Os riscos sérios da obesidade
Veja como lidar com o excesso de peso em tempos de pandemia
Desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, aumentou o número de casos de Covid-19, doença causada pelo vírus, e de vítimas dela. Mas outra enfermidade, também relacionada à Covid-19, pode estar contribuindo para o número de mortes. Dados do Ministério da Saúde revelam que a obesidade já é o principal fator de risco para vítimas da doença com menos de 60 anos, à frente, inclusive, de problemas respiratórios e cardiológicos.
Um quinto da população brasileira é considerada obesa atualmente. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os índices cresceram de forma acelerada nos últimos anos. A OCDE revela que a proporção de obesos na população adulta brasileira passou de 12,7%, em 1996, para 22,1%, em 2016.
Outro dado alarmante é que o número de pacientes obesos com insuficiência respiratória, internados em unidades de tratamento intensivo (UTIs) que necessitam de ventiladores, foi 1,8 vez maior se comparado a indivíduos da mesma faixa etária não obesos. O risco de hospitalização é 2,2 vezes maior quando o Índice de Massa Corporal (IMC) – veja quadro ao lado para fazer o cálculo – está acima de 35 e, nesses casos, a chance de que precisem de UTI é 3,6 vezes maior.
Para a endocrinologista Siomara Tauil, da clínica Eye Corp, de São Paulo, os pacientes portadores de obesidade geralmente usam medicações, como anti-hipertensivos, que pioram o prognóstico para a Covid-19. “Além disso, a obesidade é fator de risco para uma série de doenças, inclusive a Covid-19, que pode ser agravada pelo isolamento social, caso não se tome cuidado com os hábitos alimentares”, avalia.
De acordo com a médica, é mais do que necessário falar de obesidade. “É uma pandemia também. Há décadas ela vem sendo negligenciada, sem que nenhuma intervenção de saúde pública reduza sua prevalência. A obesidade está associada à comorbidade de outras doenças, como hipertensão arterial, sobrecarga da parte óssea e doenças associadas ao coração”, adverte.
A obesidade também é fator de risco para a diabetes, por exemplo. “Em crianças que já têm predisposição genética para a obesidade, o excesso de peso pode causar uma situação de resistência à ação da insulina e o organismo não consegue usá-la para controlar de forma adequada os níveis de açúcar no sangue”, explica.
Para Siomara, os hábitos alimentares familiares são preponderantes para esse quadro e é preciso mudá-los. “Dietas radicais podem baixar a imunidade, portanto, o ponto de equilíbrio é você comer de tudo, desde que em porções menores para que isso não acarrete ganho de peso. As crianças devem evitar consumir doces diariamente. Assim como os adultos, elas também precisam fazer atividades físicas. Use em parceria com elas aplicativos de exercícios físicos ou até mesmo os jogos disponíveis de dança que façam com que se movimentem dentro de casa.”
Siomara afirma que, embora muitos especialistas relacionem a origem da obesidade ao fator genético, ela também está ligada ao comportamento. “Se você tem problemas com seu peso, não coloque a culpa só no DNA. Estudos científicos apontam que pessoas portadoras dos chamados genes da obesidade tendem a ganhar mais peso se não se exercitam ou não dormem o suficiente. Isso significa que, mesmo as pessoas geneticamente inclinadas a acumular quilos a mais, podem modificar essa situação se comerem corretamente e praticarem exercícios”, avisa a médica.
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