Estudo alerta para riscos cardiovasculares em crianças e adolescentes
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta excesso de peso em uma a cada três crianças e adolescentes e associação entre obesidade e hipertensão
Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alerta para os riscos cardiovasculares entre crianças e adolescentes no Brasil. Segundo os dados divulgados, uma em cada três pessoas dessa faixa etária apresenta excesso de peso, enquanto quase metade dos participantes com obesidade tem hipertensão arterial.
O levantamento faz parte do projeto Brasil Coração Saudável e foi realizado entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026. Os resultados também indicam que o excesso de peso e a obesidade são mais frequentes entre meninos de 7 a 10 anos.
Pesquisa aponta relação entre obesidade e hipertensão
O estudo analisou 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Os resultados mostram uma associação entre o aumento do peso e a maior ocorrência de hipertensão arterial. Entre os participantes com obesidade, a proporção chegou a 60,5% na faixa etária de 15 a 18 anos, segundo os dados apresentados.
Diante desse cenário, os resultados reforçam a importância de acompanhar a saúde cardiovascular desde a infância, com atenção à alimentação, à prática de atividades físicas e aos hábitos cotidianos.
O que é hipertensão arterial?
A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma condição crônica caracterizada pela elevação persistente da pressão exercida pelo sangue nas paredes das artérias.
Embora seja frequentemente associada à população adulta, a doença também pode afetar crianças e adolescentes. Nessa faixa etária, os critérios utilizados para identificar a pressão alta variam conforme a idade e, em crianças menores, também consideram fatores como sexo e altura.
Além disso, a hipertensão pode não apresentar sintomas. Por isso, medir a pressão arterial e realizar acompanhamento médico são medidas importantes para identificar possíveis alterações.
Quando presentes, alguns sinais, como dor no peito, cansaço ou alterações na visão, exigem atenção médica. Entretanto, eles não confirmam, por si só, o diagnóstico de hipertensão.
Quais fatores aumentam o risco cardiovascular?
O cardiologista Álvaro Avezum, membro da SBC e coordenador do projeto Coração Saudável, destacou fatores que contribuem para o aumento do risco cardiovascular.
Segundo o especialista, a redução da atividade física, a alimentação inadequada e hábitos de vida que favorecem o estresse podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade e da hipertensão arterial.
“Esses fatores, quando combinados, podem comprometer a saúde cardiovascular e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares”, relatou Álvaro.
Nesse contexto, incentivar hábitos saudáveis desde a infância é fundamental para reduzir fatores de risco e favorecer a saúde ao longo da vida.
Como prevenir a obesidade e cuidar da saúde cardiovascular?
A adoção de hábitos saudáveis pode contribuir para a prevenção da obesidade e para a redução de fatores de risco cardiovascular. Entre as principais medidas estão:
- Manter uma alimentação equilibrada: priorizar alimentos variados e reduzir o consumo excessivo de sal e produtos ultraprocessados.
- Praticar atividades físicas: incentivar brincadeiras, esportes e outras formas de movimento adequadas à idade.
- Reduzir o tempo diante das telas: estabelecer uma rotina que também inclua atividades ao ar livre, descanso e interação social.
- Realizar acompanhamento médico: consultar profissionais de saúde regularmente e verificar a pressão arterial conforme a orientação pediátrica.
É importante lembrar que crianças e adolescentes com suspeita de hipertensão precisam de avaliação profissional. A adoção de hábitos saudáveis é importante, mas não substitui o diagnóstico e o tratamento quando necessários.
Tempo de tela e pouca atividade física preocupam
Outro dado apresentado pela pesquisa chama a atenção para o comportamento cotidiano dos participantes: 59% passam mais de três horas por dia diante de telas. Entre eles, 86% utilizam o celular e 80% assistem à televisão.
Em contrapartida, 66% praticam apenas de uma a duas horas de atividade física por semana. Além disso, 93% realizam exercícios físicos na escola.
Esses números reforçam a importância de incentivar uma rotina mais ativa, com oportunidades de movimento dentro e fora do ambiente escolar.
Portanto, acompanhar a saúde cardiovascular desde cedo, estimular a prática de atividades físicas e promover uma alimentação equilibrada são medidas importantes para ajudar a prevenir fatores de risco e favorecer uma vida mais saudável.
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(*) Colaborou: Ingrid Marrocos
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