Dependência de remédios: um perigo crescente

As pessoas estão mais frágeis ou a indústria farmacêutica busca lucrar? O programa 'Fala Que Eu Te Escuto', da Record, debateu, recentemente, o tema. Confira

Imagem de capa - Dependência de remédios: um perigo crescente

Durante o programa Fala Que Eu Te Escuto (FQTE), exibido recentemente, foi debatido um tema atual e preocupante: a dependência de remédios, especialmente os para dormir e demais problemas relacionados à ansiedade, estresse, pressão, tristeza. Ou seja, cada vez mais pessoas estão recorrendo aos medicamentos para tentar suportar a rotina.

Mas até que ponto isso é necessidade… e quando vira dependência?

Logo no início, o FQTE destacou o relato da atriz Bárbara Evans, que revelou nas redes sociais enfrentar dependência de medicamentos para dormir há cerca de seis anos. Segundo Bárbara, ela interrompeu o uso apenas durante as três gestações, mas voltou a utilizá-los após o período de amamentação. Desde então, ela enfrenta um processo delicado para superar a dependência.

  • “Às vezes, eu tenho uma recaída”, confessou.

Não é a única

No entanto, Bárbara não é a única personalidade pública a enfrentar esse problema. O influenciador Rico Melquiades também revelou ter desenvolvido dependência de medicamentos utilizados inicialmente para aliviar dores físicas e emocionais. Atualmente, ele reconhece os prejuízos causados pelo uso excessivo.

  • “Isso está me afetando. Afeta meu corpo, minha mente e a forma como eu me vejo. Muitas vezes, eu sinto cansaço de viver preso a isso”, desabafou.

Além disso, a ex-panicat Carol Dias também relatou recentemente os problemas enfrentados em razão da dependência de medicamentos, situação que desencadeou depressão.

O grande alerta

Porém, a dependência de medicamentos não afeta apenas pessoas conhecidas no Brasil, mas milhões de pessoas ao redor do mundo. Um dos casos mais conhecidos é o da cantora Britney Spears, que enfrentou forte exposição midiática envolvendo relatos de uso excessivo de medicamentos.

Pesquisas indicam que esse cenário tem se tornado cada vez mais preocupante.

  • No Brasil, de acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), o consumo de medicamentos como tranquilizantes, remédios para insônia, depressão, ansiedade, síndrome do pânico, estimulantes para emagrecer e analgésicos faz parte da rotina de milhões de brasileiros.
  • Os dados chamam atenção, especialmente para os analgésicos opioides, cujo consumo aumentou nove vezes entre 2012 e 2023. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda mais expressivo: o consumo saltou de 1% para 8,8% no período.
  • Além disso, especialistas destacam que esse cenário também reflete o crescimento do mercado farmacêutico no País. Informações da Fiocruz, da consultoria IQVIA e do Sebrae, indicam que o Brasil está entre os maiores mercados consumidores de medicamentos do mundo.
  • Atualmente, cerca de 1,2 milhão de brasileiros entre 12 e 65 anos enfrentam dependência de substâncias comercializadas nas aproximadamente 122 mil farmácias espalhadas pelo País. Somente em 2024, o mercado farmacêutico brasileiro movimentou mais de R$ 160,7 bilhões com a venda de medicamentos.

Reflexão importante

Muitas vezes, o uso excessivo de medicamentos não nasce de uma necessidade médica ou recomendação profissional, mas da própria dependência. Em muitos casos, os medicamentos surgem como uma tentativa de aliviar dores emocionais. Diante disso, surge a reflexão: as pessoas estão mais frágeis ou a indústria farmacêutica busca lucrar com essa vulnerabilidade?

Durante o programa, diversas pessoas entrevistadas nas ruas compartilharam opiniões e experiências sobre o tema. Alguns admitiram recorrer à automedicação. Outros destacaram a fragilidade emocional e a busca constante por fortalecimento diante das pressões do cotidiano.

Em São Paulo, por exemplo, a analista de negócios Michele Araujo foi uma das pessoas entrevistadas.

  • “Acredito que, em primeiro lugar, as pessoas estão mais frágeis. Elas vivem na ansiedade do dia a dia e acabam buscando soluções mais rápidas, recorrendo aos remédios como forma de resolver os problemas, o que aumenta ainda mais essa fragilidade. Por outro lado, acredito que a indústria também se beneficia disso, porque consegue influenciar mais o público.”

Além dela, pessoas de diferentes estados também comentaram o assunto. Aliás, em Santa Catarina, a entrevistada Camila Elizabete comentou que acha que as pessoas estão mais frágeis devido a tantos problemas que têm passado, como a pandemia, a situação em que o mundo está. Dessa forma, elas acabam indo para a medicação, a fim de conseguir se manter.

Já o empresário Daniel disse acreditar “que a indústria farmacêutica busca lucrar com esse cenário”.

Debate no estúdio

No estúdio do programa, o Bispo Edgard Brum – acompanhado do Pastor Anderson Freitas – debateu o assunto em profundidade.

Por videochamada, a neuropsicóloga Gislene Ferreti destacou que 86% dos brasileiros praticam automedicação, cenário considerado “preocupante” por ela.

  • “Hoje, vivemos em uma sociedade muito acelerada. As pessoas buscam efeitos imediatos: se estão ansiosas, tomam um remédio; se querem emagrecer, tomam outro; se querem dormir, recorrem a mais um medicamento. Muitas não entendem que isso envolve um processo de construção.”
  • Segundo ela, o cérebro se acostuma com soluções rápidas e pode desenvolver dependência com facilidade (…) Muitas pessoas não tratam a verdadeira causa dos problemas. Quando se pergunta se as empresas farmacêuticas lucram com isso, a resposta é ‘sim’. Mas elas lucram porque nós também fazemos uso excessivo desses medicamentos.”

Além disso, ela ressaltou a importância de tratar a causa dos problemas e buscar ajuda especializada.

O perigo da “droga do sono”

Outro ponto importante abordado no programa foi o perigo do medicamento conhecido como a “droga do sono”, utilizada para induzir o sono e possui venda permitida no País apenas mediante prescrição médica.

Inclusive, ainda durante o FQTE, relatos mostraram a dependência que ela pode causar. Segundo especialistas, o uso abusivo pode provocar alucinações, amnésia e insuficiência respiratória grave. Além disso, o remédio pode levar à morte quando utilizado acima da dose recomendada e associado ao consumo de bebidas alcoólicas.

Fé aliada ao cuidado emocional

Na sequência, o Bispo Edgard fez uma reflexão ao lado do Pastor Anderson:

  • “Quando se trata de problemas interiores, ou seja, questões que vão além do físico, estamos falando de problemas da alma. O ser humano não é formado apenas por corpo: somos espírito, alma e corpo. Quando o problema está na alma, não existe remédio”, disse.
  • “Não somos contra medicamentos. Inclusive, quando prescritos por médicos, também fazemos uso deles. Porém, quando se trata da alma, não há remédio”, reforçou.

Na oportunidade, eles ressaltaram que muitas pessoas continuam utilizando medicamentos, mas ainda enfrentam problemas emocionais e efeitos colaterais causados pelas substâncias.

  • “Se você buscar ajuda espiritual, buscar a Deus e usar a sua fé, é possível encontrar cura para a alma. Ele é o Doutor da alma. Ele salva a alma que está perdida.”
Assista ao programa completo

Assista ao programa Fala Que Eu Te Escuto, que vai ao ar às 0h45, ao vivo, para todo o Brasil e exterior, pela Record.

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Colaborador

Redação / Fotos: Reprodução e iStock