Isolamento social não alterou número de mortes, afirma estudo
Maior impacto foi causado por fatores como obesidade e idade da população
Cientistas da Universidade de Toronto (Canadá) e da Universidade do Texas (EUA) estudaram a relação de mais de 50 países com a pandemia de COVID-19. Criando um modelo matemático de ações tomadas e não tomadas por cada governo, chegaram à conclusão de que o isolamento social não evitou grande número de mortes.
“Ações do governo, como fechamento de fronteiras, bloqueio total e uma alta taxa de testes de COVID-19 não foram associadas a reduções estatisticamente significativas no número de casos críticos ou na mortalidade geral”, afirmou uma das autoras do estudo, a doutora Sheila Raizi, da universidade canadense.
De acordo com o estudo, o isolamento social não teve impacto significativo no número de casos graves de COVID-19 ou de mortes pela doença. Entretanto, auxiliou a evitar que sistemas de saúde mal estruturados de determinados países ficassem sobrecarregados.
O que, de fato, impactou o número de mortes?
Se o isolamento social não fez grande diferença no número de mortes, condições como obesidade, idade média da população e renda per capita, sim, fizeram a diferença.
O estudo aponta que, quando 30% dos adultos de um país são obesos, o número de mortes por COVID-19 cresceu 12%. Quanto mais adultos acima do peso, maior o número de casos graves e falecimentos.
No Brasil, 55,7% da população adulta está acima do peso saudável. Sendo que 19,8% dos adultos já são obesos.
Outro fato determinante no índice de mortes por COVID-19 foi a renda média da população. Países onde o salário médio do cidadão era baixa tiveram, ao menos, 3% mais mortes pela doença.
Os especialistas consideraram como renda média “saudável” o valor anual de R$ 119.630. No Brasil, a renda média é de apenas R$ 26.928.
Essa discrepância entre valores afetou a maneira como a doença se apresentou à medida que pessoas com a renda baixa têm menos condições de alimentação e hábitos saudáveis. Quando a pandemia chegou, essas populações já tinham condições de vida insalubres.
Um dos grandes problemas de insalubridade do Brasil é o saneamento básico. No País, 48% da população vive sem coleta de esgoto e água devidamente tratada para ingestão.
Outro dado relevante para os brasileiros é o número de enfermeiros. O estudo norte-americano sugere que um país diminui o número de mortes por COVID-19 quando possui 6.000 enfermeiros para cada 1 milhão de habitantes. O Brasil tem pouco mais do que a metade desse valor: 2.322.327 enfermeiros para 209,5 milhões de habitantes.
Idade também é importante
A idade média da população também teve impacto significativo no número de óbitos por COVID-19. Países com idade média acima de 40 anos tiveram mais de 150 mortes a cada milhão de habitantes.
Já aqueles que têm idade média abaixo de 30 anos tiveram menos de 25 mortes por milhão de pessoas.
A média de idade entre os brasileiros é de 32,6 anos.
No artigo, Raizi e seus colegas afirmam:
“Os resultados obtidos são consistentes com os dados de resultados de COVID-19 relatados na Europa, Estados Unidos e China. Maior número de casos e mortalidade geral foram associados a comorbidades como a obesidade”.
Para entender melhor a relação entre obesidade e COVID-19, clique aqui.
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