Refém das próprias escolhas
Ao seguir o próprio caminho, Emanuele Teles colheu as consequências de decisões que a levaram a sucessivas frustrações
A autônoma Emanuele Teles, de 36 anos, cresceu em um lar desestruturado. Ela e os irmãos presenciavam as brigas constantes dos pais. Em meio a separações e reconciliações, a mãe chegou a ter outro relacionamento e, por volta dos 5 anos de idade, Emanuele sofreu abuso por parte do companheiro dela. Apesar de sempre demonstrar força e ser muito trabalhadora, a mãe não conseguiu protegê-la.
“Eu chorava muito vendo tudo aquilo e cresci uma criança arredia, com muita raiva do meu pai por nos fazer passar por aquela situação”, relembra.
Primeiro contato com a fé
Anos depois, ao ouvir um programa da Igreja Universal no rádio, sua mãe decidiu buscar ajuda. Foi quando Emanuele passou a frequentar a Igreja e, aos 12 anos, ingressou como obreira.
Embora acreditasse ter o Espírito Santo, carregava traumas da infância e estava sempre na defensiva. “Eu dizia que não passaria pelo que minha mãe passou. Era muito nervosa e respondia mal a qualquer um que chamasse a minha atenção”, conta.
Durante cinco anos, ela dedicou-se intensamente ao trabalho voluntário na Igreja, sem equilibrá-lo com a vida pessoal. Nesse período, deixou de lado os estudos e a vida profissional. Ao ser orientada pelos pastores a investir nos estudos e buscar qualificação, não deu ouvidos e passou a enxergá-los de forma negativa.
De mal a pior
Com o tempo, ela começou a sentir as consequências financeiras dessa escolha. Aos domingos, costumava ficar o dia inteiro na Igreja, mas isso mudou quando faltou-llhe dinheiro para se alimentar fora de casa.
Sem alternativa, Emanuele passou a ir para casa almoçar, porém o pai, que não era convertido, a impedia de retornar à Igreja. Aos poucos, ela foi se esfriando espiritualmente, envolveu-se com um vizinho e abandonou a fé. “Nós ficamos juntos por apenas uma semana. Eu me entreguei a ele e depois soube que ele já era comprometido.”
A partir daí, Emanuele mergulhou em baladas, festas e bebidas. Após um desentendimento sério com o irmão, saiu de casa e, aos 22 anos, abandonou o emprego e a faculdade para viver com um homem que conheceu por meio de uma amiga. Após um ano e meio, entre idas e vindas, ela descobriu uma traição, terminou o relacionamento definitivamente e voltou para a casa da mãe. Dois dias depois, descobriu que estava grávida e, para sua perplexidade, o ex-companheiro sugeriu o aborto. Abalada, enfrentou depressão e pensamentos suicidas. “Cheguei a pensar em como poderia acabar com a minha vida sem tirar a do meu filho”, confessa.
Embora tenha ficado afastada da presença de Deus por sete anos, ocasionalmente visitava a Igreja. “Eu tinha certeza de que um dia voltaria para Deus.” E assim aconteceu: ao final da gestação, ela voltou a frequentar a Universal e foi liberta dos sintomas depressivos.
Tentando recomeçar
Após o nascimento do filho, Emanuele reatou com o pai da criança, que passou a proibi-la de ir à Igreja. Um ano depois, o relacionamento terminou, deixando nela marcas profundas de rejeição. “Voltei para a casa da minha mãe com muita mágoa. Eu mandava mensagens desejando o mal para ele”, relembra.
De volta à Igreja, Emanuele buscava apenas bênçãos na vida amorosa e financeira. Meses depois, conheceu o atual marido e, em cerca de cinco meses, eles se casaram.
“Eu não pensava no Espírito Santo. Para mim, só ir à igreja já era suficiente. Deus respondia meus votos, então eu achava que estava tudo bem”, conta.
Consequentemente, durante os seis primeiros anos na igreja, ela sofria com muitas perturbações: não dormia à noite, tinha medo de sair sozinha e acreditava que espíritos viriam matá-la durante a noite. Mesmo assim, o orgulho a impedia de enxergar seu verdadeiro estado espiritual. “Havia coisas que o pastor dizia e eu não concordava. Saía da reunião antes de terminar”, admite.
Finalmente transformada
No sétimo ano sendo apenas frequentadora da Igreja, uma pregação marcou sua vida, como ela relembra: “O pastor disse: ‘se você vem à igreja, mas não quer se entregar a Deus, é melhor viver no mundo’. Achei um absurdo, mas aquela palavra me libertou.”
Ela reconheceu seus erros, renunciou à mágoa, ao orgulho e à ansiedade, decidiu se entregar verdadeiramente por meio do batismo nas águas e buscou com todas as forças o Espírito Santo, até recebê-Lo. “Quando me entreguei de verdade, tudo mudou.”
Hoje, ela vive em paz e feliz com o marido e os dois filhos, sendo um deles fruto do atual casamento. Para Emanuele, o bem mais precioso que possui é a salvação. “O mais importante é a salvação da minha alma, não as conquistas”, conclui.
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