O papel do cidadão na mudança do país

Participação política, voto consciente e diálogo são fundamentais para fortalecer a democracia e transformar a sociedade

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O interesse do brasileiro pela política é muito baixo. Corrupção, promessas não cumpridas e a descrença no funcionamento das instituições são algumas justificativas usadas para se esquivar do assunto. Muitos desacreditam a ponto de não acompanhar a atuação dos parlamentares e até deixar de ir votar para escolher seus representantes. À primeira vista, essa postura pode parecer uma forma de protesto, mas, na prática, representa um risco à própria democracia.

Uma pesquisa Quaest recente mostrou que 38% da camada mais pobre da população não tem nenhum interesse pelo tema. O índice é menor ainda entre a classe média, de 28%, e entre a população de renda mais alta, de 21%. Esses números revelam um distanciamento preocupante quando se leva em conta a relevância da política para a vida em sociedade.

Política não se resume à eleição

Ao contrário do que muitos pensam, a política não se limita ao período eleitoral. Ela faz parte do cotidiano da população e impacta diretamente áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e economia, por meio das decisões que os representantes eleitos tomam. Mudar esse cenário passa, necessariamente, pelo fortalecimento da consciência política.

O Bispo Alessandro Paschoall, coordenador do Grupo Arimateia, fala da importância dessa conscientização: “É preciso entender que somos parte fundamental da democracia. Política é diálogo, participação e equilíbrio. É unir várias ideias em prol do povo, trabalhar com quem pensa diferente e chegar a consensos que beneficiem verdadeiramente a população e o País”.

Consciência política

O Brasil adota um sistema político representativo e democrático, por meio do qual a população escolhe seus governantes pelo voto. A preservação desse modelo é essencial para o funcionamento das instituições e para a garantia dos direitos da sociedade. Compreender o funcionamento da máquina pública faz parte desse processo e permite que cada brasileiro exerça plenamente seu papel como cidadão, acompanhando, cobrando e fiscalizando a atuação dos representantes eleitos.

Neste ano, por exemplo, as eleições acontecem no dia 4 de outubro, quando estarão em disputa cargos de presidente da República, governador, deputado federal e estadual, além de senador. Conhecer as atribuições de cada uma das funções e entender as responsabilidades de quem ocupa esses postos é fundamental para fazer uma escolha consciente, capaz de fortalecer a democracia e refletir diretamente nos rumos do País.

O poder do voto

Historicamente, o Brasil já viveu períodos em que a opinião da população não era considerada na escolha dos governantes e o direito ao voto foi conquistado após muita luta. Ainda assim, hoje, muitos desvalorizam esse direito. Em 2022, por exemplo, a taxa de abstenção nas eleições foi de 20,9%, a maior desde 1998.

O Bispo analisa essa atitude: “A taxa de abstenção poderia mudar o rumo das eleições e do País, mas, como as pessoas pensam que o seu voto não faz diferença, elas continuam insistindo em se abster. As eleições passaram a ser vistas como uma obrigação ruim e, por isso, muitos acabam escolhendo mal e votando em qualquer pessoa”.

Na prática, até quem deixa de votar está fazendo uma escolha e ela pode custar caro no futuro, como alerta o Bispo: “Quando as pessoas deixam de participar, acabam abrindo espaço para que outros escolham por elas e nem sempre quem chega ao poder tem boas intenções. Se queremos uma sociedade mais justa, precisamos começar pelas nossas próprias decisões”.

Qual é a situação do seu título de eleitor?

Os eleitores que têm pendências devem regularizá-las na Justiça Eleitoral até o dia 6 de maio. O prazo é válido para a emissão do título, transferência de domicílio eleitoral, atualização de dados cadastrais ou cadastramento biométrico. Depois dessa data, o cadastro eleitoral será fechado para os preparativos das eleições gerais deste ano e só será reaberto depois do segundo turno.

Cuidado com a desinformação

Nesse processo de busca por consciência política, o cidadão precisa estar atento à desinformação. As fake news são consideradas uma arma poderosa para manipular e enganar as pessoas, prejudicando o processo eleitoral e, consequentemente, a própria sociedade.

O Bispo faz uma orientação de como proceder para evitar o consumo de conteúdo falso: “A principal forma de se proteger é ler as notícias ou mensagens com calma e buscar informação em fontes confiáveis. Existem muitos sites e perfis com interesses próprios e é importante recorrer a veículos sérios e imparciais”.

Diálogo não é discussão

Nos últimos anos, tem sido observado no Brasil e no mundo um processo de polarização, ou seja, a divisão da sociedade em posições políticas opostas. A polarização causa dificuldade de diálogo, por causa da intolerância a opiniões diferentes e gera enfraquecimento do debate construtivo, o que compromete a convivência democrática.

O estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens revela que muitos brasileiros têm receio de expressar opiniões políticas porque o ambiente digital está cada vez mais agressivo. O Bispo deixa um recado para conseguir lidar bem com isso: “Evite discussões desnecessárias e ideias radicais. O cristão deve, sim, defender seus valores, mas de forma respeitosa. O melhor lugar para fazer isso é nas urnas”.

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Fotos: brushpiquetr/gettyimages, FG Trade/gettyimages e Jupiterimages/gettyimages