De Príncipe da Fazendinha a filho do Criador

Emerson da Silva percorreu um caminho improvável para ser salvo

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Emerson da Silva tem 38 anos, mora no Rio de Janeiro (RJ), tem uma empresa de vendas online e trabalha com entregas, levando uma vida totalmente diferente da qual tinha quando era criança. “Eu nasci dentro do Complexo do Alemão, conjunto de favelas na Zona Norte do Rio. Possuía carros, motos potentes, roupas caras e era conhecido como ‘Príncipe da Fazendinha’ [comunidade onde morava], pois meu pai era um dos maiores traficantes e chefe de roubos do Estado, chamado de ‘Negão Durval’”, conta.

Protegido

Apesar de viver nesse ambiente, seu pai o proibia de se envolver com atividades criminosas. “Eu só soube do envolvimento dele com o crime na juventude, após vê-lo armado. Minha família vivenciava constantes batidas policiais. Meu pai chegou a ser sequestrado, teve que pagar R$ 500 mil de resgate e foi preso três vezes. Por outro lado, minha avó que havia se convertido a Deus na Universal e se tornou obreira me levava para a Igreja e me protegia. Eu cheguei a frequentar a Escola Bíblica Infantil (EBI)”, recorda.

Legado

Contudo, quando o pai de Emerson morreu, ele conta que foi pressionado por associados a assumir o “legado” deixado. “Aos 21 anos, eu subi rapidamente no mundo do crime, acumulando bens e poder. Pessoas trabalhavam para mim em esquemas de roubo de carros e boca de fumo e eu faturava mais de R$ 20 mil por semana. Mas tudo começou a desabar quando facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho começaram a cobrar antigas dívidas do meu pai”, conta.

Maldição e prisão

Pessoas próximas e até primos se afastaram, acreditando que ele morreria como o pai. “Muitos familiares morreram baleados, o que, para mim, era uma maldição hereditária. Eu recorri a assaltos de casas e lotéricas e quase morri várias vezes. Para minha surpresa, não fui preso pelos crimes, mas, sim, por falta de pagamento de pensão alimentícia, o que eu consegui resolver depois. Hoje creio que todos esses problemas já faziam parte do plano de Deus para mim”, analisa.

Estresse e vazio

Emerson vivia em constante estresse e tinha um vazio que tentava preencher com bebidas, mulheres e drogas, até que um obreiro da Universal o incentivou a retornar à igreja. “As coisas começaram a mudar, as dívidas e ameaças de criminosos desapareceram e eu me desfiz de todos os bens ligados ao crime para recomeçar do zero com Deus. Muitos apostavam que eu não duraria três meses na igreja, mas provei o contrário. Fui batizado com o Espírito Santo durante o evento Família ao Pé da Cruz, que aconteceu no ano passado, no Maracanã”, lembra.

Certeza

Antes conhecido por ser filho de um traficante poderoso, Emerson se tornou filho de Deus. “Hoje faço parte do grupo Universal Socioeducativo, evangelizo em favelas e compartilho meu testemunho com traficantes e ex-membros do crime. Embora eu possua menos bens materiais, eu tenho o Espírito Santo, o que me traz paz, alegria e certeza, coisas que o dinheiro do crime nunca ofereceu. Assim como Deus me tirou de uma situação humanamente improvável, Ele pode salvar pela fé quem está em condição parecida”, conclui.

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Colaborador

Eduardo Prestes / Foto: Cedida