Vício em videogame é doença, decreta OMS

Por Andre Batista / Imagem: Thinkstock

Pela primeira vez na História, o vício em videogames é oficialmente considerado uma doença. A decisão foi tomada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela saúde, e seus impactos poderão ser vistos já em 2018, após a divulgação da 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID).

Talvez você já tenha reparado: ao pegar um atestado médico ou uma receita de medicamentos, o profissional responsável anota um número ao lado da sigla CID. Esse número representa a doença que afeta o paciente. “H10”, por exemplo, é conjuntivite. Já o “G43” representa enxaqueca. A partir deste ano, um número específico classificará a enfermidade “distúrbio de games”.

O documento é seguido pela medicina no mundo inteiro e apresenta a lista de todas as enfermidades conhecidas, incluindo variações, sintomas e sugestões de tratamentos. Como a última edição da CID havia sido composta em 1992, essa é a primeira a apresentar a dependência de videogames, facilitando a criação de políticas de identificação e tratamento.

De acordo com Richard Graham, especialista em vícios em tecnologia do Hospital Nightingale, em Londres (Inglaterra), a inclusão dessa doença na CID é muito significante, porque cria a oportunidade para mais serviços especializados. “Isso coloca o vício em videogames no mapa do que deve ser levado a sério.”

Em entrevista à rede de notícias britânica BBC, o especialista sugeriu que, para determinar se existe a dependência, é importante realizar a seguinte reflexão: “O vício está dominando o estado real neurológico, o pensamento e as preocupações?” Se a resposta for positiva, é necessário o tratamento.

Bilhões de dólares x Saúde

A inclusão da doença na 11ª Classificação Internacional de Doenças, entretanto, não pode garantir a diminuição do consumo de games no mundo. Isso porque esse é um mercado bilionário, movido por empresas que não estão dispostas a verem seus lucros despencando.

De acordo com a fundação NewZoo, especializada no assunto, somente em 2016, o Brasil gerou lucros superiores a 1,6 bilhão de dólares, ou o equivalente a mais de 5,2 bilhões de reais, para a indústria dos videogames.

No mundo inteiro, em 2015, esse mesmo mercado movimentou 65 bilhões de dólares (o equivalente a mais de mais de 211,4 bilhões de reais), segundo o instituto SuperData, especialista em pesquisas de tecnologia.

“Sim, as empresas de videogames estão ganhando muito dinheiro. Mas o benefício que os usuários desses jogos ganham em troca é difícil de achar”, reflete o escritor Renato Cardoso, criador do Projeto IntelliMen. “Videogames são viciantes, todos sabem disso. Antes eles eram apenas um jogo de crianças, mas, hoje em dia, a febre passou a outras gerações e faz vítimas desde crianças até avós.”

De fato, o mercado consumidor dos games, cada vez mais, é formado por adultos, como mostra o gráfico abaixo:


Os números são da Pesquisa Game Brasil 2017, realizada pela agência de tecnologia interativa Sioux. De acordo com o levantamento, a maioria dos consumidores é formada por mulheres (56,6%) e a plataforma mais utilizada é o mobile, seguida pelos computadores, consoles de mesa, Smart TVs e consoles portáteis.

“Se você joga videogames, talvez diga: ‘É só um jogo. Só estou passando o tempo… Só relaxando.’ Interessante que os viciados em drogas também dizem isso sobre o seu vício”, alerta Cardoso. “Mas, ao invés de descartar o que eu estou falando aqui, olhe para os efeitos que esse hábito tem causado na sua vida. Os efeitos não mentem.”

De acordo com a OMS, os principais sintomas da doença são:

- Não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame;

- Priorizar jogar videogame a outras atividades;

- Continuar ou aumentar ainda mais a frequência com que joga videogame, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito.

Tratamento

Ainda não foi divulgada pela OMS uma forma de tratamento para lidar com o problema. Entretanto, o acompanhamento com especialistas é fundamental para a identificação do vício e sua cura.

A Universal oferece, gratuitamente, desde 2014, o Tratamento Para a Cura dos Vícios, independentemente de qual seja a dependência que a pessoa possua. Não importa se ela é vítima do vício em drogas lícitas ou ilícitas, em alimentos, em games ou em qualquer outra coisa, se ela estiver disposta a buscar ajuda, a Universal estará presente para isso.

No caso de pais que veem esse problema em seus filhos, crianças ou adolescentes, eles mesmos podem procurar ajuda nas reuniões do tratamento ou na palestra Transformação Total de Pais e Filhos, que acontece todos os domingos, na Universal. Ali eles serão orientados sobre como ajudar os filhos

Clique aqui e saiba onde são realizadas as reuniões do Tratamento Para a Cura dos Vícios.

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