A contaminação que vem do interior

Julgar uma pessoa, instituição ou situação pelas aparências é somente mais uma das muitas armadilhas em que cai todo aquele que deixa a emoção agir antes da razão. E todos são prejudicados até que a verdade apareça: quem julga e quem é julgado


Por Marcelo Rangel / Fotos: Demetrio Koch, Fotolia, Arquivo Pessoal e Karen Rocha

Quando uma atitude estranha ou aparentemente ruim de alguém chega ao nosso conhecimento é normal formarmos uma opinião sobre ela muitas vezes sem analisarmos direito todos os pontos ou ouvirmos os dois lados. Fale a verdade: você já formou sua opinião sobre algo ou alguém apenas com base em uma parte da história? Isso lembra aquele velho ditado “julgar um livro pela capa”.

Apesar dessa postura ser normal e até parecer natural, na verdade vai contra o que a Bíblia nos ensina. Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Recebemos inteligência superior à de qualquer animal, mas teimamos em muitas vezes tomar atitudes irracionais e caímos na tentação de nos basearmos na primeira impressão. Mas se a Bíblia diz que todos somos iguais perante o Altíssimo (Deuteronômio 1.17), sendo que todo o segundo capítulo do livro de Tiago nos ensina que não devemos fazer acepção de pessoas, como muitos de nós ainda caímos nessa armadilha? Simples: isso ocorre porque deixamos de lado o intelecto para ceder às emoções.

 “Confiava sem conhecer”

Eu tendia a fazer um julgamento errado, mas porque confiava demais nas pessoas sem me precaver. Caía na “lábia” de quem queria se aproveitar de mim. Um dia uma cunhada me disse que era ótima em administração, então eu deixei meu trabalho na empresa que tenho com meu marido para abrir um salão de estética com ela. Eu entraria com o dinheiro e ela com a administração.

Só que ela não cumpriu o que prometeu e deu tudo errado. O clima ficou muito ruim na família, pois, assim como eu caí na “lábia”, outros parentes também caíram. Eles me julgaram, pois ela bancava a vítima e fez com que eles ficassem contra mim e contra meu marido até que a verdade veio à tona.

Ela parecia ser próspera quando estava falida e não deixava que quase ninguém soubesse disso. Uma hora a verdade finalmente apareceu diante de todos. Eu ainda não estava bem com minha cunhada, mas estava amadurecendo espiritualmente. Pedi a Deus para que arrancasse aquele sentimento de mim, limpei meu coração e O deixei agir.

Olhei a situação com os olhos da fé. Voltei a trabalhar com meu marido, o clima na família melhorou e hoje aquela situação não tem mais efeito, não tenho ressentimentos e trato minha cunhada muito bem.

Isso me ensinou a não julgar as pessoas, nem bem nem mal, sem conhecê-las. Minha visão espiritual mudou. Se há algum problema, não enxergo a pessoa como sendo má, mas como uma alma que precisa de ajuda. Às vezes temos uma impressão ruim de alguém, mas e se ela estiver apenas passando por algo difícil ou tendo um mau dia?

Sou voluntária no Projeto Raabe. Muitas mulheres chegam à Universal esgotadas por tanto sofrimento e, por isso, parecem mal-humoradas, se fecham e estão em um grande embate interno. Se nos focarmos nessa aparência, nem chegaremos perto delas, porém Deus espera que ajudemos uns aos outros. Com os olhos da fé e a maturidade que ela me trouxe, hoje enxergo os dois lados. Achei o equilíbrio.

Alexandra Piozzi, de 46 anos, Empresária, de Campinas, SP (foto acima)

Sentimento “teimoso”
Um amplo estudo realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, apontou que somos mesmo influenciados pelas primeiras impressões. Até aí, nenhuma novidade. Mas a mesma experiência científica indicou que, mesmo depois de termos mais informações que as contradigam, aquelas primeiras imagens ficam tão agarradas à nossa mente que tendemos a acreditar mais nelas do que nos dados concretos que as desmentem. “Quanto menos tempo usamos para julgar baseados no que vemos, mais sujeitos estaremos a confiar no que dizem nossos instintos”, diz o autor da pesquisa, o psicólogo Nicolas Rule.

Ele e sua equipe mostraram fotos de várias pessoas a voluntários para que formassem uma opinião sobre os fotografados. Mesmo depois de serem informados que a pessoa na foto não era nada daquilo que haviam pensado, os entrevistados tinham dificuldade de acreditar e preferiam suas impressões iniciais.

O cérebro armazena a mensagem que recebeu primeiro e a considera uma regra que não pode ser mudada. Ele pode até sofrer influência da emoção, mas o intelecto também pode ser usado para processar a informação que vem em seguida, para que uma conclusão mais inteligente seja encontrada. No entanto muita gente se rende à preguiça e se baseia na primeira coisa que lhe vem à cabeça.

“Eu só xingava a Universal”

Eu posso dizer que odiava a Universal. “Ladrão” era a palavra mais leve que eu usava para xingar o Bispo Macedo e o pessoal da igreja, que para mim era vítima de lavagem cerebral. Eu era católico na juventude, mas, com o passar do tempo, me afastei. Me casei e minha esposa frequentava a Universal. Eu não a proibia de ir, mas falava poucas e boas.

Tive sérios problemas de depressão. Tomei até remédios tarja preta. Frequentei muitas denominações e apelei até para a macumba. Eu mal conseguia dormir e tudo me deprimia cada vez mais. Rezas, médicos, medicamentos, nada,
nada funcionava.

Até que um dia falei para a minha esposa: ”bem, agora eu vou aí para esse seu ‘hospital’ (a Universal), já que nenhum outro resolveu e vocês falam que curam tanta gente”. Fui, mas ainda estava cheio de preconceito. Respeitava, mas era bem cético. Fiquei nessa mais ou menos um ano até que discordei de uma coisa que o pastor disse e decidi que não voltaria mais.

Nem preciso dizer que depois dessa decisão comecei a perder tudo que eu havia conquistado espiritualmente. Eu me perdia por julgar de mais e pensar ‘de menos’. Usava a emoção e não a razão.

Até que percebi que cometia um grande erro que muita gente ainda comete: acho que 90% das pessoas já conhecem a Universal, mas ficam “tomando chá” em outros lugares para tentar melhorar de algo. E “chazinho” não resolve nada. Tem de ser remédio forte. E era na Universal que esse remédio estava: Deus. Voltei com vontade e com a fé verdadeira nEle.

De lá para cá, me tornei obreiro, coordeno o Grupo de Saúde, trabalho em hospitais de Osasco levando a Palavra aos pacientes, realizo núcleos, faço evangelização e atuo até nos Anjos da Madrugada. Sei que ainda farei muito mais.

Encontro gente com a mesma mentalidade que eu tinha antes. É muita resistência, mesmo de quem está às portas da morte. Hoje me esforço para explicar aos outros o quanto estão errados. E mostro isso na prática, pois aconteceu comigo e posso falar. Parei de dar “cabeçadas” e hoje oro pelo Bispo Macedo, aquele mesmo que eu xingava. Foi graças a ele ter fundado a Universal que eu conheci a Deus.

– Ademir Vieira, de 71 anos, Aposentado, de São Paulo, capital (foto acima)

Causa e consequência
As impressões iniciais têm um impacto importante na formação da opinião sobre qualquer coisa, embora, como vimos, não bastem. E às vezes teimar nelas pode influenciar resultados tanto para o bem como para o mal.
Nicolas Rule cita algo muito interessante quanto a isso na pesquisa: “estudos de cerca de 50 anos atrás mostram que professores da época costumavam ver crianças de boa aparência como mais espertas. Isso levava os educadores a instintivamente dar mais atenção àquelas crianças mais atraentes, o que as ajudava a ter melhores resultados nas notas. Isso, por sua vez, ajudava a fixar na cabeça dos professores que seu julgamento inicial estava correto”.

Ou seja, uma coisa puxa a outra. Sem querer, os professores de meio século atrás reforçavam o estereótipo no qual acreditavam. O mesmo pode acontecer em nossas vidas: antipatizamos com uma pessoa logo de cara ou pelo fato de alguém falar mal dela e a tal pessoa, por sua vez, sente nossa antipatia e responde à altura. Pronto: passamos a acreditar que ela era mesmo antipática, quando, na verdade, ela só reagiu ao nosso comportamento.

“De tanto me julgarem, eu acabei me julgando”

Eu era extremamente tímida e tinha um jeito ríspido de tratar as pessoas. Eu vivia de “cara amarrada”. Mas eu não era assim por dentro. Eu tinha carinho para oferecer, também queria carinho e amizades, mas a timidez me atrapalhava quando eu tinha que me aproximar dos outros. E, como eles se afastavam por causa do meu jeito, eu, tímida, os deixava ir. Isso gerava uma grande solidão, além de tristeza pelo que pensavam de mim. Isso ficou tão forte que eu mesma acabei acreditando que fosse daquele jeito. De tanto me julgarem, eu mesma acabei me julgando e me “aceitando” como achavam que eu fosse.

Hoje percebo que ser rude era um mecanismo de defesa. Como as pessoas evitavam o contato comigo, eu me iludia de que era decisão minha afastá-las, que eu desejava ficar sozinha. No fundo, eu sabia que não era nada daquilo, mas comecei a acreditar que fosse para sofrer menos.

Mesmo assim, eu queria paz. Conheci a Universal, me dediquei a sério, me converti de verdade, nasci de Deus e fui levantada obreira. E foi essa Obra que me fez acordar para muita coisa. Como obreira eu deveria ajudar as pessoas. Mas como elas chegariam até mim com aquela minha “carranca”? Alguns pastores até me aconselhavam a sorrir mais. E eu notava que de vez em quando alguém até parecia querer falar comigo, mas acabava desistindo. Aquilo começou a me incomodar.

Orei muito, muito mesmo. Pedi ao Espírito Santo que me ajudasse a melhorar. Foi aí que, em uma conversa sincera com Deus e comigo mesma, descobri a origem de tudo. Algo que eu escondi por mais de dez anos porque doía pensar no assunto. Eu tinha sido abusada sexualmente na infância, mas tentava enterrar essa informação para não sentir dor. Aquilo me traumatizou e fiquei daquele jeito rude e tímido ao mesmo tempo para me defender.

Me curei espiritualmente daquele trauma e, com isso, foi desfeito aquele bloqueio que me separava de todos. Com o passar do tempo, me tornei mais doce, comecei a sorrir mais e isso atraiu as pessoas. Percebi com este contato mais próximo que eu era compreensiva, que tinha algo a oferecer e elas também me deixavam feliz confiando em mim. Eu era tão rude antes que eu espantava até meus familiares. Eu mal falava com a minha mãe. Hoje somos as melhores amigas uma da outra.

Algumas pessoas de meu convívio até pediram desculpas porque iam pelas aparências e não sabiam que eu precisava de ajuda. Porém elas ficaram felizes de eu não ser do jeito que pensavam. O espaço antes ocupado por traumas foi preenchido por Deus.

– Géssica Vitorina dos Santos, de 22 anos , de Trindade, GO (foto acima)

Só um ponto de vista
O Bispo Edir Macedo escreveu em seu blog: “a maior ignorância é criticar algo de que você não sabe nada a respeito. O mundo está cheio de ignorantes disfarçados de sábios. Críticos de plantão, de narizes empinados em seus pódios de ignorância, prontos para apontar o dedo e argumentar seu ponto de vista. Esquecem que um ponto de vista não é nada mais do que isso”.

Para ilustrar esse fato, o Bispo mostra exemplos práticos, vistos bem de perto. Um deles é um comentário contra Renato e Cristiane Cardoso, autores do livro Casamento Blindado, no Facebook: “esse casal só quer ganhar dinheiro vendendo livros. Duvido que eles vivam aquilo que falam na televisão”. “Essa pessoa não nos conhece, nunca nos encontrou, mas se acha conhecedora do que acontece dentro da nossa casa”, comenta o Bispo.

Outro exemplo é algo que disseram sobre o Templo de Salomão: “é uma abominação. O anticristo vai morar lá dentro. Deus não mora em templos feitos por mãos de homens”. O Bispo fez a seguinte consideração: “pela lógica dele, vamos ter de demolir todos os templos e igrejas no mundo (já que Deus não habita neles) e mandar quem crê em Deus se reunir debaixo de uma árvore mais próxima. Pela ‘sabedoria’ dele, o anticristo já tem endereço aqui no Brás, em São Paulo. (Alguém avise o profeta Daniel e o Senhor Jesus que eles se equivocaram; não será em Jerusalém, afinal.)”

E o Bispo esclarece sua reflexão: “não é sobre defender os autores de Casamento Blindado nem o Templo de Salomão. É sobre você, eu e todos nós. É para nos ajudar a entender o ser humano um pouquinho melhor. Infelizmente, o Homo sapiens não é tão sapiens assim. Ele sofre de uma doença cujo sintoma principal é a crítica gratuita sobre o que não sabe”.

Aproveitando a oportunidade, o Bispo revela algumas causas dessa doença e como pensam os “doentes” que sofrem com ela:

Desconfiança: se é bom demais para ser verdade, provavelmente é mentira. Pode chamar de falso.
Inveja: se eu não posso ter o que você tem, posso criticá-lo pelo que você tem.
Medo: seu sucesso me assusta e ameaça minha sobrevivência; preciso demonizar seu sucesso para garantir o meu.
Chamar atenção: sei que estou falando bobagem, mas o que importa é que serei famoso por 15 minutos.
Ignorância: mistura de burrice com preguiça de investigar a verdade.
Complexo de piolho: vou pela cabeça dos outros. Afinal, se ‘fulano’ falou isso, deve ser verdade.

E o Bispo conclui dizendo: “desconfiança, inveja, medo, carência de atenção, ignorância e não pensar por si próprio são características humanas que todos nós temos. Por isso, somos todos culpados de um dia termos falado do que não sabíamos. Mas, agora que sabemos disso, não temos mais desculpas. Podemos ser melhores falantes e principalmente ouvintes. Nunca mais presumir que falar é sinônimode saber”.

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