Por que só o amor não é suficiente? O segredo da reconciliação no casamento

Entenda por que sentimento não sustenta união e qual é o caminho bíblico para restaurar o entendimento

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A reconciliação no casamento não acontece apenas porque duas pessoas se amam. Sentimento, afinidade e até história em comum não garantem união duradoura. Foi sobre isso que o Bispo Renato Cardoso e Cristiane falaram durante a última Terapia do Amor (26), no Templo de Salomão. A mensagem foi direta: o que une duas pessoas de forma permanente não é o amor-sentimento, mas a cruz.

Amor não sustenta a união sozinho

Muitos casais afirmam que ainda se amam, mas não conseguem viver juntos. Segundo o Bispo, isso revela que o problema não está na ausência de sentimento, mas no desalinhamento do entendimento.

Ele explicou com base em Colossenses 1:20-21, que fala sobre a reconciliação realizada por Jesus: “O texto mostra que éramos estranhos e inimigos no entendimento. A cruz reconciliou o ser humano com Deus. Da mesma forma, é somente por meio dela que duas pessoas deixam de ser inimigas no entendimento. O sentimento aproxima, mas é a cruz que alinha pensamentos, cura ofensas e restaura o que foi rompido.”

Ele destacou que o desentendimento é comum em todos os níveis — entre marido e mulher, pais e filhos e até entre nações. Mas a raiz do problema é espiritual.

O verdadeiro significado da cruz no relacionamento

Cristiane reforçou que muitas pessoas tentam copiar atitudes práticas, mas ignoram a base espiritual que sustenta a mudança. “Quando enfrentamos problemas no casamento, não buscamos apenas técnicas ou estratégias. Nos voltamos para Deus. Foi o relacionamento com Ele que nos impediu de agir pelo impulso, pela mágoa ou pela vingança. Sem essa base espiritual, qualquer tentativa de mudança se torna superficial, porque o ser humano é complexo demais para resolver a si mesmo apenas com esforço próprio.”

Ela explicou que a cruz simboliza morte do ego, autonegação e sacrifício da própria vontade. Não se trata de um objeto físico, mas de uma decisão diária.

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim…”

Gálatas 2:20

“Quando a Bíblia diz que fomos crucificados com Cristo e que já não vivemos nós, mas Cristo vive em nós, está ensinando exatamente isso: o ego precisa morrer. O que destrói o casamento é a tentativa constante de impor a própria vontade. Quando o ego é colocado na cruz, a pessoa deixa de querer vencer o outro e passa a buscar a vontade de Deus.”

Como isso se aplica aos casados

Para os casados, a orientação foi prática: diante de uma palavra dura, a reação natural é revidar. No entanto, a Palavra ensina outro caminho. Em vez de devolver agressividade, aplicar o princípio bíblico da palavra branda que desvia o furor.

Além disso, o perdão é inegociável. Com base no ensino de Jesus sobre perdoar para ser perdoado, o bispo ressaltou que guardar mágoa mantém a pessoa presa, mesmo que haja separação física. A reconciliação no casamento, portanto, começa quando cada um decide tratar o próprio ego, em vez de tentar mudar o outro.

E para os solteiros?

A mensagem também foi direcionada aos solteiros. A orientação foi clara: não adianta procurar a “pessoa certa” sem antes resolver o problema espiritual.

Trocar o perfil do parceiro não elimina o conflito, porque o verdadeiro obstáculo não é o temperamento do outro, mas o ego de cada um. A base deve ser construída antes do relacionamento, por meio da entrega pessoal a Deus.

Cristiane alertou que muitos descartam justamente a parte espiritual e, por isso, repetem os mesmos padrões: “A pessoa faz listas, busca cursos e tenta aplicar métodos, mas ignora a transformação interior. Se o ego continua governando, o resultado será o mesmo, apenas com personagens diferentes. É o Espírito de Deus que concede entendimento para lidar com diferenças e inseguranças.”

O primeiro passo

Ao final, o bispo deixou uma orientação prática: não esperar que o outro mude primeiro. Cada um deve começar por si. A cruz ensina a olhar para o próprio erro antes de apontar o do outro. Quando um decide viver esse princípio, cria-se um ambiente onde a reconciliação se torna possível.

A conclusão central da palestra foi objetiva: o que faz duas pessoas se tornarem uma não é o sentimento instável, mas a decisão diária de negar o próprio ego e permitir que a vontade de Deus prevaleça.

Faça isso:

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Colaborador

Rafaella Rizzo / Foto: iStock