Onze dias que entraram para a história
A espetacularização da prisão do Bispo Edir Macedo ocupou jornais, revistas e telejornais. Mas o desfecho do caso revelou uma realidade muito diferente da narrativa que dominou os noticiários
A acusação…
Domingo, 24 de maio de 1992. O que parecia ser apenas o fim de mais uma reunião da Universal se transformou em uma cena digna de um filme policial. Ao deixar a igreja acompanhado da esposa, Ester Bezerra, e da filha, Viviane Freitas, então com 17 anos, o Bispo Edir Macedo foi surpreendido por uma abordagem policial. Sem oferecer qualquer resistência, atendeu à ordem de parada, mas a operação foi conduzida como se os agentes estivessem diante de um criminoso de alta periculosidade. Pouco importaram as perguntas ou as explicações: ele foi colocado na viatura e levado primeiro ao DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e, depois, à 91ª Delegacia de Polícia, na Vila Leopoldina, em São Paulo (SP). As acusações eram graves: charlatanismo, curandeirismo e estelionato. A prisão dominou o noticiário. Durante dias, jornais, revistas e telejornais repercutiram o caso de forma intensa, transformando o episódio no principal assunto da mídia brasileira e consolidando, para muitos, a impressão de que a culpa já estava determinada antes mesmo de qualquer decisão da Justiça.
- O Bispo Macedo passou 11 dias preso, mas as acusações contra ele eram infundadas e o processo foi integralmente arquivado pelo Poder Judiciário
… Sem fundamento
A realidade, porém, seguiu um caminho completamente diferente da narrativa que tomou conta dos noticiários. Depois de permanecer preso por 11 dias, o Bispo Edir Macedo obteve liberdade por meio de habeas corpus concedido por decisão unânime dos três desembargadores responsáveis pelo caso.
A partir dali, os próprios desdobramentos judiciais passaram a revelar a fragilidade das acusações. Sem provas capazes de sustentar as denúncias, todo o processo foi integralmente arquivado pelo Poder Judiciário.
Documentos da época, como o contramandado de prisão expedido em seu favor, já evidenciavam que as teses acusatórias não se sustentavam juridicamente. O que durante semanas foi apresentado ao país como a prisão de um culpado terminou reconhecido pela própria Justiça como um caso sem fundamento probatório, desmontando a narrativa que havia sido construída diante da opinião pública.
Ela também foi roubada

A psicanalista clínica e doutora em neuropsicologia Alexandra Andréa de Godoy Piozzi, de 53 anos, entrou na Universal acreditando que poderia perder muito. Saiu sem algo que carregava havia anos.
Enfim, preso!
Meu preconceito contra a Igreja Universal começou pelo que eu via na televisão. Olhava a Igreja como se fosse formada por ladrões. Quando vi a prisão do Bispo Macedo, pensei: “É isso mesmo, tem que prender”. Para mim, quem frequentava a Universal estava sendo enganado.
Uma dor insuportável
Enquanto alimentava o preconceito, eu sofria. Tinha hepatite C, fibromialgia e síndrome do pânico. Meu casamento estava destruído. Também tínhamos mais de R$ 2 milhões em dívidas. A pior fase da minha vida foi quando fiquei seis meses numa cama, sem trabalhar e sem dormir. Eu tinha dois filhos na época e quase não tinha contato com eles. Às vezes, eu travava e ia para o pronto-socorro. Mesmo tomando morfina, eu ainda sentia uma dor insuportável.
“Lá eu não vou”
Minha irmã, vendo aquela situação, começou a me chamar para ir à Igreja Universal em 2004. Eu respondia: “Lá eu não vou de jeito nenhum”. Eu me achava inteligente demais para aceitar aquilo. Meu preconceito veio da mídia e depois das pessoas com quem convivia, pois havia muita piadinha.
Resistência quebrada
Um dia, tentei sair da cama para ir ao banheiro e não consegui. Fiquei no chão e fiz ali mesmo minhas necessidades. Minha irmã me viu daquela forma e me intimou: “Você vai comigo à Universal”. Eu respondi: “Só vou sem bolsa”. Ela foi meio que me carregando, porque eu tinha dificuldade para andar.
Fui roubada!
Quando saí da reunião, a primeira coisa que aconteceu foi que eu dormi. Eu não dormia havia seis meses. Depois de 30 dias, o pastor perguntou: “Alguém aqui foi curado?”. Levantei a mão. Eu tinha sido curada da fibromialgia. Um tempo depois, quando refiz exames, também não tinha mais hepatite C. Fiquei livre da síndrome do pânico, das dores e da insônia. Na época, eu disse ao pastor que tinha tido a certeza de que eles eram ladrões: eles roubaram minha dor de cabeça, a síndrome do pânico, a hepatite C e a fibromialgia!
Quem diria
Na mesma época, meu marido também começou a participar das reuniões. Nós nos batizamos nas águas e, depois, fomos batizados com o Espírito Santo. Hoje, completamos 33 anos de união. A dívida de mais de R$ 2 milhões foi paga. Eu, que antes criticava os dízimos, passei a ser dizimista porque entendi que isso é uma forma de honrar a Deus.
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