A educação brasileira e seus percalços
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar os novos números sobre analfabetismo no País. De acordo com o órgão, são 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais, o equivalente a 6,8% desta população.
Este número é superior ao determinado por lei no atual Plano Nacional de Educação (PNE 2014). A meta era ter alcançado os 93,5% de pessoas alfabetizadas em 2015. Tendo em vista que o objetivo estabelecido pelo PNE é erradicar o analfabetismo até 2024,
estamos atrasados.
A situação é ainda pior quando se trata do analfabetismo funcional. Analfabeta funcional é aquela pessoa que reconhece letras e números, mas é incapaz de interpretar e compreender textos simples ou realizar operações matemáticas mais elaboradas. No Brasil, 29% da população adulta é analfabeta funcional. São 38 milhões de pessoas que, na realidade, não sabem ler*.
E por que isso acontece?
As falhas no sistema educacional brasileiro são gritantes: falta material didático, escolas não têm a estrutura adequada, a alimentação dos alunos, muitas vezes, é de má qualidade e, principalmente, os professores estão sofrendo. Segundo a Associação Nova Escola, 66% dos docentes já precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde, sendo que 87% deles acreditam que o problema foi ocasionado ou agravado pela profissão.
Há de se entender: todos os dias professores são ameaçados e agredidos por alunos e familiares. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019 mostra que 48,9% dos diretores relataram agressões físicas ou verbais de alunos a professores ou funcionários da escola.
Todos os dias, milhares de alunos vão para as salas de aula armados, sob o efeito de drogas lícitas ou ilícitas e prontos para descontar nos professores a violência sofrida fora dos muros da escola. Segundo o Anuário, mais de 8 mil profissionais da educação foram vítimas de tentativas de homicídio por alunos e mais de 36 mil foram ameaçados.
Tamanha violência é reflexo da sociedade em que esses estudantes vivem. Famílias desestruturadas, comunidades permeadas pelo vício e pelo crime, falta de alimentação adequada, pais que não se importam com a vida escolar de seus filhos, etc.
Como crianças crescendo nesse tipo de ambiente poderão agir de maneira diferente dentro das salas de aula? Impossível. Jovens são como esponjas: absorvem o que está ao seu redor e, na maior parte do País, o que está ao redor dos jovens não é o desejável. Falta estrutura familiar. Falta empatia. Faltam bons valores. Falta Deus. Sobram muitos percalços.
Convivendo com tanta violência, profissionais da educação trabalham muito mais como mediadores de conflitos do que como educadores.
Antes de passar a matéria, seja ela Matemática, seja História, seja Português, é necessário controlar crianças, pré-adolescentes e adolescentes que raramente conhecem os limites.
O resultado é que a educação formal acaba se tornando o “pano de fundo” das salas de aula. E os professores, que já estão doentes pela situação, precisam cuidar dos problemas psicológicos e emocionais dos alunos. Soma-se a tudo isso a má remuneração (hoje muitos professores precisam trabalhar em dois ou três turnos para se sustentar) e a falta de reconhecimento da sociedade em geral. O País violento e analfabeto que o Brasil é hoje está empurrando seus jovens para a agressão e a desinformação.
É possível quebrar essa linha de produção viciada? Sim. Mas para isso toda a sociedade precisa se empenhar. É papel dos políticos, mas também deve ser o compromisso de cada família.
Para abordar o tema com maior profundidade, a Folha Universal está preparando uma reportagem especial que será publicada na próxima semana. Fique atento, leia, entenda e trabalhe pela mudança que o País precisa. Erradicar o analfabetismo e melhorar a educação brasileira também são responsabilidades nossas.
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