Número de casos de feminicídio no Brasil aumenta
Saiba como o Projeto Raabe ampara vítimas de violência doméstica, oferecendo atendimento jurídico, social, emocional e espiritual
Traumas físicos e psicológicos oriundos de episódios de humilhação e violência doméstica. Milhares de mulheres no mundo todo sofrem abusos que deixam marcas difíceis de cicatrizar. Diante das circunstâncias, muitas não conseguem se defender ou denunciar o criminoso que as atacam. Acabam se tornando vítimas recorrentes, até mesmo fatais, de seus algozes.
Recentemente, o Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) começou a divulgar separadamente dados de feminicídio. O crime é o homicídio cometido contra mulheres, motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero. Só para exemplificar, entre janeiro e abril de 2019, 50 mulheres foram mortas no estado.
O feminicídio foi incluído no Código Penal Brasileiro pela Lei 13.104/15, com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão. Contudo, o País encara um aumento do número de casos desse crime. Dados do Ministério da Saúde, compilados pelo Atlas da Violência, apontam que em 2017 foram registrados 4.936 assassinatos de mulheres no Brasil.
Esse índice dá uma média de 13 homicídios por dia. E o mais alarmante ainda é que representa o maior número registrado em uma década (2007-2017).
“Eu tinha muito medo, porque corria o risco de morte”
Para a mulher que passa por uma situação de violência doméstica é muito difícil enfrentar o problema sozinha. Emocionalmente abalada, portanto, ela se torna uma pessoa insegura e acaba transferindo a culpa para si. Muitas vezes, com medo e receio de morrer, não busca por apoio.
A empresária Edileuza Teixeira (foto ao lado), hoje com 55 anos, ainda criança sofreu abusos dentro da própria casa. Por muitos anos, as consequências desse trauma rondaram a vida dela. “Eu era agredida por meio das palavras e fisicamente. Sofri abuso sexual. Eu tinha muito medo, porque corria o risco de morte. Meu pai era viciado em drogas e era muito agressivo. Violentava e batia na minha mãe, assim como em mim e nas outras filhas dele”, conta.
Ela explica que diante de todo aquele sofrimento, ao longo dos anos, já na adolescência, passou a acreditar que poderia ser a culpada das coisas que aconteciam em sua vida. Acabou também se envolvendo com álcool e maconha. Para ela, usar drogas era uma forma de esquecer tanta violência.
“Eu não me valorizava. Era traumatizada. Achava que deveria morrer porque era a mulher mais problemática do mundo. E, que eu era mesmo a culpada por aquilo que estava acontecendo. Tudo que eu tentava fazer não dava certo. Meu primeiro casamento foi prematuro para eu poder sair daquele ambiente de sofrimento e me livrar dos abusos. Mas, fui violentada sexualmente pelo meu ex-marido. As mesmas agressões que eu sofria em casa se repetiam”, lembra.
Ajuda para reescrever a própria história
Edileuza precisava de orientação para entender que não era a culpada pelos abusos e traumas sofridos. Ela precisava de ajuda para reescrever a própria história. Foi quando uma amiga a convidou para conhecer um grupo de apoio que auxiliava mulheres a superarem marcas e frustrações do passado.
“Eu lutava contra os traumas que eu tinha dentro de mim, quando conheci o Projeto Raabe. Já estava na fé. Passava por atendimento psicológico e participava de outros projetos. Mas, aquele sentimento ruim não saía de mim. O grupo cuidou disso e me ajudou não só a me conhecer de verdade, como a me valorizar. Então, me libertei de todos os traumas. Hoje, sou uma mulher muito feliz, resolvida e realizada. Tenho uma linda família. Sou conselheira do Raabe e ajudo outras mulheres que chegam aqui como eu cheguei”, conclui.
O principal objetivo do Projeto Raabe é ajudar a mulher a resgatar seu amor-próprio e fazê-la entender a importância de se valorizar. O grupo também conta o apoio de profissionais como advogadas, assistentes sociais e psicólogas que ajudam a dar um primeiro esclarecimento às vítimas de abusos e violência doméstica. Além disso, voluntárias ministram cursos e palestras que auxiliam no resgate e no fortalecimento da autoestima da mulher.
“Diante da realidade e deste cenário, infelizmente caótico, o Raabe tem se preocupado em preparar suas conselheiras e voluntárias para receber mulheres que passam ou passaram por violência doméstica. O projeto tem o objetivo de estender a mão amiga, ouvindo essas mulheres, aconselhando-as e trabalhando na prevenção do feminicídio que tem aumentado todos os dias”, afirmou Fernanda Lellis, coordenadora-geral do projeto.
Saiba mais sobre o Projeto Raabe

Desde novembro de 2011, o Raabe ampara mulheres vítimas de violência doméstica e abusos, oferecendo-lhes atendimento jurídico, social, emocional e espiritual. São realizados cursos e palestras que auxiliam no resgate e fortalecem a autoestima da mulher.
Em 2018, 102 mil mulheres foram atendidas pelo grupo, que está presente em todos os estados brasileiros, nos Estados Unidos e em outros países da Europa e da América Latina. A saber, todos os meses, reuniões do projeto Raabe são realizadas nos templos da Universal. Saiba mais sobre o grupo em: http://www.godllywood.com/projetoraabe/
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