Como será o nosso futuro?
Outubro é o mês em que se comemora o Dia do Idoso, mas a data também deveria ser dedicada ao planejamento de nosso futuro. Afinal, em poucos anos, o Brasil terá mais idosos do que jovens. O envelhecimento da população brasileira segue acelerado, enquanto a taxa de fecundidade cai. Hoje, o País tem mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Entre 2012 e 2017, essa faixa etária cresceu 18%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2031, o número de idosos vai ultrapassar o de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. A projeção para 2042 é de que a população brasileira chegue a 232,5 milhões de habitantes, sendo 57 milhões de idosos, ou seja, em pouco mais de duas décadas, as pessoas com 60 anos ou mais representarão 24,5% do total da população.
O aumento da expectativa de vida é uma boa notícia. Entretanto o Brasil ainda não está preparado para lidar com os desafios do envelhecimento e é aí que começam os problemas. Diariamente, nossos idosos enfrentam situações de violência, desrespeito e escassez de serviços adequados.
Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que em 2018 o Disque 100 registrou um aumento de 13% no número de denúncias de violência contra idosos, em comparação ao ano anterior. Foram 37.454 notificações, sendo que 85,6% das agressões foram cometidas nas residências das vítimas. Filhos e netos são os principais agressores. A negligência é a violação mais comum, com 38% dos casos, seguida da violência psicológica (26,5%) e da violência patrimonial (19,9%), quando o idoso tem seu salário retido ou bens explorados de forma ilegal.
O fato de o brasileiro não se planejar para a velhice é outro desafio. Um estudo do Banco Mundial revela que os brasileiros não estão se preparando para essa fase: apenas 11% fazem economia para o futuro, contra a média global de 21%. Mas não são apenas os idosos que devem se precaver: governos, famílias e empresas também precisam planejar ações para o novo cenário que se avizinha.
O Estatuto do Idoso é claro e determina que “é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.” Em outras palavras, o envelhecimento é um problema de todos nós.
A longevidade certamente implicará no aumento de gastos com saúde. Isso demanda ajustes no sistema público e preparo de profissionais da área. Enquanto isso, cada brasileiro pode fazer a sua parte cuidando melhor da sua alimentação e praticando atividades físicas.
O trabalho é outro tema fundamental. Em poucos anos, a força laboral será composta por pessoas mais velhas e isso demanda uma mudança de mentalidade dos empresários. Por enquanto, envelhecer ainda significa ter dificuldades no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, o desemprego entre idosos passou de 18,5% em 2013 para 40,3% em 2018.
A taxa está relacionada ao aumento da população nessa faixa etária e também à crise econômica.
Um Brasil mais justo começa com o respeito à sua história e aos seus antepassados. Filhos e netos devem honrar e valorizar as pessoas idosas. Os atuais índices de violência contra elas demonstram a barbárie e a ingratidão de parte da sociedade. Será que é isso que desejamos para o nosso futuro? Certamente não. A Bíblia destaca em Provérbios 17.6: “a coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais”. Por isso, reconhecer os idosos é sinal de humildade e gratidão aos que tanto fizeram por nós. Só assim nosso país poderá realizar todo o seu potencial.
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