Se seu filho não sai da internet, você PRECISA saber disso

Aprenda a melhor maneira de tirar o seu filho da internet


Por Andre Batista / Imagem: iStock

No Brasil, cada pessoa passa em média nove horas por dia na internet, de acordo com a Global Web Index. Pelo menos três dessas horas são dispensadas nas redes sociais. E, embora a maioria dos sites tenha filtros de idade, crianças e adolescentes facilmente driblam as regras para interagirem na internet.

O problema nessa situação é: crianças estão se tornando viciadas em telas (computador, celular, televisão, tablet etc) e abandonando amigos reais, hobbies e atividades físicas. Essa é a conclusão a que chegou o instituto britânico Ofcom, especializado em estudo sobre pessoas e tecnologia.

E esse vício está relacionado a diversos problemas, como a obesidade, a falta de traquejo social e a inabilidade motora e na tomada de decisões. Para Shimi Kang, um dos maiores especialistas canadenses na área, a tecnologia está cada vez mais ligada a problemas como ansiedade, depressão e distúrbio de imagem corporal.

Então a internet é prejudicial?

Não necessariamente. Similarmente à alimentação, o consumo de internet é capaz de fazer bem tanto quanto é capaz de fazer mal.

Exemplificando: se alguém come apenas fast food o tempo todo, trará problemas para o organismo. Por outro lado, se a dieta é saudável e balanceada, sem exageros, o corpo se fortalecerá.

Da mesma forma age a internet sobre qualquer pessoa. Usar com moderação e apenas de maneira construtiva é positivo. Pode auxiliar até mesmo no aprendizado. É possível, por exemplo, visitar museus utilizando o smartphone.

A psicóloga clínica e especialista em Desenvolvimento de Pessoas e Grupos Terapêuticos Verônica Kehdi explica que, nesse ponto, os pais devem acompanhar de perto o que os filhos fazem.

 

O importante é ter certeza de que o tempo gasto com as telas não substitua as interações sociais. As brincadeiras, refeições em família, o sono, a leitura de livros. Tudo isso é fundamental para o desenvolvimento saudável.

Além dessas recomendações, segundo a revista médica BMJ Open, também é muito importante deixar de utilizar as telas, no mínimo, uma hora antes de dormir. Isso porque os estímulos visuais interferem muito na qualidade do sono. E um sono ruim prejudica a saúde como um todo.

Qual é o seu papel

Sabendo o que as crianças podem ou não fazer na internet é hora de saber o que os pais devem ou não fazer.

“A criança é fruto daquilo que ela recebe. Daquilo que ela capta no ambiente. Daquilo que ela vive no dia a dia. Das características das pessoas com as quais ela convive”, explica Verônica Kehdi.

Ou seja: a principal motivação para a criança estar em frente ao computador ou jogando videogame é ver os pais gastando todo o tempo com a televisão ligada ou navegando na internet.

“Os adultos estão muito viciados na tecnologia e as crianças imitam os adultos”, afirma Verônica.

Por isso, é muito importante dar estímulos aos filhos. É praticamente impossível eliminar o vício em internet sem substituir esse hábito por nenhum um outro. E mais difícil ainda é fazer a criança acreditar que o novo hábito é bom, se nem os pais o praticam.

“O que a gente percebe é que as pessoas têm pouco tempo para educar os filhos. E educar não significa apenas estar junto. Educar significa acompanhar o desenvolvimento dessa criança, nutri-la tanto fisiologicamente quanto emocionalmente de coisas que possam fazê-la crescer com uma estrutura psíquica bem formada”, explica a psicóloga.

E continua: “Entretanto, hoje em dia a gente vê que os pais, de forma geral, estão sempre correndo. Não necessariamente têm o foco no desenvolvimento dos filhos”.

É preciso mudar. Praticar atividades juntos, conversar, passear. Seu filho só vai largar a internet e as telas se você fizer o mesmo. E encontrar uma experiência mais interessante para fazerem juntos.

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