Entre a vida e a morte após cirurgia na coluna

O que seria a solução para a dor de Jeonice Silva se transformou em uma luta contra uma infecção agressiva

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“Se Deus permitiu que eu ficasse internada, alguma coisa Ele vai fazer.” Esse foi o pensamento que sustentou Jeonice das Oliveiras e Silva, de 67 anos, em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Após anos sofrendo com três hérnias de disco e sem obter resultados com tratamentos, a enfermeira aposentada foi submetida a uma cirurgia em janeiro deste ano. “Coloquei oito pinos de titânio na coluna lombar”, conta.

Foram apenas quatro dias de internação. No entanto, no momento da alta, o médico avaliou a região e notou uma secreção. A orientação foi observar o quadro e procurar atendimento caso houvesse piora. “Três dias depois, a secreção aumentou de uma maneira que sujou meu pijama, o lençol da cama e o cobertor. Fui até a emergência, fiz alguns exames, e o médico se assustou ao ver o resultado.”

Um problema maior que o outro

Sem entender exatamente o que estava acontecendo, Jeonice precisou ser internada às pressas. “Depois de algumas horas, o médico falou que teria que fazer uma abordagem cirúrgica, que seria abrir de novo a região da minha coluna e reparar o procedimento que tinha sido feito. Nessa nova operação, eles lavaram, rasparam e mandaram um pedaço do material para anatomia”, detalha.

O resultado confirmou a contaminação do fragmento ósseo pela bactéria Enterococo MR, conhecida por ser de difícil controle “Por ela ser resistente a antibióticos, nenhum remédio estava fazendo efeito. Havia um grande risco de que eu ficasse paralítica ou até mesmo que morresse. Cheguei a ficar debilitada ao ponto de precisar receber transfusão de sangue.”

Enterococos

Os enterococos são bactérias que fazem parte da microbiota normal do trato gastrointestinal e do trato genital feminino. Em geral, não apresentam alta virulência, mas podem causar infecções importantes, especialmente em ambientes hospitalares. O enterococo multirresistente (MR) é uma variante que desenvolveu resistência a diversos antibióticos.

Como é transmitida:

A infecção pode ocorrer a partir da própria microbiota do paciente, especialmente após procedimentos no trato gastrointestinal. Além disso, a transmissão cruzada é comum em hospitais, principalmente por meio das mãos de profissionais de saúde, de equipamentos médicos contaminados e de superfícies do ambiente hospitalar.

Fatores de risco:

Pacientes com doenças graves ou com o sistema imunológico comprometido são mais suscetíveis à infecção. Outros fatores importantes incluem cirurgias recentes, longos períodos de internação e uso frequente de antibióticos.

Prevenção:

A prevenção da disseminação da bactéria depende de medidas rigorosas de controle de infecção, como a correta higienização das mãos, uso adequado de antibióticos e adoção de precauções de contato.

Fontes: Marcela Bandeira, Médica infectologista do Hospital Moriah; Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo

A fé racional

Além do tratamento médico, Jeonice também recorreu à fé. “Minha irmã passou a levar a água consagrada a Deus para mim. Eu bebia e também aplicava na incisão cirúrgica, sempre pedindo a Deus que controlasse a infecção e que não fosse necessária outra operação. Também orei quando recebi a transfusão de sangue e rejeitei todas aquelas dores.”

Algum tempo depois, foi identificado um antibiótico capaz de trazer a resposta esperada. “Eu tomava a medicação e falava com Deus que não aceitava ficar com nenhum tipo de dor, porque Jesus já tinha levado todas elas na cruz.”

O que seria uma internação de três dias acabou se estendendo por um mês. “Mas entendi que, se Deus permitiu que eu ficasse internada, alguma coisa Ele iria fazer.”

Resposta física e espiritual

Jeonice afirma que a fé foi essencial para superar o quadro. “Eu me lembrava das pessoas que morreram por causa do mesmo problema e ficava com medo. Mas combatia esse sentimento com as minhas orações e a Palavra de Deus.” Durante a internação, ela também evangelizou outros pacientes e mantém contato com alguns até hoje.

Com o fortalecimento espiritual, a recuperação física também avançou. “A ferida começou a cicatrizar, o remédio foi combatendo a bactéria e, hoje, para honra e glória do Senhor Jesus, não tenho mais aquelas dores na coluna. Estou completamente curada”, conclui.

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Foto: Cedida