Por que o futuro te preocupa tanto?

Quando imaginar o pior se torna uma rotina, a ansiedade pode comprometer a paz, os relacionamentos e as decisões. Entenda esse ciclo e como rompê-lo

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Você se deita, mas a cabeça continua trabalhando. E se faltar dinheiro? E se alguém adoecer? E se você não der conta? Nada disso aconteceu, mas o sofrimento já está aí. Aos poucos, imaginar o pior pode parecer apenas uma maneira de se preparar, até que a preocupação começa a decidir por você.

“A ansiedade é uma resposta natural diante de situações percebidas como ameaçadoras, incertas ou desafiadoras. Ela costuma envolver uma antecipação do futuro: a mente se ocupa intensamente com algo que ainda não aconteceu, e que pode nem acontecer. O problema surge quando essa antecipação se torna excessiva e passa a interferir na vida cotidiana”, explica a psicóloga Danielli Prado.

A armadilha do controle

Danielli destaca que, diante da ansiedade, é natural buscar formas de aliviar rapidamente o desconforto. De fato, evitar aquilo que causa medo, buscar garantias o tempo todo ou tentar controlar todas as possibilidades pode trazer alívio momentâneo. O problema é que, quando esses comportamentos se tornam frequentes, reforçam a sensação de que a pessoa não é capaz de lidar com determinadas situações, mantendo o ciclo da ansiedade.

  1. Você imagina uma ameaça
  2. Tenta controlar tudo ou evita a situação
  3. Sente alívio passageiro
  4. O medo volta e exige novas garantias

“Quando acreditamos que precisamos prever, controlar ou ter certeza de tudo para nos sentirmos seguros, podemos alimentar ainda mais a preocupação. A vida não é linear nem totalmente previsível: mudanças e imprevistos fazem parte dela. Aprender a lidar com o que não podemos controlar pode ajudar a reduzir esse ciclo”, esclarece Danielli.

Ansiedade em números

470 milhões de pessoas no mundo

Convivem com transtornos de ansiedade, o equivalente a 5,8% da população mundial, tornando a ansiedade o transtorno mental mais comum do planeta.

12,4% dos brasileiros

Apresentam transtornos de ansiedade, conforme o levantamento de 2023, índice que colocou o Brasil na terceira posição entre os países analisados.

166.489 benefícios concedidos

Número de auxílios por incapacidade temporária relacionados a transtornos de ansiedade concedidos pelo INSS em 2025.

Fontes: OMS (atualização de setembro de 2026, com dados de 2023); IHME, Global Burden of Disease 2023, divulgado pelo Our World in Data (Brasil); INSS (divulgação de setembro de 2026, com dados de 2025).

Sinais de que a ansiedade está dominando

A preocupação merece atenção quando é intensa, frequente ou persistente e começa a comandar suas escolhas. Observe:

Nos pensamentos e nas emoções

Tem preocupação excessiva, inquietação, irritabilidade e dificuldade de concentração ou de tomar decisões.

No corpo

Sente tensão, dificuldade para dormir, palpitações, tremores e falta de ar.

Na rotina e nos relacionamentos

Evita situações por medo, deixa de fazer coisas importantes, se afasta das pessoas e percebe queda no desempenho das suas tarefas.

Um alerta de dois mil anos

A preocupação com o futuro não é algo moderno. No Sermão do Monte, o Senhor Jesus ensinou a confiar no cuidado do Pai (Mateus 6:25-32).

Seu alerta continua atual: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã” (Mateus 6:34). Ele também orientou a buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a Sua justiça (Mateus 6:33).

Na perspectiva da fé, esses ensinamentos convidam a refletir sobre onde está a verdadeira segurança. Confiar em Deus é reconhecer Seu cuidado e Seu domínio, mesmo quando não sabemos o que vai acontecer. Isso não significa ter todas as respostas, mas saber a Quem recorrer em meio às incertezas.

Essa confiança é trabalhada no Depressão Tem Cura, projeto da Universal que oferece apoio espiritual a pessoas que enfrentam questões relacionadas à saúde mental. O coordenador, Pastor Fredson Oliveira Carvalho, explica que, durante o aconselhamento, a pessoa é orientada a distinguir o que está sob sua responsabilidade daquilo que está fora de seu controle.

“Trabalhamos a importância de viver um dia de cada vez, sem alimentar pensamentos que aumentam o medo e a preocupação. A fé nos ensina a confiar em Deus, mas também precisamos fazer a nossa parte: reconhecer nossas limitações, mudar aquilo que está ao nosso alcance e aprender a entregar a Deus o que não podemos controlar. Procuramos mostrar que a pessoa não deve se resumir ao diagnóstico. Existe um caminho de cuidado, tratamento, fé e transformação. O mais importante é não desistir de si mesma e entender que buscar ajuda é um ato de coragem, e não de fraqueza.”

Não andeis ansiosos

“As preocupações fazem parte do dia a dia do ser humano. Em alguns casos, elas se tornam tão intensas que muitos são levados a fazer tratamentos psicológicos e até psiquiátricos para amenizar a ansiedade. E há quem não consiga viver sem os ansiolíticos ou calmantes, pois se tornaram dependentes desses medicamentos. Mas a confiança em Deus é a cura para toda ansiedade! Ao falar sobre como o Pai Celestial alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo, o Senhor Jesus quis trazer segurança e tranquilidade para a nossa alma. (…) O que precisamos fazer é buscar primeiro o Seu Reino e a Sua justiça, ou seja, priorizar a vontade de Deus e obedecer à Sua Palavra, e todas as nossas necessidades serão supridas por Ele”.

Uma ansiedade severa tomou conta da minha vida

Marcigleide Santos, de 51 anos, técnica de enfermagem, viu o medo se transformar em crises que comprometeram sua rotina. Quando já não conseguia cuidar de si, uma cena envolvendo sua mãe marcou o início de uma decisão

As crises começaram

A ansiedade começou há três anos, quando soube que precisava passar por uma cirurgia. Como sou da área da saúde, pensei que poderia resolvê-la tomando remédios por conta própria. Não dormia e, à medida que a cirurgia se aproximava, eu ficava mais ansiosa. Eu temia não sobreviver.

O medo se intensificou

Após a cirurgia, a ansiedade piorou. Sentia medo de ficar sozinha, falta de ar, coração acelerado e dor no peito. As crises duravam de 15 a 20 minutos, e minha mãe ou minha filha me acolhiam com um abraço. O psiquiatra diagnosticou ansiedade severa, depressão e síndrome do pânico. Fiz tratamento com remédios e internações. Por mais de um ano, morei com meus pais.

Eu já não me dominava

Ouvia vozes que me mandavam tirar a própria vida. Tentei me matar e fui socorrida pelo SAMU. Fiquei em coma, entubada na UPA, e os médicos não sabiam se eu acordaria. Sobrevivi, mas as crises pioraram. Ia à UPA sete ou oito vezes por semana. Não queria tomar banho nem sair da cama. Me isolava e me agredia, mesmo com meus filhos por perto. Também fiquei uma semana no hospital psiquiátrico, amarrada. Me soltavam apenas para as refeições, sob vigilância.

Uma dor na alma

Lúcida, para não pensar em nada nem ouvir as vozes, eu pedia à minha mãe: “Não me deixe”. Cerca de 20 ou 30 minutos depois, tudo recomeçava. A dor que eu sentia não era física: era uma dor da alma. Eu gritava: “Mãe, está doendo”. Era um sofrimento maior do que eu podia suportar.

A ficha caiu

Minha mãe já estava na Universal e me levava às reuniões, mas eu ficava inquieta. Certa madrugada, a vi ajoelhada, chorando, ouvindo a Rede Aleluia e pedindo a Deus para que não perdesse a filha. Decidi lutar ao lado dela. Disse: “Vou à igreja com a senhora. Vou por mim”. Naquele momento, dei um basta. Não queria mais obedecer àquelas vozes.

Coloquei minha vida no Altar

Entendi que precisava buscar minha salvação e o Espírito Santo. Subi ao Altar e entreguei meus medos, angústias, ansiedade e depressão. Desci de lá com forças para lutar e, então, orei: “Jesus, eu preciso que o Senhor me abrace”. Em seguida, fui tomada por uma alegria. Era o Espírito Santo. A partir dali estava pronta para vencer tudo com Ele.

Sem crises

Depois daqueles dias, não tive mais crises. Cri que Deus havia levado toda aquela dor e me dado uma nova vida. Aquela mulher havia ficado no Altar. Desde então, também não precisei mais tomar medicações. Fui curada por meio do Espírito Santo, que é o meu alimento diário, e hoje faço parte do grupo Depressão Tem Cura. Aprendi a discernir o que depende de mim e o que não depende. Quando a preocupação ronda meus pensamentos, recorro ao jejum e à oração, certa de que Deus está no controle de tudo.

Venha vencer a ansiedade na raiz

A ansiedade ataca os pensamentos, mas a verdadeira origem dela costuma estar no campo espiritual. Como o Senhor Jesus ensinou, a verdadeira paz vem da fé. Então, se você tem enfrentado dias sufocantes, de angústia e inquietação, não aceite mais viver dessa forma. Entre os dias 26 de outubro e 1º de novembro, participe da Semana de Libertação & Batalha Espiritual, que acontecerá em todos os templos da Universal, e aprenda a combater a raiz da ansiedade e de outros males. Adquira sua Folha Universal em uma Universal mais próxima e saiba mais nas páginas 4 e 5.

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Autor

Núbia Onara / Fotos: Mídia DTC Alagoas