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Notícias | 18 de março de 2019 - 09:56


Uma afronta além dos limites

Escola de Samba dos corintianos, a Gaviões da Fiel, zomba de Deus e da fé da maioria dos brasileiros e gera revolta

Uma afronta além dos limites

Na madrugada de 3 de março, a escola de samba Gaviões da Fiel, de São Paulo, trouxe em sua comissão de frente uma encenação da figura do diabo lutando com a de Jesus, como se estivesse vencendo-O. Na cena, Jesus é arrastado e surrado pelo diabo e cai no chão, com os braços estendidos em forma de cruz.

Embora o objetivo da escola fosse contar uma lenda árabe sobre o surgimento do tabaco, o que ficou destacado em sua exibição foi essa encenação. Nas redes sociais, muitos cristãos sentiram-se afrontados pela cena, que lhes pareceu uma zombaria quanto à fé no Senhor Jesus. Em nota publicada no dia 4 de março, a Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados manifestou “profunda indignação e repúdio ao espetáculo”.

Outras pessoas chegaram a questionar se o ator não estava representando Jesus Cristo, mas sim Santo Antão – um monge que viveu no Egito entre os anos de 251 e 356. A lenda diz que, ao ser traído e picado por uma serpente, ele cuspiu o veneno no chão, o que fez surgir um pé de tabaco.

Diante da repercussão negativa na internet, a escola de samba também chegou a alegar, inicialmente, que a figura era de Santo Antão. Mas o santo estava retratado em outra alegoria pela imagem de um homem careca e com roupas longas, diferentemente do ator da comissão de frente que tinha uma coroa de espinhos na cabeça e um tecido enrolado no quadril.

Equívoco proposital
Durante a transmissão do desfile pela Rede Globo, integrantes da escola afirmaram que o personagem não era mesmo Santo Antão. O coreógrafo Edgar Júnior afirmou que estava consciente do que havia realizado e que a escola havia alcançado seu objetivo. “O foco era esse mesmo, era chocar. Foi incrível! Quis mexer com essa polêmica entre Jesus e o diabo e com a fé de cada um.”

Como o próprio carnavalesco disse, a polêmica criada foi proposital. Mas foi desnecessária. Primeiro, porque a história foi totalmente deturpada. Todo cristão que conhece as Escrituras sabe que não faz sentido aquele duelo em que o mal vence o bem. Afinal, Jesus já venceu o diabo na cruz ao sacrificar sua vida pela Humanidade.

Em segundo lugar, porque a licença poética do carnaval pode custar caro, principalmente quando envolve o Cristianismo. O artigo 208 do Código Penal Brasileiro informa que é crime “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”. A previsão é de detenção de um mês a um ano ou multa. Escarnecer é ridicularizar e vilipendiar é o “ato de tornar (alguém ou algo) vil, rebaixado, indigno” – atitudes vistas
na encenação.

Mas o que aconteceria se no lugar da representação de Jesus estivesse a de uma pessoa pertencente a um grupo específico que busca ter seus direitos respeitados? Possivelmente diriam que a cena era uma demonstração de preconceito e que, por isso, deveria ser punida. Quando alguns grupos se sentem ameaçados, logo há quem fique do lado deles para protestar, usando os mais variados meios e recursos, principalmente a imprensa de massa.

Diante disso, por que quando se trata da fé cristã pode haver desrespeito? Talvez seja porque tanto Jesus quanto o seu verdadeiro povo que O serve sofrem com o dano da ofensa recebida sem devolvê-la a quem a fez. O respeito é sempre indispensável e deve valer para todos.


Uma afronta além dos limites
  • Janaina Medeiros / Foto: ERIK TEIXEIRA/RAW IMAGE/ESTADÃO CONTEÚDO 


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