Um inimigo silencioso
Para muitos, a linha entre experimentar e se tornar dependente pode ser tênue. Saiba como reconhecer os indícios do alcoolismo e a importância de buscar ajuda
“Vamos, dê só um gole. Isso vai tirar a sua timidez, fazer com que você seja aceito em determinado grupo e, dependendo do rótulo da garrafa, lhe dará de brinde prestígio social. Isso sem falar na sensação de bem-estar momentânea a cada virada do copo. É só um gole.”
As promessas acima trazem na mala possíveis consequências que poucos falam: o alcoolismo social. Normalmente as atenções se voltam para um alcoólatra quando ele já está sem saúde, beirando o fim da vida, só que é preciso alertar que os sinais aparecem ainda nos primeiros goles.
“Vivemos um tempo em que as pessoas buscam notoriedade, crédito, visibilidade e aceitação. O alcoolismo social é uma das formas que muitos buscam para encontrar tudo isso. É claro que se torna contraditório, já que de um consumo pode passar para um hábito ou vício, se tornando algo perigoso e maléfico”, alerta a psicóloga Alessandra Souza de Amorim.
Enquanto existem aqueles que usam a bebida para estabelecer posições, milhares de outros perdem a família e até a própria vida por conta dela. É tênue a linha entre um caso e outro. Recentemente, os atores Brad Pitt (foto acima) e Ben Affleck (foto ao lado) revelaram ter problemas sérios com o alcoolismo. Pitt quebrou o silêncio após o divórcio com Angelina Jolie e disse, em entrevista à revista norte-americana GQ Style, que a bebida o fazia mudar de comportamento. “Eu estava me embebedando demais. Não queria mais viver assim. Eu parei com tudo isso (drogas) quando comecei minha família, exceto com a bebida. No último ano, eu bebi demais. Isso se tornou um problema”, contou Pitt, que revelou que está sóbrio há mais de seis meses.
Já o ator Ben Affleck, de 44 anos, confessou em suas redes sociais que havia terminado o tratamento para a dependência do álcool. “Este foi o primeiro de muitos passos a serem tomados nesta recuperação positiva. Tenho a sorte de ter o amor da minha família e dos amigos”, afirmou, ressaltando que vai mudar alguns conceitos, como o de “viver a vida ao máximo”.
O psiquiatra Paulo André Pereira explica que é preciso tomar muito cuidado para não viver no engano. “Há pessoas que bebem da sexta à noite até o domingo e se consideram bebedores sociais. Outros acreditam que beber socialmente é simplesmente não beber todo dia. Ou seja, são maneiras diferentes de se enganar, algo muito parecido com o que os obesos fazem ao comer pouco nas refeições e só se lembrarem disso deletando de sua mente tudo o que comeram entre uma refeição e outra”, observa.
Influência
Assim como milhares de jovens, a secretária Caroline da Silva Sousa (foto ao lado), de 23 anos, experimentou a bebida na adolescência. “Minhas amigas da escola me ofereceram e eu aceitei, afinal queria fazer parte daquele grupo. Quando estava sob efeito do álcool não pensava nos problemas que tinha em casa, então, com o passar do tempo, passei a beber para esquecer as dificuldades que tinha”, conta.
Ela passou a ingerir a substância quase todo dia. “Aos 17 anos fui induzida a virar copos com bebidas e perdi os sentidos. Depois fui parar na casa de um rapaz no meio de uma comunidade. Voltei para casa a pé, sem dinheiro, toda suja e com muitas dores de cabeça e tentado lembrar o que tinha acontecido. Ao chegar em casa me deparei com os meus pais preocupados”, recorda.
Caroline também bebia para ir trabalhar. “Assim como as pessoas precisam escovar os dentes depois que acordam, eu precisava ingerir álcool. Passei a tomar uma dose diariamente antes de ir trabalhar, o que não demorou muito para me prejudicar. Perdi meu cargo, entrei em depressão e tentei tirar minha vida”, relata.
Em meio ao desespero, ela buscou consolo em mais uma noite de balada. “Quando estava voltando da festa, já era dia e passei em frente a uma Universal. Então um casal de obreiros veio conversar comigo. Eles falaram de uma forma que parecia que sabiam o que eu estava vivendo. Depois disso fiquei curiosa para assistir a uma palestra”, revela.
Ela aceitou o convite e foi por meio da fé que conseguiu eliminar o vício do álcool. “Eu parei de beber quando o espírito do vício saiu. Passei a ter nojo das bebidas e hoje não suporto nem olhar para elas. Nunca mais coloquei uma gota de álcool na boca”, conclui Caroline.
A secretária foi um entre os milhares de jovens que são vítimas do alcoolismo. O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica o álcool como a maior causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 19 anos. O Brasil continua sendo um dos principais consumidores de bebidas alcoólicas das Américas e ultrapassa a média mundial.
Interferência na relação
Muitos que hoje são dependentes do álcool um dia também começaram de forma social. “A questão é que a partir do momento que ingere álcool o indivíduo sofre alterações no sistema nervoso central (SNC), o que dificulta sua moderação. Quanto mais álcool ingerido, mais dificuldades de raciocinar e pensar nas consequências”, explica Cláudio Lana, especialista responsável pelo Tratamento para Cura dos Vícios da Universal.
A professora Robênia Bassi de Lima (foto ao lado), de 55 anos, começou a beber em festas, encontros de família e eventos de trabalho. Ela não o fazia para esquecer os problemas, mas sim para curtir os momentos. Quando conheceu seu marido, Antônio Bassi de Lima, de 59 anos, ela achava que a união seria maravilhosa, pois os dois adoravam consumir destilados e cerveja juntos. Mas, com o decorrer do tempo, o que era divertido se tornou um problema sério.
“Aquela pessoa que bebia e ficava alegre quando estávamos fora de casa passou a ser agressiva dentro de casa. Eu chegava a agredir meu marido verbal e fisicamente. Eu tinha uma força inexplicável e nosso filho presenciava tudo”, relembra Robênia.
Desesperada, a professora percebeu que o álcool não era um bom aliado da família. “Os donos de um quiosque que frequentávamos nos convidaram para participar de uma reunião na Universal porque eles viam a situação em que estávamos. Fui para ver se conseguia uma cesta básica. O pastor que me atendeu me disse que daria a cesta básica, mas todas iam se acabar, ao passo que, se eu ficasse lá, o que receberia nunca mais iria se acabar”, diz.
Ela abandonou os hábitos de consumo alcoólico e mudou de comportamento em casa. Sua mudança unfluenciou o marido a buscar ajuda. “Resolvi participar e foi marcante. Saindo de lá, disse para a Robênia que a partir daquele momento não colocaria mais uma gota de álcool na boca”, explica Antônio.
Hoje eles reconstruíram a vida familiar e vivem em paz. “O respeito que não havia mais voltou a fazer parte das nossas vidas. A vida financeira, que era uma humilhação, foi transformada. Recuperamos a dignidade. Isso tudo só aconteceu porque tomamos a decisão de parar de beber e seguir essa fé inteligente”, finaliza Robênia.
O poder da família
Os pais e parentes podem influenciar negativa ou positivamente. Na vida do montador de imóveis Gessé Pereira dos Santos (foto ao lado), de 50 anos, por exemplo, o pai foi um exemplo negativo. “Meu pai me ofereceu bebida quando eu tinha 13 anos, porque ele achava bonito e dizia que era coisa de ‘homem’. Eu me espelhava nele. Então, eu achava aquilo normal, bebia por diversão”.
Gessé seguiu com esse hábito por muitos anos e só se deu conta de que era dependente quando passou a ter problemas com a filha. “Um dia que estava alcoolizado comecei a brigar com a minha filha mais velha (Jéssica) e escondi uma faca embaixo do sofá pensando em matá-la. O pior só não aconteceu porque meu irmão chegou em casa”.
Mesmo com tantos conflitos, a filha lutou pelo pai e buscou orientação no Tratamento para Cura dos Vícios. Depois de um tempo, ela fez o convite a Gessé. “Eu aceitei, pois no fundo queria ajuda. Tive fé em ter de volta a minha família e o perdão da Jéssica. Parei de beber depois da primeira ida ao Tratamento. Hoje sou um pai presente e feliz com a minha vida nova com Deus”, conclui.
Ao contrário do pai de Gessé, o autônomo Roberto Carlos Gomes da Silva, de 48 anos, sempre buscou dar um bom exemplo para o filho, Márcio Rodrigues da Silva (foto ao lado), de 23 anos. Apesar das boas referências, quando estava na adolescência, Márcio passou a dar sinais de que estava se envolvendo com bebidas.
“O Márcio saía e voltava embriagado. Aos poucos perdeu a motivação pelo estudo e por qualquer coisa ele se irritava e discutia com a mãe e os irmãos. Uma vez que ele chegou em casa alcoolizado, após eu ter chamado sua atenção, ele começou a quebrar tudo, tivemos que segurá-lo.”
O rapaz revela que o álcool mudava sua personalidade. “Quando bebia, eu acordava no dia seguinte sem lembrar da noite anterior. Me transformava por completo. Sempre fui muito calmo, porém, ao beber, ficava extremamente agitado, agressivo e com pavio muito curto”, acrescenta Márcio.
Com muito amor e carinho, o pai, que já frequentava a Universal, buscou ajuda no Tratamento para Cura dos Vícios. “Assumi minha responsabilidade de pai e passei a lutar contra o problema e não mais contra meu filho. Percebi que não adianta você lutar contra o viciado, mas sim contra o que causa o vício. Teve vezes que levei o Márcio alcoolizado para a igreja e ele dormiu a reunião inteira”, conta.
O jovem revela que só reconheceu que precisava parar de beber quando decidiu prestar atenção no que era falado na palestra. “Comecei a me libertar de tudo que me levava a permanecer no vicio: amizades, lugares, etc. Aprendi a falar não e me envolvi com coisas que me aproximavam mais de Deus. A fé foi o ponto principal para a cura”, conclui.
Solução eficaz
“É preciso acabar com o prestígio social de beber álcool.” Essa frase foi dita por Maristela Monteiro, coordenadora regional da Área de Álcool e Abuso de Substâncias da OPS/OMS em Washington, a respeito da necessidade de redução do consumo de álcool. Segundo pesquisas da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e outras Drogas (Abead), 60% das mortes no trânsito e 72% dos homicídios estão associados à bebida.
Mas como acabar com um mal que age silenciosamente na vida das pessoas? Muitas vezes beber começa como uma desculpa ou escape dos problemas. É uma postura que faz com que muitos iniciem o caminho do vício.
Para se proteger é importante ter outros interesses, como um esporte ou hobbies, depois buscar se conhecer melhor e se impor diante das situações adversas, porque uma vez que há respeito consigo mesmo, há limites.
Cláudio Lana ressalta que para aqueles que já têm problemas causados pelo uso do álcool só há uma saída. “Todos os domingos, no Tratamento para Cura dos Vícios, milhares de pessoas têm se curado desse mal que não é só físico, mas também espiritual. Recorrer a um tratamento que cuide deste lado é fundamental para obter a cura definitiva”, orienta.
O psiquiatra e especialista em dependências químicas Davi Vidigal revela que foi a São Paulo conhecer esse tratamento e constatou sua eficácia. “Estou em trabalho de pesquisa pelo Brasil já faz um ano e permaneci lá por semanas. Pude observar o que um verdadeiro exército do bem é capaz de fazer enquanto muitos, inclusive eu, criticavam. Antes não usava a palavra cura para dependentes, hoje revi meus conceitos e constatei milhares de ex-alcoólatras recuperados”, revela.
Infelizmente, a sociedade prega o consumo desenfreado do álcool em prol de muitos interesses e a sua felicidade não é um deles. Por isso, é necessário aprender a viver para ser feliz em seu interior e não para agradar aos outros. Qual a
sua decisão?
O Tratamento Para Cura dos Vícios acontece aos domingos, às 15h, na Av. João Dias, 1.800, em Santo Amaro, São Paulo. E também em outras localidades, acesse localhost/enderecos e encontre uma Universal mais próxima de você para participar. Para saber mais acesse http://sites.universal.org/viciotemcura/
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