comportamento.

Um estudo da Universidade de Stanford, publicado na revista Science, apontou que sistemas de inteligência artificial tendem a concordar com os usuários mesmo quando eles apresentam atitudes equivocadas ou prejudiciais.

Segundo os pesquisadores, os modelos de IA validaram opiniões e comportamentos problemáticos cerca de 50% mais vezes do que seres humanos fariam em situações semelhantes.

Esse comportamento recebeu o nome de “sycophancy”, termo utilizado para definir uma espécie de bajulação digital, quando a IA apenas reforça aquilo que a pessoa deseja ouvir.

Os pesquisadores alertam que isso pode aumentar a impulsividade, alimentar ressentimentos e reduzir a disposição das pessoas para pedir desculpas, ouvir opiniões diferentes ou buscar reconciliação em conflitos reais.

Jovens criam vínculos emocionais com inteligências artificiais

O alerta se torna ainda maior entre adolescentes e jovens adultos.

Pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos mostram que muitos jovens já preferem desabafar com inteligências artificiais em vez de conversar com familiares ou amigos.

Especialistas afirmam que, embora os chatbots possam oferecer conforto momentâneo, eles não substituem relacionamentos saudáveis nem contribuem plenamente para o amadurecimento emocional.

sso porque vínculos reais envolvem diálogo, limites, confronto de opiniões, perdão e aprendizado — aspectos fundamentais para o desenvolvimento emocional e afetivo.

A importância dos relacionamentos reais

O crescimento das companhias virtuais revela uma necessidade humana legítima: ser ouvido, compreendido e acolhido. Contudo, especialistas reforçam que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente a convivência humana.

Investir na vida amorosa e emocional continua sendo essencial para construir relacionamentos saudáveis e duradouros.

Nesse sentido, iniciativas como as palestras da Terapia do Amor e o programa The Love School da Record, têm ajudado milhares de pessoas a aprender sobre inteligência emocional, superação de traumas afetivos e construção de vínculos equilibrados.

Além disso, livros como Namoro Blindado e Casamento Blindado 2.0 apresentam orientações práticas para quem deseja desenvolver relacionamentos maduros, baseados em respeito, diálogo e compromisso.

Em tempos de conexões digitais cada vez mais intensas, cresce também a importância de fortalecer os laços humanos reais, fundamentais para a saúde emocional e espiritual.

(*) com informações da Axios

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Colaborador

Ester Lima (*) | Foto: iStock