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Notícias | 20 de Novembro de 2022 - 00:05


Quem vive de passado não tem futuro

Pessoas que estão presas a algo que aconteceu veem suas vidas serem emperradas em muitos sentidos e por muito tempo. Mas há uma solução que pode ser obtida agora mesmo

Quem vive de passado não tem futuro

Por que muitas pessoas não conseguem se desvencilhar do passado, perpetuam um sofrimento e, com ele, “emperram” as realizações do presente e comprometem o futuro? Segundo a psicóloga Thaiana Brotto, de São Paulo, essa condição pode ocorrer “por alguma cicatriz emocional ainda aberta ou por uma sensação – muitas vezes ilusória – de algo que pode não ter sido concluído da maneira que a pessoa acha que deveria”.

Os fatos que as marcaram, segundo Thaiana, ficam constantemente no pensamento delas. “Muitas vezes, as situações do passado não ficam lá, mas conosco, surgindo em nossas mentes quando menos esperamos e simplesmente não vão embora. Elas podem se apresentar na forma de memórias de eventos intensos e dolorosos, como uma separação, uma agressão, um acidente, uma doença ou um abuso. O evento acabou, mas as lembranças que temos dele permanecem e começam a nos incomodar”, frisa.

Ela explica por que é tão difícil para as pessoas se desprenderem do passado: “como seres humanos, temos a tendência de nos identificarmos demais com as características negativas dos fatos. Na verdade, pouco diferenciamos ou enxergamos luzes diferentes sobre eles”. Contudo, essas feridas, conforme ela salienta, precisam ser processadas. “O passado quer ficar no passado, mas pode ser preciso um pouco de trabalho e algum esforço de nossa parte para que seja, enfim, deixado para trás.”

Algumas pessoas tentam até enterrar algum período que viveram, fingindo que o fato que as marcou não aconteceu, enquanto outras ficam presas a uma história repetitiva, profundamente influenciadas por memórias ou oprimidas por velhos sentimentos. As duas formas, segundo Thaiana, “influenciam diretamente o presente nas nossas escolhas e decisões – em alguns casos, até mesmo sem que a pessoa se dê conta”.

No entanto, de acordo com Thaiana, é perigoso projetarmos pessoas e fatos negativos do passado no presente e ela dá um exemplo: “se no início de nossa vida convivemos com uma pessoa indigna de confiança, podemos consistentemente sentir que estamos sendo enganados quando adultos, mesmo quando não há sinais reais de que esse seja o caso. Na medida em que não reconhecemos e não nos separamos dessas adaptações destrutivas, deixamos de viver nossas próprias vidas”, alerta.

Recomeço do zero
Edilaine Santos, (foto abaixo) de 38 anos, psicopedagoga em São Paulo (SP), nasceu em uma família que frequentava uma denominação evangélica na qual seu pai era membro muito atuante. “Ele pregava a Palavra de Deus e ajudava as pessoas. Todos viam em nós uma aparência de família feliz e perfeita, mas, dentro de casa, ele manipulava a doutrina para oprimir a esposa e os filhos e era extremamente agressivo.”

O relacionamento abusivo fez a mãe de Edilaine se separar dele e se mudar com os filhos do litoral paulista, onde moravam na época, para a capital. Assim, por causa do recomeço bem difícil economicamente, a família foi morar de favor. Frequentando a denominação, a mãe de Edilaine conheceu um rapaz mais jovem com o qual se casou, mas se submeteu novamente a uma relação abusiva por algum tempo pelo fato dele ter sido alcoólatra.

Nesse cenário, Edilaine chegou à idade adulta presa ao sofrimento do passado. Ela usou os estudos como fuga e esperança de uma vida melhor até se formar e ter seu próprio sustento. A instrução virou uma ilusória tábua de salvação, uma muleta, e, afetiva e espiritualmente, ela estava perdida e anestesiada pelo lado profissional. “Para mim, a fé não resolvia nada, pois por ver pai e padrasto frequentando a denominação e agindo em casa da forma como agiam, ou seja, destruindo nossas vidas, decidi que não queria mais saber de Deus ou de religiões e que faria tudo do meu jeito.”

Eis que Edilaine conheceu um rapaz que parecia estar em sintonia com seus interesses, mas ela se enganou. Ao longo de oito anos e meio, eles namoraram, noivaram, construíram uma casa e, pouco tempo antes do casamento, o rapaz rompeu o relacionamento com ela. Edilaine lembra o que sentiu naquela ocasião: “vi meu castelo ruir. Era de areia”. Assim, ela resolveu, no pior momento de sua vida, retornar para Deus e, atendendo a convites de seu irmão, ela começou a frequentar a Universal. “Foi onde descobri uma fé diferente, racional, sem aquelas ‘doutrinas crentes’ de antes”, observa.

Edilaine tinha adquirido um problema de saúde no estômago com o estresse pelo fim de seu noivado e foi curada assim que começou a ir à Universal. “Foi um encontro com o poder de Deus. No começo, permaneci na Igreja por gratidão pela cura, mas, frequentando as reuniões, percebi que estava presa àquelas marcas desde a infância”.

Ela relata como entendeu que precisava usar a fé inteligente: “percebi que eu sempre tivera reservas quanto à figura masculina e que meu problema não começou com o fim do noivado, mas somente veio à tona naquele momento, pois eu sempre o havia carregado dentro de mim. Entendi que precisava perdoar e que minha realização não podia se basear na minha carreira, na qual eu punha todas as minhas forças, nem em qualquer relacionamento amoroso, mesmo com intenções corretas, e que não estava curada internamente”.

Com esse entendimento, ela conseguiu perdoar as pessoas do passado e aprendeu que seu principal relacionamento deveria ser com Deus. Então, ela deixou de ser apenas uma criatura para se tornar Filha de Deus. “Eu O descobri como Pai, que me acolheu e me curou, e entendi a proposta do Novo Nascimento, de entregar todo aquele passado a Deus e renascer dEle como um bebê que não tem passado e nasce com uma trajetória a ser construída do zero. Fui batizada nas águas e recebi o Espírito Santo, importante para que Ele vivesse dentro de mim.”

Agora, Edilaine não se apoia mais em relacionamentos humanos ou no trabalho, “mas em Deus, a Quem servir é minha prioridade e que transformou a minha vida. Hoje, posso mostrar a muitas outras mulheres, que também se desiludiram com relações fracassadas, sofreram abusos ou não tiveram referências paternas, onde o verdadeiro amor e felicidade estão”, conclui.

“Eu cheguei a comer ração para cães”
Chamar de conturbada a vida pregressa de Alexandre Setonye de Campos, (foto abaixo) de 52 anos, servidor púbico de São Paulo (SP), é descrever apenas suavemente a situação dele. Ele cresceu no litoral paulista entre duas famílias, a paterna e a materna, completamente opostas nos estilos de vida. Havia rigidez de costumes de um lado e permissividade excessiva de outro. Para piorar o quadro, constantes mudanças de moradia, escola e amizades por motivos econômicos faziam do menino um eterno deslocado e ele chegou a morar até em casa de parentes. “Eu era profundamente inseguro e cheio de questionamentos sobre meu potencial”, relembra.

Ele relata o que os problemas familiares geraram nele: “eu era uma criança problemática e fechada, o que me fazia procurar respostas a meus questionamentos em livros, crenças e em pessoas estranhas. Minha mãe até se esforçava para estar presente, apesar das muitas obrigações, mas meu pai era muito ausente por causa do trabalho”, afirma.

A família paterna, segundo ele, segregava quem tivesse um comportamento radical com ele, o que o isolava ainda mais e lhe causava revolta. “Aos olhos dos outros eu até transmitia a imagem de uma pessoa feliz, estava sempre em destaque e era ‘o cara da festa’. Eu até tinha momentos raros de alegria, mas nunca de felicidade. Quando eles acabavam, vinha a duradoura tristeza, bem maior do que aqueles breves momentos alegres.”

Alexandre nunca conseguia pertencer a um grupo estável de amigos nem diferenciar entre boas e más companhias. “Eu procurava sempre o pessoal mais agitado, os ‘descolados’ – geralmente os mais problemáticos: fora do grupo eram os mais infelizes e, dentro dele, procuravam extravasar com drogas, promiscuidade, tudo o que era nocivo e até ilícito.”

Mas ele lembra que as drogas surgiram em sua vida bem antes, quando ele foi apresentado ao álcool, com apenas três anos, por um bisavô materno. “Eu até largava a chupeta para molhar o dedo na cachaça e pôr na boca. Meus pais, dessa forma, se afastaram da família – comportamento típico deles que acabei ‘herdando’. Assim, na família paterna, éramos os ‘patinhos feios’, sempre discriminados.”

Outro problema surgiu precocemente na vida de Alexandre. Aos seis anos, ele sofreu abuso sexual e, depois, passou a reproduzir o mesmo comportamento com as crianças ao seu redor, o que o afastou ainda mais de todos. Dessa forma, as dúvidas de Alexandre eram constantes e ele não conseguia esclarecê-las. “Eu até lia a Bíblia, mas não entendia nada e desistia. Então, caía em literatura mística, cristais, umbanda, candomblé, astrologia e por aí afora. Sem ter respostas com a religião, comecei a procurá-las em substâncias. Aos nove anos, comecei a fumar cigarro. Aos 14, veio a maconha, seguida nos anos subsequentes de medicamentos, solventes, cocaína e crack.”

Alexandre se casou, mas a união acabou por causa do vício em crack. Sem dinheiro, ele chegou a comer ração para cães. Nada em sua vida evoluía em nenhum campo. “Ao me mudar para a capital paulista, continuava pulando de religião em religião, até o dia em que uma moça me apresentou a Palavra de Deus na Universal, há cerca de 30 anos.” Ele destaca que, naquela época, havia tido um câncer no intestino por conta da vida desregrada que levava e que, por meio das correntes, foi curado.

Assim, Alexandre prometeu a Deus divulgar Sua Palavra. Só que, pelo fato de ser ainda apenas criatura de Deus, ele não cumpriu sua promessa. Até que uma decisão o fez mudar: “sofri de novo em muitas áreas, inclusive com o vício, até entender que buscava as bênçãos, mas não o Abençoador. Ciente disso, procurei me esvaziar de mim e decidi de vez matar a velha criatura em mim e, descendo às águas, nasci de Deus. Depois, veio o batismo com o Espírito Santo.”

Hoje, ele tem propriedade para ajudar outras pessoas no projeto Vício Tem Cura. “Posso mostrar a elas que não se vence o problema com a força do braço, mas com a de Deus. Hoje me lembro do passado sem vivê-lo novamente”, finaliza.

Lembrança útil
Miriam Gonçalves, (foto abaixo) de 43 anos, designer de cílios em Piraquara (PR), diz que, por cerca de 20 anos, sua vida com Deus foi cheia de idas e vindas, como aqueles “relacionamentos ioiô” de alguns casais no mundo inteiro. Nesse período, ela se separou do marido, que a traía e se lançou nas ilusões do mundo.

Seu pensamento era um só: divertimento para “compensar” a vida anterior de sofrimento, apesar de ter dois filhos para criar.

Foram dez anos de envolvimento físico com pessoas sem compromisso, festas e drogas. “Eu passava até três dias fora de casa, deixava meus filhos sozinhos e ia para o trabalho sem ter dormido, ainda drogada ou alcoolizada. Minha filha, já adolescente, até ficou com vergonha de mim e foi morar com uma avó.”

As perdas na vida de Miriam foram ficando cada vez mais evidentes: “perdi habilidades, bens materiais, trabalho e o respeito de parentes e outras pessoas – nem meus pais confiavam mais em mim e passei a não falar mais com eles”.

Miriam confessa que, naquela época, chegou à Universal com a intenção de resolver sua vida amorosa. Ela relembra o que a motivou: “eu tive um envolvimento com um homem casado, que me deixou por causa de outra amante, e isso me derrubou ainda mais”.

Aprendendo sobre a fé inteligente na Universal, ela decidiu que não queria mais aquela vida que levava. “Vi que não era só a área amorosa que eu tinha que resolver, mas o todo, pois eu estava destruída.” Em um propósito com Deus, Miriam finalmente se libertou do passado. Ela percebeu que sua vida começou realmente no dia em que ela se entregou ao Altar.

Hoje ela pode testemunhar o que recebeu: “já faz nove anos que me livrei de tudo que me oprimia. Decidir me manter na Presença constante do Altíssimo requereu passos muito importantes que precisei dar e qualquer pessoa que decida fazer o mesmo também precisa reconhecer que depende de Deus, tomar a atitude de se lançar sem reservas a Ele e obedecê-Lo. Só a partir disso surgem as consequências boas”, afima.

Segundo Miriam, perceber que se livrou do passado é muito gratificante. “Só que bem mais importante do que isso é olhar para trás e perceber que todo aquele sofrimento acontecia porque eu estava sem Deus e agora, com Ele, o que era ruim ficou no passado. Não preciso me prender a um sofrimento que não tem mais razão de existir e que emperrava o que viria no futuro”.

Ela não deixa de enxergar o passado, mas o vê com grande distanciamento e, ao mesmo tempo, como uma lembrança útil, encarando-o sem medo justamente por não estar mais presa a ele: “a luta é constante e a continuo a cada dia para me manter firme, para cultivar essa paz e essa alegria que ninguém é capaz de tirar enquanto realmente estou com Deus. Meu contato com a família, por exemplo, foi restabelecido e convivemos muito bem”.

Permanecer com Deus, segundo Miriam, “é matar um leão por dia, mas sabendo que temos força de sobra nEle para continuarmos nessa luta”. Hoje, ela pode ajudar outras pessoas por meio de sua experiência: “sou voluntária e ajudo muitas pessoas a saírem do sofrimento, alcançando-as onde já estive, naquele lugar em que ninguém dá mais nada por elas nem mesmo suas famílias. É muito gratificante”, encerra.

Passado: só referência
Ao ler os relatos, entendemos que o passado é algo remoído por muitas pessoas, conforme também observou o Bispo Renato Cardoso durante o programa Inteligência e Fé, da Rede Aleluia de rádio: “infelizmente o passado tem sido mesmo uma prisão para muitos, que ficam parados no tempo em razão de acontecimentos traumáticos como abusos, perda de um ente querido, um acidente, algo que marcou sua experiência escolar, um relacionamento na adolescência, uma agressão sofrida e tantos outros”.

Segundo o Bispo, há duas formas de lidar com o que foi vivido: “a primeira é se entregar ao passado, que é o que muitos fazem não voluntariamente, mas porque a dor, a decepção e a tristeza são tão grandes que elas se rendem a elas, emperram o presente e não constroem um futuro melhor. Contudo a única forma saudável, que dá uma chance de uma vida diferente daqui para a frente, é usar o passado não como residência, mas uma referência. Se eu sei o passado que vivi, não o quero mais e o uso como informação para não repeti-lo em minha vida”, orienta.

Dessa forma, a melhor solução é usar o passado apenas como exemplo. “Não adianta nenhum truque da mente. O que resolve é fazer as pazes com o que passou e faz parte de sua história, mas que será usado para seu benefício. Deus promete em Sua Palavra: ‘Eis que faço novas todas as coisas’ (Apocalipse 21.5).

Isso inclui você. Ele tem o grande poder de pegar seu passado e transformar em um grande testemunho, uma grande história e um instrumento para ajudar outras pessoas”, destacou o Bispo.

A Bíblia também reforça em 2 Coríntios 5.17 o versículo citado no parágrafo anterior: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Portanto, deixe de remoer o passado, mate a velha criatura por meio do batismo nas águas e nasça para Deus.

“Não importa se as pessoas olham para você e usam seu passado como adjetivo para sua vida, dizendo: ‘ali vai a traída, o divorciado, o aleijado, etc’ e dizem que não há mais jeito.

Como disse o apóstolo Paulo, ‘nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus’ (Romanos 8.1). A prisão não existe mais. Então, saia dela e vamos olhar, juntos, para a frente”, convidou o Bispo Renato.


Quem vive de passado não tem futuro
  • Marcelo Rangel / Fotos: Getty images, Demetrio Koch e cedida 


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