Saia da escravidão das dívidas
Em vez de fazer mais compras, saiba como aproveitar as últimas semanas do ano para reorganizar suas finanças
Achegada do fim do ano pode se tornar uma armadilha para os brasileiros. Presentes, viagens e festas são os principais pretextos para o consumismo desenfreado nesta época. Somadas a boletos e parcelas do cartão de crédito, esse tipo de despesa pode contribuir para aumentar ainda mais a dívida de milhões de pessoas. O Brasil tem hoje 63,2 milhões de consumidores inadimplentes, segundo a Serasa Experian. Será que dá para fazer algo diferente desta vez? É possível aproveitar as últimas semanas do ano para reorganizar as contas e se livrar das dívidas?
O consultor e educador financeiro André Massaro explica que o primeiro passo é ser realista. “É sempre importante lembrar que dívida é sintoma, não é doença. As dívidas são consequência de alguma situação, então a pessoa precisa descobrir a origem, que pode estar relacionada à falta de renda, a um imprevisto ou ao estilo de vida incompatível com os ganhos”, diz.
Para quem já está endividado, a dica é tentar evitar compras desnecessárias. “Precisamos repensar os gastos de fim de ano. Eu recomendo que as pessoas não cedam às pressões do comércio. Em novembro e dezembro, a balança tende para o vendedor. Se precisar comprar algo, espere as liquidações de janeiro”, sugere.
Antes de renegociar as dívidas, é fundamental fazer as contas de todas as despesas fixas e dívidas. O próximo passo é organizar o orçamento para 2020, anotando todas as contas, impostos e parcelas pendentes.
“Você precisa fazer um planejamento para saber qual é a sua verdadeira capacidade de pagamento e quanto sobra para pagar as dívidas. Ao renegociar uma dívida, você faz uma nova dívida”, alerta Massaro.
Cartão, o vilão
O economista e consultor de empresas Sergio Dias destaca que as compras no crédito podem dar origem a muitas dívidas. “Hoje temos uma quantidade enorme de devedores porque há facilidade de crédito. Quanto mais fácil o crédito for, pior para o consumidor, que é influenciado a gastar mais. Muitos não percebem que os juros do crédito são muito altos e que não pagar as parcelas significa assumir uma dívida enorme”, esclarece.
Não empreste seu nome
Dias acrescenta que emprestar o nome para que outras pessoas façam compras também é perigoso. “Se você empresta o seu cartão de crédito, por exemplo, a dívida é feita em seu nome. Ao mesmo tempo, se a pessoa está pedindo, em geral ela não tem dinheiro e terá dificuldades para pagar o empréstimo”, alerta.
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