Relações saudáveis ajudam a viver mais e melhor
Pesquisa aponta que manter laços com outras pessoas fortalece a saúde e nos prepara melhor para enfrentar os problemas
Muito se fala sobre a prática de atividades físicas e da boa alimentação para manter uma vida saudável e feliz. Mas será que somente isso basta? Uma pesquisa da Universidade de Harvard, em países como Dinamarca, Israel, Japão, China e Canadá, apontou que nossa saúde pode ser influenciada de forma positiva por nossos relacionamentos (íntimos, casuais ou intermediários). Os pesquisadores também descobriram que os participantes que estão em relacionamentos mais felizes tendem a suportar as dores com mais facilidade à medida que envelhecem. Até a cicatrização de feridas é mais rápida naqueles que mantêm boas conexões.
Dirigida pelo doutor Robert Waldinger, a pesquisa foi realizada durante 38 anos, catalogou resultados de 148 estudos, virou livro recentemente e descobriu que, em todas as faixas etárias, gêneros e etnias, quanto mais conectados estamos com outras pessoas, menor é o risco de morrer precocemente. Alguns dos estudos ainda sugerem que os bons relacionamentos tornam pouco provável que as pessoas desenvolvam problemas crônicos como diabetes tipo 2 e doenças coronárias.
Myriam Durante, (foto abaixo) psicoterapeuta, escritora e presidente do Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom), em São Paulo, diz que fazer exercícios físicos inibe a irritação e ajuda na produção da endorfina, que dá a sensação de calma e satisfação. A felicidade, porém, também depende de outros fatores. “Existem algumas regrinhas para sermos felizes. Ter pensamentos positivos conta bastante. Não é aquele pensamento positivo que você acorda e fala ‘o meu dia hoje vai ser feliz’ e pronto. É você ter relações boas e construções saudáveis porque, dessa forma, você se encara positivamente, constrói relações e gera bem-estar para si mesmo”, analisa.

De acordo com Myriam, essa construção influencia até nas questões de saúde em diferentes faixas etárias. “Emoções positivas geram impactos físicos no nosso corpo e as emoções negativas também. Fazemos pesquisas com pessoas idosas que estão vivendo em lares e notamos que muitas delas, quando não recebem visitas, vão decaindo brutalmente com muita facilidade. Isso porque há uma rejeição e um abandono muito grandes. Antes, elas viviam no meio da família, dos netos, de pessoas queridas e de repente não têm mais isso”, diz.
Segundo ela, a mágoa e a angústia nos deixam paralisados. “Você fica sem esperança e não consegue se aliviar. Aquela tensão vai criando raiva dentro de você, nada fica bom e naquele dia que está bonito, com sol, você enxerga tudo meio cinzento. Por isso, é necessário construir coisas boas e pensar de uma maneira otimista porque, mesmo no pior dia, você tira coisas boas. É preciso romper o ciclo e falar na hora ‘realmente eu acordei e o meu dia não foi tão bom, mas, daqui para a frente, vai melhorar’. É um treino, um olhar que você tem que ter em procurar até nas coisas negativas algo positivo”, afirma.
OUTROS FATORES IMPORTANTES
Para quem busca melhorar a si mesmo, Myriam recomenda ter cuidado com o sono. “Além dos bons relacionamentos, algo que ninguém comenta e que ajuda é dormir bem. Se você não dormir bem, os exercícios, a boa alimentação, tudo vai por água abaixo. Dormir bem é extremamente importante para que os hormônios que são produzidos a maior parte do tempo à noite, enquanto você dorme, beneficiem o seu organismo. Para não ficar o tempo inteiro com a mente acelerada não durma com o celular no quarto. Ele faz muito mal”, orienta.
Ela também aconselha as pessoas a se perdoarem. “Elas precisam acreditar em si mesmas. Quando você se ama, você consegue amar todo mundo. Quando você se concentra no presente, acaba mentalizando naquilo e vendo exatamente o que que quer fazer, qual é seu objetivo e o que tem para frente. Procure fazer alguma coisa para se sentir mais leve. Hoje em dia, todo mundo tem ansiedade. Ela é algo muito legal, desde que você a domine. Quando a ansiedade domina você, ela é péssima”, opina.
Myriam também fala da importância de que as pessoas se fortaleçam espiritualmente. “Hoje em dia, as pessoas têm uma fé de 15 minutos. É aquela fé em que elas vão à igreja, elas acreditam no que foi dito ali, mas, passado esse tempo, se não aconteceu o que foi pedido, elas deixam de acreditar. Às vezes, as coisas não acontecem no tempo que queremos”, finaliza.
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