Ser “CLT” é sinônimo de fracasso?
Entenda os mitos em torno desta polêmica e como fazer a escolha mais assertiva para a vida profissional
Nas redes sociais, memes retratam o CLT como alguém preso a humilhações, restrições e “poucas alegrias”. Esse discurso alimenta a aversão de muitos jovens, que passaram a tratar a carteira assinada como sinônimo de fracasso. Mas, afinal, o que é ser CLT?
À Folha Universal, a advogada trabalhista Márcia Cleide Ribeiro explica que ser CLT é trabalhar com carteira assinada, sob as regras da Consolidação das Leis do Trabalho. Nesse vínculo formal entre empregado e empregador, há direitos e deveres definidos por lei, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e proteção previdenciária, garantias criadas para equilibrar a relação de trabalho.
Ela lembra que a reforma trabalhista de 2017 trouxe mais flexibilidade, permitindo acordos coletivos em temas como jornada e banco de horas, regulamentando trabalho intermitente e rescisão por acordo, além de tornar facultativa a contribuição sindical. Já os deveres do empregado incluem cumprir jornada, agir com responsabilidade, seguir normas de segurança e manter sigilo, numa relação baseada em confiança e boa-fé.
Autônomo, freelancer, PJ ou MEI: entenda as diferenças
No debate sobre CLT e novas formas de trabalho, Márcia explica que termos como autônomo, freelancer, PJ e MEI ainda geram confusão, e entender as diferenças evita riscos. O autônomo presta serviços por conta própria, sem vínculo empregatício. O freelancer atua em demandas pontuais para diferentes clientes. Já o PJ trabalha como pessoa jurídica, por meio de uma empresa. O MEI é uma modalidade simplificada para pequenos empreendedores, com limite de faturamento anual e atividades permitidas. Essa modalidade costuma atender bem comerciantes, prestadores de serviços simples e profissionais por conta própria, mas se torna inadequado quando é usado para “mascarar” relação de emprego, situação que pode gerar irregularidades e perda de direitos.
Sem ilusões
A advogada explica que essa percepção sobre a CLT está muito ligada à cultura atual e ao discurso presente nas redes sociais: “Muitos jovens veem o trabalho autônomo ou empreendedor como sinônimo de liberdade, sem perceber os riscos envolvidos. Na prática, muitos autônomos trabalham mais horas do que quem está na CLT e ainda assumem todos os custos e responsabilidades do negócio. Existe também uma confusão entre faturamento e lucro, que leva à falsa impressão de ganhos maiores. Por isso, parte dessa visão é baseada em expectativas irreais sobre o mercado de trabalho”.
Márcia afirma que é incoerente dizer que carteira assinada significa “falta de ambição ou acomodação”. Ela destaca que muitos constroem “carreiras sólidas, crescem e usam a estabilidade para planejar o futuro. A CLT ainda pode ser uma escolha estratégica”, assim como também “acreditar que trabalhar por conta própria significa automaticamente ter mais tempo livre”. Na prática, a rotina inclui gestão, busca de clientes e finanças. “O trabalho autônomo oferece liberdade, mas também exige grande responsabilidade e nem todos têm perfil empreendedor”, conclui.
E, para quem quer deixar a CLT, a especialista é direta: é indispensável separar as finanças pessoais das do negócio, reservar o valor de impostos, formalizar contratos e precificar corretamente. A transição mais segura é gradual, com projetos paralelos, reserva financeira e validação do mercado.
Prepare-se para vencer
Independentemente da modalidade escolhida (CLT ou empreendedorismo), é essencial se preparar, se planejar e buscar a excelência no que se faz. Todas as segundas-feiras, empreendedores e profissionais participam das reuniões da Prosperidade com Deus, realizadas em todos os templos da Universal. No Templo de Salomão, os encontros acontecem às 7h, 10h, 12h, 15h, 18h30 e 22h.
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