Período de isolamento impacta o número de denúncias de violência contra a mulher

Projeto Raabe oferece apoio espiritual, psicológico e judicial. Saiba como buscar ajuda

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O período de isolamento social, devido à pandemia do novo Coronavírus, também desperta um outro alerta para a sociedade e autoridades: o provável aumento de casos de violência contra a mulher no Brasil. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), 90% dos casos de violência ocorre no lugar onde as vítimas moram. E, durante essa quarentena, já se registrou um aumento de quase 9% no número de ligações para o canal que recebe denúncias de violência contra a mulher, o Ligue 180.

A ONU Mulheres também elaborou um documento sobre os possíveis impactos da crise gerada pela pandemia. Principalmente por conta do acirramento das tensões dentro de casa, o que pode gerar um salto na escalada da violência.

Em artigo publicado na segunda-feira última (30), a diretora executiva adjunta do órgão, Anita Bhatia, explica que a crise está afetando a saúde e a segurança das mulheres, uma vez que “as mesmas condições necessárias para combater a doença – isolamento, distanciamento social, restrições à liberdade de movimento – são, perversamente, as mesmas condições que alimentam as mãos de agressores que agora encontram circunstâncias sancionadas pelo Estado sob medida para desencadear abusos”.

Casos retratados em “Amor sem Igual”

Mesmo diante dessa realidade, muitas mulheres ainda não buscam por ajuda. Recentemente, a novela “Amor Sem Igual”, exibida pela Record TV, retratou dois casos de violência de gênero contra a mulher. Em um deles, a personagem Yara (Iara Jamra), após descobrir a traição do marido Ernani (Paulo Reis), é humilhada e agredida com tapas. Você pode conferir a cena e saber mais sobre o assunto, clicando aqui.

O outro caso é sobre a reação e a mudança de comportamento da personagem Maria Antônia (Michelle Batista), após ser vítima de um estupro. Reclusa em seu quarto, a jovem bastante abalada pela violência que sofreu não consegue revelar o estupro à família. Confira abaixo:

Projeto Raabe

Por isso é muito importante o apoio de grupos como o projeto Raabe que oferece apoio espiritual, psicológico e judicial a mulheres que sofrem com traumas, abusos e violência doméstica. “Primeiramente é importante que a mulher acredite que há como sair deste cenário de violência. Ela precisa buscar ajuda e apoio na família e também dos órgãos competentes”, comenta a responsável pelo Raabe, Fernanda Lellis.

Segundo ela, nos últimos dias, muitas mulheres têm buscado ajuda, pois, estão enfrentando dificuldades no convívio dentro de casa, em período integral. “O auxílio que o projeto Raabe tem prestado às mulheres tem sido por meio de aconselhamentos, ajudando a terem um equilíbrio emocional para sair desta situação. Disponibilizamos um curso gratuito de autoconhecimento que tem ajudado a se conhecerem, valorizarem e assim terem forças para sair do ciclo de violência. Como também prestamos orientações jurídicas e sociais”, explica.

O curso “Autoconhecimento” está disponível online por meio da plataforma Univer Vídeo. Também há uma linha direta de atendimento pelo whatsapp (11) 95349-0505 e o email projetoraabe@gmail.com.

Ligue 180

Além de ser um canal gratuito e confidencial para fazer denúncias, o Ligue 180 também orienta as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para outros serviços quando necessário. Administrado pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), o Ligue 180 funciona 24 horas por dia, inclusive finais de semanas e feriados. Pode ser acionado de qualquer lugar do Brasil e de vários países do exterior. Os canais de atendimento acolhem, registram, analisam e encaminham as denúncias aos órgãos de proteção.

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Colaborador

Michele Roza / Foto: Getty Images