Estudo revela que pandemia dificulta denúncias de violência sexual a menores
O abuso e a violência sofridos podem deixar marcas e traumas profundos. Por isso, não deixe de denunciar e busque ajuda
A pandemia dificulta denúncias de estupro a menores. É o que revela o relatório em parceria do Instituto Sou da Paz, do Ministério Público de São Paulo e da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). De acordo com a pesquisa, realizada em São Paulo, a quantidade de denúncias de violência sexual de vulneráveis chegou a uma queda de quase 40% durante o período.
As denúncias de estupro contra vítimas menores de 14 anos, pessoas com deficiência ou que não podem oferecer resistência por outras condições vinham crescendo nos últimos anos. Entretanto, tiveram redução de 15,7% no primeiro semestre deste ano. Os meses de abril e maio apresentaram uma redução de 36,5% e 39,3%, respectivamente, em comparação a 2019.
As instituições envolvidas na produção do relatório alertam que estes números representam uma dificuldade de denunciar os casos dentro de um contexto de isolamento social, já que os abusos ocorrem dentro de casa, em maioria, 84%. O perfil predominante das vítimas (83%) são meninas de até 13 anos. Destas vítimas, 60% são brancas e 38% negras.
Ainda de acordo com o estudo, o pico dos abusos contra meninas ocorre, exatamente, aos 13 anos de idade. E, contra meninos, entre 4 e 5 anos. Apesar de, apenas, 8% dos casos possuírem informações sobre o vínculo entre o autor e a vítima, destes — com o recorte do primeiro semestre de 2020 –, 73% tinham algum grau de parentesco.
Ajuda e proteção
Em maio último, durante anúncio do balanço do Disque Direitos Humanos (Disque 100) com dados sobre violência sexual contra crianças e adolescentes, a ministra Damares Alves, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), comentou: “Os outros tipos de violações são claramente visíveis, a violência sexual, não. Na maioria das vezes, é silenciosa”.
Na ocasião, o MMFDH apontou que, no Brasil, em 2019, a violência sexual figurou em 11% das denúncias referentes ao grupo crianças e adolescentes, o que corresponde a 17 mil ocorrências. O levantamento ainda identificou que a violência sexual acontece, em 73% dos casos, na casa da própria vítima ou do suspeito, e é cometida por pai ou padrasto em 40% das denúncias.
Com a confirmação de abuso, não deixe de denunciar. Busque ajuda de órgãos como Conselho Tutelar, delegacia, Juizado da Infância e da Juventude, Ministério Público e ainda pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100). Além do contato ser feito via telefone, a notificação não necessita de identificação. Essas instituições são capacitadas para oferecer ajuda e proteção.
Apoio espiritual
Quando uma criança é abusada ou sofre algum tipo de violência, ela passa a apresentar sinais de que algo está errado. Como medo, tristeza e outras dores emocionais, a exemplo da angústia e da depressão. Por isso, é imprescindível que pais, responsáveis e cuidadores fiquem atentos a qualquer alteração de comportamento das crianças e dos adolescentes.
O abuso e a violência sofridos podem deixar marcas e traumas profundos. Crianças e adolescentes precisam entender e ter certeza que serão acolhidos e compreendidos. Além disso, é preciso deixar claro aos menores que eles não têm culpa. E que seus pais, responsáveis e cuidadores vão ouvi-los sem julgamento moral ou condenação.
Você e seu filho(a) não precisam passar por isso sozinhos. Portanto, caso esteja enfrentando esta situação, busque apoio. Participe das reuniões mensais do grupo Godllywood e compareça aos atendimentos com as conselheiras. Clique aqui para mais informações. Ademais, acompanhe também os conteúdos edificantes pela plataforma online Univer Vídeo.
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