Um sangramento que não cessava e a angústia de dias de incerteza

Após notar mudanças no corpo, jovem buscou ajuda médica e se deparou com o diagnóstico de uma doença considerada incurável

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Em 2023, a atendente Tauanny Leandro, de 19 anos, começou a notar o surgimento de manchas avermelhadas nas pernas. Pouco tempo depois, surgiram bolhas de sangue dentro da boca. Na época, ela trabalhava em uma clínica de ozonioterapia e, ao comentar sobre os sintomas com sua patroa, que é formada em enfermagem, foi orientada a procurar atendimento médico com urgência.

A filha da patroa foi quem providenciou o agendamento dos exames. Após a coleta de sangue, Tauanny percebeu algo anormal: “Meu braço não parava de sangrar. Fiquei horas esperando até que estancasse”, relembra.

Buscando um diagnóstico

Em menos de 24 horas, ela recebeu uma ligação de uma tia, que a havia acompanhado ao laboratório, informando que o resultado do exame já estava pronto e que a situação era grave: seu organismo apresentava apenas três mil plaquetas, um número extremamente abaixo do normal. Embora tenha sido orientada a ir imediatamente ao hospital, decidiu comparecer apenas no dia seguinte.

Apesar de confiar em Deus, Tauanny conta que a suspeita de uma possível leucemia a deixou assustada. “Eu praticamente não dormi naquela noite”, relembra. No hospital, um novo exame apontou aumento das plaquetas para 19 mil. Diante disso, o médico passou a considerar a hipótese de dengue, embora ela não apresentasse dores ou outros sintomas característicos da doença.

O quadro se agrava 

A situação piorou poucos dias depois, quando ela entrou no período menstrual. O sangramento foi intenso, semelhante a uma hemorragia. Durante a madrugada, sentindo-se extremamente fraca, Tauanny caiu no banheiro de casa. Seus pais ouviram o barulho e correram para socorrê-la.

Ela foi internada e passou por uma série de exames, mas o hospital não dispunha da estrutura necessária para o tratamento adequado. Durante os três dias em que permaneceu ali, antes de ser transferida para outra unidade com mais recursos, recebeu apenas medicação, sem que os exames indicassem um diagnóstico conclusivo.

Quem crê em Deus tem paz

Após tentativas frustradas de transferência, ela conseguiu vaga em outro hospital, onde iniciou o tratamento com corticoides. As plaquetas começaram a subir, mas os médicos decidiram investigar mais a fundo por meio de um mielograma, exame utilizado para descartar leucemia.

Apesar do medo, Tauanny conta que orou antes do procedimento. “Pedi forças a Deus e senti uma paz inexplicável. Fiz o exame sem sentir dor alguma.”

Durante os cerca de 10 dias em que permaneceu internada, entre um hospital e outro, Tauanny recebeu 17 bolsas de plaquetas e duas de hemoglobina. Mesmo seguindo todas as orientações médicas, manteve a fé: não deixou de beber a água que consagrava a Deus, pedindo pela cura.

Ela diz que não se desesperou, mesmo no leito hospitalar. “Depois que tive alta médica, várias pessoas comentaram que, durante o período de internação, eu estava tão em paz que isso as tranquilizava.”

A Obra do Senhor é completa

Pouco tempo após realizar o mielograma, Tauanny deixou a emergência e foi encaminhada para um quarto. Um novo exame foi solicitado, e nele foi identificado que seus anticorpos estavam desregulados, o que levou os médicos ao diagnóstico de Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI), uma doença autoimune (veja no box abaixo). Após isso, ela recebeu alta hospitalar, com orientações para continuar o tratamento com corticoides em casa.

Púrpura Trombocitopênica Idiopática

A púrpura trombocitopênica idiopática (PTI) é uma doença autoimune, que se dá quando o sistema imunológico começa atacar suas próprias plaquetas, tornando-as ineficazes.

Ela é mais comum em mulheres em idade fértil, mas também pode atingir homens e crianças. Em alguns casos, surge após infecções, como sarampo ou caxumba.

Os sintomas mais comuns são:

  • Manchas roxas ou vermelhas na pele;
  • Sangramento na gengiva;
  • Sangramento pelo nariz;
  • Presença de sangue na urina e/ou nas fezes;
  • Sangramento que demoram a estancar após pequenos ferimentos.

Vale lembrar que nem todas as pessoas com PTI apresentam sintomas. Muitas descobrem a doença em exames de rotina, quando é identificada uma quantidade baixa de plaquetas no sangue.

Tratamento

Pessoas com PTI devem evitar atividades que envolvam impacto ou contato físico intenso, além de medicamentos que podem interferir na função das plaquetas, como aspirina e ibuprofeno.

O tratamento geralmente inclui o uso de medicamentos à base de corticoides para aumentar a quantidade de plaquetas e reduzir o risco de sangramentos. Em casos mais graves, pode ser necessária a aplicação de imunoglobulina ou, em situações específicas, a retirada do baço, órgão responsável pela destruição das plaquetas.

Fonte: Rede D’Or São Luiz

Sem conseguir retorno médico, Tauanny passou a reduzir a medicação de forma gradual, sempre buscando direção em Deus. Hoje, quase três anos depois, ela afirma estar curada. “Jesus levou sobre Si todas as nossas enfermidades. Eu não aceitei viver com aquela doença, e Ele me curou.”

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Colaborador

Thayná Andrade / Foto: Cedida