Ideação suicida entre universitários: fatores que vão além da depressão

Conheça o relato de quem superou a dor emocional e encontrou uma nova perspectiva de vida

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A ideação suicida é uma preocupação crescente no ambiente universitário. Embora a depressão seja um dos principais fatores associados a pensamentos sobre a própria morte, uma nova pesquisa indica que ela não explica sozinha esse fenômeno. Sentimentos de solidão, baixa perspectiva em relação ao futuro e experiências traumáticas na infância também podem desempenhar um papel importante no risco de um estudante desenvolver pensamentos relacionados à própria morte.

O que a pesquisa analisou

Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro analisaram fatores psicossociais relacionados à ideação suicida entre universitários brasileiros.

Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Regional Health – Americas e buscaram ampliar a compreensão sobre o tema, ampliando a compreensão sobre fatores que podem contribuir para esse quadro.

O que os pesquisadores observaram

A pesquisa identificou que 18,86% dos participantes relataram ideação suicida, o equivalente a quase um em cada cinco participantes.

O resultado reforça a importância de ampliar o debate sobre saúde mental no ambiente universitário de forma mais abrangente, considerando diferentes aspectos da vida emocional e social dos estudantes.

Os pesquisadores confirmaram que os sintomas depressivos continuam sendo o principal fator associado à ideação suicida. No entanto, a análise mostrou que eles representam apenas parte da explicação.

Outros fatores também exercem influência

Além da depressão, três fatores se destacaram entre os mais associados à ideação suicida:

  • Sentimentos de solidão;
  • Perspectivas em relação ao futuro;
  • Histórico de maus-tratos emocionais na infância.

Segundo os pesquisadores, esses elementos estiveram entre os fatores mais associados à ocorrência da ideação suicida na amostra analisada.

A descoberta reforça a importância de uma abordagem mais ampla da saúde mental, considerando não apenas sintomas clínicos, mas também experiências de vida, vínculos sociais e fatores emocionais e sociais que podem aumentar a vulnerabilidade ou contribuir para a proteção emocional.

A busca por corresponder às expectativas dos pais

A expectativa para alcançar o sucesso na vida adulta e agradar os pais impactou a vida de Jucieny da Silva desde a infância. Segundo ela, uma frase dita quando ainda era criança influenciou a forma como passou a enxergar a própria vida.

Dessa forma, ela relata: “Aos 6 anos meu pai disse: ‘quando você crescer vai se formar, ser professora de matemática, trabalhar e comprar um carro’. Como eu ainda era muito nova, não tinha entendimento e interpretei aquilo como uma cobrança, e não como um incentivo. A partir de então, comecei a me anular para agradar meus pais e passei a conviver com sentimentos de frustração e vazio”.

O agravamento do quadro emocional

Com o passar dos anos, esse quadro se agravou e aos 17 anos ela foi diagnosticada com depressão. Ela passou pela universidade, o mercado de trabalho e a vida adulta convivendo com dificuldades emocionais que persistiram ao longo dos anos.

Na tentativa de preencher o vazio emocional e a solidão, buscou respostas em relacionamentos afetivos, mas isso não trouxe a solução que procurava.

No vídeo abaixo, ela conta como encontrou forças para superar esse período e reconstruir sua vida:

Sobre o “Depressão tem Cura“:

O grupo oferece, gratuitamente, apoio emocional e espiritual a quem sofre com depressão, ansiedade, desejo de suicídio, doenças emocionais e luto persistente.

Por isso, caso você precise desabafar, marcar um atendimento ou uma visita em sua casa, envie uma mensagem para o WhatsApp: (11) 3573-3662.

Além disso, acesse as redes sociais oficiais do grupo para conhecer ações e eventos realizados: Facebook, Instagram e YouTube.

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Colaborador

Rafaella Rizzo | Foto: iStock