Suas prioridades são mesmo suas?

Talvez um desvio de foco imperceptível esteja lhe afastando do que realmente é importante

Imagem de capa - Suas prioridades são mesmo suas?

Hoje as pessoas vivem em uma espécie de avalanche de informações. Em meio a tantos apelos por atenção, muitos acabam deixando de lado suas prioridades. A todo momento propagandas de todos os tipos, principalmente nas quase onipresentes redes sociais, “fisgam” o usuário a tal ponto que parece que as pessoas foram feitas para as empresas, em vez de ser o contrário.

E a maioria, infelizmente, cai nesse truque, uma lavagem cerebral que vai roubando sua atenção aos poucos e de forma contínua. Quem nunca esteve com alguém que deixa de conversar para olhar posts ou de estar com a família no fim do dia para afundar os olhos em uma telinha? Com isso, o que é realmente importante vai ficando para depois – ou para nunca. O convívio com os entes queridos, a saúde, os estudos, o trabalho e até o elo com Deus são ignorados, enquanto coisas banais ocupam o tempo disponível.

A mais nova “febre” entre internautas é a rede social chamada Clubhouse, um chat de áudio exclusivo para usuários de iPhone que passa uma ideia ilusória de elitismo, pois só pode ter acesso a ela quem recebe um convite. Lançado em 2020, o app de chat por áudio tinha 600 mil usuários em dezembro. Em fevereiro de 2021, já eram mais de 6 milhões. Muitos passam horas seguidas em conversas que podem reunir até 5 mil pessoas.

Não é novidade que as redes sociais ganham com as informações que pegam do usuário, muitas vezes sem que ele saiba, e as repassam aos anunciantes que, cientes das preferências dele, enviam a ele propagandas e ofertas quase irresistíveis disfarçadas de vantagens.

Com isso, cria-se a ilusão de que a prioridade do indivíduo é estar em uma rede, quando, na verdade, essa é a prioridade da rede. Pior: quem não adere a ela é criticado pelos adeptos, quando, na realidade, essa pessoa vista como alienada pode estar cuidando devidamente da própria vida. Claro, há como usar positivamente uma rede social ou qualquer mídia, desde que se tenha foco.

Saber priorizar

A palavra-chave é equilíbrio, afirma Fátima Motta, coach e professora de Fator Humano na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Ela diz que para estabelecer prioridades é preciso ter “um olhar amplo em relação à vida, onde se reúnem todos os aspectos que consideramos importantes, como família, amigos, espiritualidade, lazer, esportes, competências, fraquezas, oportunidades de melhoria, sonhos, missão de vida, etc.” e, a partir daí, “começar a delinear nossos grandes objetivos nessas áreas de forma conectada, sem deixar que prejudiquem nosso equilíbrio”.

Fátima dá um exemplo: “se considero a família muito importante, não posso traçar um objetivo profissional que prejudique minha vida familiar nem um objetivo familiar que prejudique o trabalho e assim devo fazer com cada área da vida. Essa harmonia precisa ser buscada e construída. Daí o cuidado nas escolhas, sendo que a mais importante e talvez mais esquecida seja a que traz um real significado – aquela que chamamos de missão de vida – algo que justifica nossa existência”.

Para ela, “a maioria dirige sua vida considerando apenas os apelos externos e não a busca interna dos seus reais motivos, necessidades e interesses. Na sociedade em que vivemos, o barulho dos motores, televisores, computadores, outdoors e baladas acaba nos desviando. Ele pode impedir que acessemos a calma interna e as escolhas acabam sendo uma extensão desse tumulto, que desalinha a mente e as emoções, distorce a visão e o foco e precipita doenças típicas dos nossos tempos: estresse, infarto, depressão, distúrbios de atenção, etc.”

Fátima diz que priorizar corretamente “exige disciplina, autoconhecimento, desapego e humildade, características raras em pessoas presas ao ego e a fatores externos”.

Deus, o firme alicerce

Espiritualmente falando, sabemos que o Espírito Santo, com a sabedoria que traz a quem O procura, nos blinda contra a sedução externa e interna citada por Fátima, como esclareceu o Bispo Edir Macedo em uma reunião: “se Deus tem sido o primeiro em sua vida, então ela é maravilhosa. Você não tem problemas econômicos, na sua casa e com sua família. Porque Deus é o primeiro em sua vida, você também é o primeiro para Ele”.

O Bispo continua: “se Deus não é o primeiro em sua vida, saiba de uma coisa: você não tem nada com Ele e Ele tampouco tem algo com você. Você não pode cobrar dEle Suas promessas”. De acordo com ele, isso não tem relação com religião, mas com a Aliança com Deus, e ressalta: “é muito importante saber que fé não tem nada a ver com sentimento, com o coração. Fé é espírito, é mente. Deus é espírito e, por isso, Se comunica com nosso espírito, nossa mente, nossa inteligência, porque Ele é sabedoria”.

Além da mídia, o Bispo Júlio Freitas adverte em seu blog sobre outros ladrões de atenção, como as dificuldades, as perseguições e tentações: “ao seguir a Deus, é Ele Quem tem que lhe dar uma direção, inspirar e, assim, você não fica indefinido, dividido ou com medo – pelo contrário, você recebe força, coragem e disposição sobrenaturais”. Quem se apoia no firme alicerce de Deus não cede aos apelos fáceis que o desviam dEle.

imagem do author
Autor

Marcelo Rangel / Foto: Getty Images