thumb do blog Renato Cardoso
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QUANDO SER “CERTINHO” VIRA MÁGOA

A parábola dos dois filhos (o filho pródigo e o filho mais velho) revela como a mágoa pode destruir até quem aparenta fazer tudo certo

Fé não é apenas acreditar em Deus; é também saber agir corretamente depois de errar — e, principalmente, depois de acertar. Já falamos que a melhor forma de se recuperar de uma má escolha é ser rápido em fazer uma escolha certa. Foi assim com o chamado filho pródigo. Ele caiu em si, reconheceu o erro, humilhou-se, voltou para a casa do pai e foi recebido com misericórdia.

No entanto, a parábola que Jesus contou não fala apenas de um filho. Ela fala de dois. E é justamente aí que muitos se enganam.

Dois filhos, dois testes

Embora seja conhecida como a parábola do filho pródigo, a Bíblia deixa claro que se trata da história de dois irmãos. Um saiu de casa, desperdiçou tudo e se perdeu. O outro permaneceu ao lado do pai, serviu, foi fiel e, aparentemente, fez tudo certo.

Quando, porém, o filho mais novo voltou arrependido e o pai fez uma festa para recebê-lo, então o irmão mais velho foi testado. Foi justamente nesse momento que, aquilo que estava escondido, veio à tona.

Quando a fidelidade esconde ressentimento

O texto bíblico (Lucas 15:25) mostra que o irmão mais velho se indignou e não quis entrar na casa. Em vez de se alegrar com o pai pela recuperação do filho perdido, ele se revoltou. Ali ficou evidente que, apesar de sua postura correta ao longo dos anos, ele carregava algo perigoso no coração: mágoa.

Aquele filho, que parecia tão fiel, revelou que servia esperando reconhecimento. Ele não fazia apenas por amor, mas aguardava recompensa. E, quando não recebeu o que achava que merecia, explodiu.

Não estava pronto para a herança

Tradicionalmente, o filho mais velho assumia o lugar do pai. Contudo, naquele momento, ele provou que não estava preparado para isso. Assim como o mais novo não soube lidar com a herança material, o mais velho não soube lidar com a herança espiritual: misericórdia, compaixão e equilíbrio.

Por isso, um pai, um líder, alguém que cuida de pessoas, precisa saber exercer três coisas: juízo, misericórdia e fé. Ou seja, a sabedoria está justamente em saber quando aplicar cada uma delas. No entanto, o irmão mais velho falhou nisso.

A cegueira da mágoa

Observe como a mágoa age. O filho mais velho reclamou por nunca ter recebido um cabrito, mas se esqueceu de que era dono de todo o rebanho. Ele focou em um detalhe e perdeu a visão do todo.

É exatamente isso que a mágoa faz: ela cega. Ela paralisa o raciocínio, distorce a percepção e leva a pessoa a agir apenas pela emoção. Quem guarda mágoa se amaldiçoa sem perceber.

Começou bem, terminou mal

O filho pródigo começou mal, mas terminou bem. Já o irmão mais velho começou bem, mas terminou mal. E a diferença entre eles não foi o erro, mas o que cada um fez com o coração.

A mágoa do irmão mais velho não surgiu de repente. Ela foi alimentada ao longo do tempo. Expectativas frustradas, sensação de não ser valorizado, ressentimento silencioso — tudo isso estava ali, escondido, até vir à tona.

Examine o seu coração

Essa história é um alerta para todos nós. Precisamos revisitar o coração com sinceridade e humildade. A mágoa não é um impulso; ela é cultivada. E, se não for tratada, destrói.

Cuide do seu coração. Não permita que a mágoa encontre espaço dentro de você. Quem não perdoa, não é perdoado. E sem perdão, não há salvação.

Pense nisso. Reavalie suas atitudes. Escolha liberar perdão antes que a mágoa termine aquilo que você começou bem.

Assista até o final e examine a si.

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Colaborador

Bispo Renato Cardoso