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Notícias | 14 de Agosto de 2022 - 00:05


Que geração vamos ter no futuro?

A promessa de diversão instantânea atrai cada vez mais jovens para as redes sociais, mas essa tendência gera impactos no aprendizado e aumento dos casos de ansiedade e depressão

Que geração vamos ter no futuro?

Neste ano, o Brasil vivencia um marco histórico: a chegada da tecnologia de internet 5G ao território nacional. O movimento é novo no mundo e promete uma verdadeira revolução, já que a expectativa é que a rede fique cem vezes mais rápida do que a atual, permitindo ações e novos serviços que hoje não conseguimos nem imaginar.

Viver desconectado é quase impossível nos dias de hoje. Ao longo dos últimos anos, criou-se uma espécie de dependência dessa forma de comunicação veloz, que facilita processos e gera muito economia. As formas de se conectar com o outro e com o mundo também ficaram cada vez mais sofisticadas. Contudo, apesar de todos os benefícios que a internet oferece, há alguns pontos negativos que têm afetado de forma mais direta crianças e adolescentes. Uma das justificativas para que o impacto seja maior nessa geração é que ela já nasceu imersa no mundo virtual.

Há também outro fator, relacionado ao desenvolvimento físico do ser humano e suas vulnerabilidades, como explica a psicóloga Elisângela Paes Leme: “a adolescência é a fase em que o cérebro está numa etapa de desenvolvimento que busca prazer. Por outro lado, o gosto por brincadeiras diminui, então o adolescente não tem mais prazer de brincar. Assim, ele está muito vulnerável a qualquer tipo de prazer que venha com facilidade, como o das drogas e as compulsões, seja alimentar, seja por jogos e redes sociais”. Essa satisfação estaria ligada à dopamina, um neurotransmissor que, quando liberado, provoca sensação de prazer.

Criadas para viciar
Pensando nessa necessidade de satisfação do ser humano, as redes sociais evoluíram ao longo dos anos e por trás do desenvolvimento de cada uma delas há especialistas em tecnologia e em comportamento humano. Isso porque as plataformas têm inúmeras estratégias para manter a pessoa conectada o maior tempo possível. Assim, enquanto os usuários “gastam” tempo, as redes ganham oportunidades para vender produtos ou ideias para a audiência.

Atualmente, o TikTok é uma das redes que mais fazem sucesso entre crianças e adolescentes. Algumas pesquisas explicam o que favorece esse cenário: os vídeos curtos, a rolagem infinita e o algoritmo que identifica o que o usuário gosta e não gosta.

De acordo com um levantamento realizado pela NordVPN, o Brasil é o terceiro país em que a pessoa mais usa mídias sociais do momento que acorda até a hora de dormir. Os dados coletados revelam que em uma semana (que possui 168 horas), cerca de 91 horas são gastas on-line, sendo que mais de 10 horas são dedicadas especificamente ao uso de redes sociais como TikTok, Facebook e Instagram.

Além do tempo excessivo on-line, o que preocupa é a qualidade do conteúdo disponível nas redes. Não é possível generalizar, já que há instituições de ensino e professores que usam as redes sociais para passar conhecimento, assim como influencers que trabalham com conteúdos que exploram aspectos da ciência, da história, da geografia, etc. Entretanto a grande maioria das postagens que viraliza se resume a coreografias, dublagens de humor, desafios perigosos e trends (tendências).

Esse mundo de vídeos sem conteúdo relevante poderia ser visto com preocupação, mas poucos os enxergam desta forma. Com milhões de visualizações, esse tipo de produto digital atrai anunciantes que pagam para que suas marcas sejam exibidas neles. O resultado é a criação de uma economia em que algumas pessoas ganham dinheiro fazendo dancinhas vistas por milhões de usuários.

O mundo virtual já impacta nas aspirações profissionais dos jovens. Segundo a Inflr, empresa especializada em marketing digital, 75% dos jovens brasileiros querem ter uma carreira on-line, principalmente pela expectativa de unir dinheiro a um estilo de vida interessante para eles.

Impactos mentais e sociais
Cientistas das Universidades de Cambridge e Oxford, com especialistas do Instituto Donders para Cérebro, Cognição e Comportamento, publicaram um estudo neste ano que indica que os jovens são mais vulneráveis aos efeitos negativos do uso das mídias sociais, entre eles a insatisfação com a vida.

Já pesquisadores da Universidade da Coreia, em Seul, testaram adolescentes para medir o quanto a internet e os celulares influenciavam suas rotinas, sentimentos, produtividade e sono. Uma das conclusões foi que o nível de dependência dos aparelhos estava diretamente ligado à maior incidência de depressão, ansiedade, insônia e impulsividade.

E não para por aí: o jornal World Psychiatry publicou em 2019 um artigo relacionando o uso excessivo das redes sociais a mudanças cerebrais nas áreas cognitivas. O estudo sugere que a capacidade de memória e concentração das pessoas estaria sendo alterada por este estilo de vida, já que a todo instante elas sentem necessidade de checar novas informações
on-line. Além disso, há estudos que apontam mudanças na autopercepção, excesso de comparação, sexualização precoce e necessidade de aprovação daqueles que passam muito tempo nas redes.

Nem tudo está perdido
A psicóloga Elisângela Paes Leme destaca que na internet também há muitas coisas positivas, mas é preciso saber escolher. A ação dos pais também é essencial para cuidar dos adolescentes. “A base de tudo é a família. Eu acredito que é preciso dar afeto e dar limites. Este limite não é gritar, ele precisa ter consequências, mas também manejo. Quando perceber que o filho está no quarto jogando, por exemplo, sente-se próximo e jogue com ele. Participe para ver se o jogo, por exemplo, é construtivo ou destrutivo”, diz. O mesmo vale para as redes sociais.

Tirar o acesso às redes sem propor nada no lugar pode ser ineficiente, já que na adolescência é muito comum o famoso “tédio”. “Os adolescentes precisam de atividades físicas e culturais, pois elas geram satisfação. Caso não tenham esse estímulo, eles vão procurar esse prazer de uma forma mais fácil.”

Vale ressaltar que os pais também devem se colocar como exemplo. “Se os pais são compulsivos por trabalho, por comida ou por compras, não vai ser nada difícil ter filhos compulsivos por redes sociais. É uma questão de exemplo e também de genética. Quem tem tendência à compulsão deve ficar de olho”, finaliza.


Que geração vamos ter no futuro?
  • Cinthia Cardoso / Foto: getty images  


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