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Núbia Siqueira | 7 de agosto de 2019 - 00:05


O culto à autoestima

Na atualidade, as pessoas gastam somas exorbitantes para adquirir algo, entretanto, se sentem bem por pouco tempo e, logo, precisam de outro e mais outro

O culto à autoestima

Se você fizer uma busca rápida pela internet, encontrará mil e uma maneiras de elevar sua autoestima. Isso porque há um entendimento, hoje, que a maioria dos problemas dos seres humanos se deve à baixa autoestima.

Por conta disso, temos visto o mundo criar um culto ao redor da elevação do que as pessoas pensam e sentem em relação a si mesmas. O problema é que isto tem sido feito de maneira que “se sentir bem” virou a desculpa para muitas coisas, como consumo desordenado, lazer dispendioso, tratamentos estéticos infindáveis, plásticas, entretenimento frenético, sair de um relacionamento e entrar em outro, exigir ser tratado assim ou assado…

Até despejar desaforos e ofensas sobre os outros, em nome de ficar bem consigo mesmo, são considerados aceitáveis, porque, afinal, se tudo isso lhe faz feliz, é o que importa!

Então, o marketing do levantamento da autoestima impulsiona muitos seguimentos, mas, principalmente, o comércio. Os mesmos produtos que são tão divulgados como promotores da felicidade, não têm poder permanente de satisfação, obrigando assim o consumo vertiginoso.

Na atualidade, as pessoas gastam somas exorbitantes para adquirir algo, entretanto, se sentem bem por pouco tempo e, logo, precisam de outro e mais outro. Tem gente que já não sabe mais o que fazer para se sentir bem, porque todas as propostas oferecidas por este mundo já foram experimentadas e nada satisfez de forma duradoura.

Contudo, eu quero dizer que essa autoestima que depende de coisas e pessoas é enganosa e vulnerável, porque deixa o ser humano nas mãos de terceiros. Afinal, quem já não ouviu alguém dizer que estava se sentindo um lixo, porque foi ignorado ou esquecido por um determinado amigo? Como pode, seu estado físico, emocional e espiritual depender da boa vontade de outros?

Quando nascemos de Deus, não existe problema de autoestima, pois o Espírito Santo transforma nossa identidade e o nosso valor. Por isso, não ficamos nessa oscilação, que ora está bem e ora está mal. Não ficamos feridos pela forma que somos tratados, muito menos com um superego, porque estamos realizados em alguma situação.

Ser filho de Deus nos faz encontrar uma posição segura e inabalável, e que traz também uma satisfação interior sem igual. Se somos honrados dizemos “Amém!”, se somos desprezados, também dizemos “Amém!”, porque o nosso valor não vem do que os outros fazem ou pensam a nosso respeito.

Precisamos alcançar a maturidade para não delegar a ninguém o poder de nos fazer sentir bem ou mal. Pois afinal, nenhuma pessoa tem a obrigação de elevar minha autoestima. Nem o cônjuge, nem o pastor, o amigo (a) ou o patrão. Cada um deve ter dentro de si o seu senso de valor próprio, de modo que não importa o que nos façam ou deixem de fazer, para que venhamos seguir sendo quem somos.

Paulo entendeu bem esse assunto, por isso disse que pouco importava o que as pessoas pensavam dele. Aliás, o apóstolo disse que não atentava nem mesmo para o que ele próprio pensava de si ou sentia. Que grandeza de fé!

Não é o que eu sinto que conta, mas quem eu sou para Deus. Esse é o motivo da felicidade que ninguém e nada tem o poder de tirar.

“Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por algum juízo humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo”. 1 Coríntios 4.3

Diante disso, você ainda está preocupado em “se sentir bem”?


O culto à autoestima
  • Núbia Siqueira / Foto: Getty Images 


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