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Notícias | 26 de abril de 2018 - 03:00


Qual é a melhor forma de se livrar do lixo eletrônico?

Confira os prejuízos que esse tipo de resíduo pode causar

À primeira vista, pode até parecer que o descarte de eletrônicos nos lixões não causará nenhum problema. Jogar no lixo comum celulares velhos e monitores, entre outros produtos, entretanto, pode trazer sérias consequências para o meio ambiente e para a saúde da população.

De acordo com o relatório Global E-Waste Monitor 2017 sobre o lixo eletrônico no mundo, feito pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos e a Universidade da Organização das Nações Unidas (ONU), houve um incremento alarmante nos últimos anos.

Em 2016, o mundo gerou 44,7 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, mas apenas 20% foram recicladas. Desse total, a América Latina produziu 4,2 milhões de toneladas. O Brasil lidera com 1,5 milhão.

Até 2021, a estimativa é de que o volume chegue a 52,2 milhões de toneladas, o que representa uma taxa de crescimento anual de 4%.

Ana Maria Domingues Luz, diretora do Instituto Gea-Ética e Meio Ambiente, afirma que os resíduos eletrônicos podem conter até 60 elementos altamente tóxicos e contaminantes. Por isso, é importante fazer o descarte corretamente. “As indústrias brasileiras e mundiais incentivam o consumo sem se importar com o lixo eletrônico.”

Saúde

Quando é descartado no lixo comum, o resíduo eletrônico libera substâncias tóxicas na água, no solo e no ar. Ao menos 70% dos metais pesados dos lixões e aterros são de eletrônicos. Surgem, então, os riscos à saúde por contaminação de metais como chumbo, bromo, mercúrio, cádmio, etc.

Todos esses elementos são cancerígenos. O mercúrio, presente em TVs, monitores, computadores, lâmpadas e baterias, provoca perturbações motoras e sensoriais, demência e anemia. O chumbo, que está em celulares e monitores, afeta o sistema nervoso, respiratório e sanguíneo e produz alterações genéticas. O cádmio provoca câncer de pulmão e próstata, anemia e irritabilidade.

Descarte no Brasil

Mesmo com uma Lei de Resíduos Sólidos, o Brasil ainda é carente de uma legislação efetiva para o descarte de lixo eletrônico. Ana Maria aponta que há um desconhecimento da população sobre os problemas ambientais e de saúde causados por esses resíduos e que falta cuidado por parte dos gestores públicos.

O descarte correto, além de benefícios ambientais, pode ter uma função social e econômica.

Prova disso é o trabalho de parceria realizado entre o Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Gea-Ética e Meio Ambiente. Eles criaram, em 2011, o programa Descarte Legal, que garantiu a educação de catadores para geração de renda com a coleta de lixo eletrônico.

O projeto treinou cooperativas que já trabalhavam com coleta de outros resíduos e as instruiu tecnicamente para trabalhar com material eletrônico. Ao todo, o programa já gerou renda de cerca de R$ 1 milhão para os catadores. Hoje está presente em Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Goiânia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Curitiba e Porto Alegre.

Confira abaixo como descartar de forma responsável.

* Entre em contato com o projeto Descarte Legal pelos e-mails contato@institutogea.org.br/ institutogea@uol.com.br, pelo telefone (11) 3058-1088 ou diretamente com as cooperativas de cada Estado cadastradas no site.

* Acesse www.institutogea.org.br/lixo-eletroeletronico/coop… para descobrir os locais mais próximos para descarte. As empresas podem entrar em contato com o Instituto para procurar alternativas de coleta no próprio local.

* Em São Paulo, há ainda outras alternativas de cooperativas especializadas como a Coopermiti, que conta também com projetos de inclusão digital. Ela fica na rua João Rudge, 366, Casa Verde, tel.: (11) 3666-0849. Ou o Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir), na av. Prof. Lucio Martins Rodrigues, travessa 4, 399, Bloco 27, tel.: (11) 3091-8238.

* No Rio de Janeiro, tem o Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima), na Rua Marquês de São Vicente, 225, na Gávea, tel.: (21) 3527-1001.

* O site Ecycle www.ecycle.com.br/postos/reciclagem.php. oferece um guia on-line de locais de descarte. Basta inserir o CEP da sua residência e procurar o mais próximo.


  • Por Katherine Rivas / Foto: Fotolia 



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