O que fazer depois que o complexo de heroína falha?
Depois de passar quase duas décadas apoiando e acreditando na mudança e na ressocialização do marido – envolvido com o crime e com passagens pela prisão –, a aluna Daniele conta que se decepcionou ao perceber que ele manteve os mesmos comportamentos e voltou a ser preso. Sentindo-se morta como mulher, ela enviou seu relato ao programa A Escola do Amor Responde na tentativa de entender onde errou e o que deve fazer daqui em diante. Confira a orientação que os professores Renato e Cristiane Cardoso deram a ela.
Daniele – Queridos Renato e Cris, onde foi que eu errei? Lutei pelo meu marido e pelo meu casamento durante 18 anos. Ele passou pelo sistema penitenciário e eu acreditei que o meu amor seria capaz de recuperá-lo para a sociedade. No entanto, após ganhar a liberdade, ele foi preso novamente, acusado de roubo seguido de tentativa de estupro. O caso foi divulgado em todos os canais de TV, rádios e jornais, o que trouxe vergonha para mim e para os meus filhos. Hoje, sinto-me morta como mulher e como ser humano.
Cristiane – Daniele, o seu erro foi ter assumido o que pode ser chamado de Complexo de Heroína. Seu marido já tinha um histórico de problemas, passou anos na prisão e não mudou, apesar de todas as suas tentativas de salvá-lo.
Nos filmes e nos romances, vemos histórias em que o amor é capaz de transformar alguém e, no final, todos vivem felizes para sempre. Na vida real, contudo, não é isso que acontece. Uma pessoa só muda quando ela quer mudar. Por isso, Daniele, não há como salvar alguém. Pode até existir o incentivo da sua parte, mas a mudança só acontece quando o outro decide realizá-la. O seu erro foi querer salvar o seu marido e ter assumido o papel de heroína. Ele nunca quis ser salvo. E, quando a pessoa não quer ajuda e não demonstra que mudou, é necessário estabelecer limites e entender que não se pode ajudar quem não quer ser ajudado.
Renato – Outro erro, Daniele, foi acreditar que o seu amor por ele seria suficiente para recuperá-lo, o que nem sempre funciona. Até porque quem transforma e recupera as pessoas é o amor de Deus e não o amor de uma mulher ou de um homem, por mais romântico que isso possa parecer. É importante entender que, quando o cônjuge comete um erro grosseiro e gravíssimo, a ponto de ser preso e permanecer anos na prisão, uma das consequências, além de perder a liberdade, é ficar fora do convívio com a família e com a sociedade. Há pessoas que passam anos esperando e lutando por alguém que está preso e você foi uma delas. No entanto esse comportamento não trouxe os resultados esperados por você.
Cristiane – Existem pessoas que, ao passarem pela prisão, mudam de vida por meio da fé em Deus. Elas se convertem e se tornam cidadãs que contribuem para a sociedade. Porém, quando você percebe que a pessoa não busca essa mudança e, ainda assim, você permanece ali, “firme e forte”, ela se acomoda, pois sabe que, ao sair, terá casa, família e apoio. Por isso, é preciso que você reconheça que errou por não usar a razão. Seu marido nunca mudou e, apesar disso, você escolheu permanecer ao lado dele.
Renato – Agora, Daniele, é importante reconhecer que você investiu e plantou no lugar errado. A sua vida, no entanto, não acabou. Você não precisa morrer por dentro nem acreditar que seus sonhos chegaram ao fim. O maior erro foi dele, que desperdiçou um amor verdadeiro e sincero. Se alguém precisa se arrepender, é ele. Você acreditou e fez o que pôde por alguém que amava, mas ele não valorizou sua atitude. O que você precisa fazer agora é retomar essa energia, pegar esse cuidado que deu a ele e voltar-se para si mesma. Busque curar o seu interior, que está ferido, para que, quando encontrar alguém que realmente mereça esse amor, você possa entregá-lo de forma saudável. Sempre orientamos que se busque essa cura frequentando as palestras da Terapia do Amor, pois ninguém consegue ser verdadeiramente feliz na vida amorosa enquanto carregar marcas profundas do passado.
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