Meditando em Israel: Nós estamos em guerra

A escritora Josi Boccoli compartilhou experiências vividas num bunker durante os primeiros dias do conflito

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Recentemente, os Estados Unidos, juntamente com Israel, realizaram ataques contra o Irã, o que desencadeou num período de tensão e conflitos na região. Desde então, novos ataques passaram a ocorrer, e Israel também tem enfrentado ofensivas.

Em meio a esse cenário de incerteza e medo, muitas pessoas vivem momentos de grande angústia. Ainda assim, é justamente nas situações mais difíceis que muitos têm experiências marcantes com Deus.

Diretamente de Tel Aviv, em Israel, a escritora Josi Boccoli, que está na sede da Universal na cidade, conhecida como Torre da Fé, compartilhou em um podcast publicado em sua rede social experiências vividas durante os primeiros dias de guerra. Ao lado de amigas, ela relatou situações que marcaram profundamente esse período.

Os relatos fazem parte de uma série com três capítulos, que apresentam exemplos de fé, humanidade e confiança em Deus mesmo diante da adversidade.

A Torre da Fé, além de realizar reuniões em diferentes idiomas, possui salas para a Escola Bíblica Infantil e espaços destinados aos diversos grupos da Igreja. No subsolo do prédio também há um bunker comunitário, utilizado como abrigo em situações de emergência.

Guerra em Israel

Os primeiros dias de guerra

Segundo Josi, quando as sirenes de alerta tocam, todos precisam se dirigir rapidamente ao local.

“Quando tocam as sirenes, todo mundo corre. Precisamos entrar, fechar a porta e ficar ali até recebermos a mensagem de que já podemos sair do bunker”, explicou.

O espaço também recebe qualquer pessoa que esteja nas proximidades da igreja no momento do alerta.

Durante os primeiros dias de conflito, as sirenes tocaram diversas vezes. Em muitas ocasiões, as pessoas saíam do bunker e, pouco tempo depois, precisavam retornar.

“Às vezes saíamos e, cerca de 40 minutos depois, já precisávamos voltar”, contou.

Diante disso, nas primeiras vezes em que se reuniram no abrigo, os voluntários aproveitaram o momento para orar com as pessoas que estavam ali. Em uma dessas ocasiões, inclusive, celebraram a Santa Ceia dentro do bunker, com a participação de membros da igreja e também de pessoas que buscavam abrigo no local.

O risco de se acostumar com a situação

Com o passar dos dias, porém, a repetição da rotina começou a trazer cansaço. Muitas noites foram interrompidas por sirenes durante a madrugada, o que dificultava o descanso.

Além disso, o fluxo constante de pessoas no bunker tornava a rotina ainda mais intensa. Foi então que Josi percebeu algo em si mesma.

“Chegou um momento em que eu comecei a me acostumar com a situação”, relatou.

Segundo ela, ao descer novamente para o bunker, já procurava apenas um lugar para se sentar e descansar. Para facilitar, chegaram a colocar papéis para guardar lugares.

“Quando chegávamos, queríamos pelo menos poder sentar e descansar”, contou.

Em determinado momento, ela percebeu que já entrava no abrigo apenas esperando o tempo passar para que todos pudessem sair novamente.

O alerta de Deus

Foi durante uma dessas situações que algo chamou sua atenção.

Em certa ocasião, uma mulher ao sair do bunker acompanhada da filha, perguntou se poderia pagar para dormir ali. Segundo ela, era muito difícil precisar sair de casa repetidas vezes durante a noite.

Os voluntários explicaram que, por questões legais, não poderiam permitir que alguém permanecesse ali durante a madrugada. No entanto, reforçaram que, sempre que o alerta fosse acionado, elas poderiam se abrigar no local sem problema algum.

Ainda assim, a mulher insistiu e disse que gostava daquele lugar porque era muito limpo e, principalmente, porque ali se sentia segura.

Naquele momento, Josi percebeu algo importante.

“A segurança que ela sentia não era por estar dentro do bunker. A segurança que ela sente é interior. É Jesus, é o abraço de Jesus que está ali”, afirmou.

Ao refletir sobre a situação em oração, ela entendeu que havia se acomodado diante das circunstâncias. E por não estar em Espírito não respondeu a mulher como deveria, na fé, dando a resposta que Deus queria que desse.

“Ali foi como um despertar. Eu pensei: ‘Meu Deus, como eu pude? ’ Foi quando percebi que não estava agindo no Espírito”, contou.

Agindo no Espírito, surgem oportunidades

Depois dessa experiência, Josi decidiu mudar sua postura diante da situação.

Na vez seguinte em que precisaram ir ao bunker, ela e os jovens começaram a cantar louvores no local. O resultado surpreendeu.

Ao final daquele momento, uma mulher se aproximou para agradecer. Segundo ela, aquele momento a fez lembrar de algo que havia vivido anos antes.

A partir daquela conversa, foi possível convidá-la para vir mais vezes. Desde então, sempre que as sirenes tocam e ela vai ao bunker, também participa daquele momento de fé.

Diante disso, os jovens foram orientados a manter esse espírito.

A ideia passou a ser aproveitar cada situação como uma oportunidade de levar esperança às pessoas que chegam ao abrigo.

Uma lição que vale para todos

Segundo Josi, a experiência vivida durante a guerra também traz uma reflexão importante para qualquer pessoa que esteja enfrentando dificuldades.

Muitas vezes, diante de problemas prolongados, é possível que alguém se acostume com a situação e passe a agir de forma automática.

No entanto, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, é necessário manter a fé ativa.

Ela citou, inclusive, um material usado na evangelização que diz: “Um minuto para Deus”.

“Nós pedimos às pessoas apenas um minuto para Deus. E, naquele momento, estávamos dentro de um bunker por 15 minutos com dezenas de pessoas. Então pensamos: precisamos fazer alguma coisa”, explicou.

A partir disso, decidiram aproveitar cada alerta como uma oportunidade para demonstrar fé e levar uma palavra de esperança.

Assim, quando as sirenes tocam, o grupo procura conversar com as pessoas, cantar e compartilhar mensagens que apontem para Deus.

Mesmo diante da guerra, o objetivo permanece o mesmo: aproveitar cada oportunidade para levar fé e esperança às pessoas.

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Colaborador

Ester Lima | Fotos: Reprodução