Páscoa: o sacrifício que marcou a libertação do povo de Deus

A passagem do Egito à cruz revela o plano de Deus para salvar a humanidade e convida a uma decisão de fé

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A Páscoa revela o ponto de partida para compreender o verdadeiro significado dessa data, ou Pêssach, como é conhecida entre os judeus. Mais do que uma tradição religiosa, esse período foi estabelecido pelo próprio Deus como um memorial do Seu desejo de libertar o ser humano da escravidão — tanto física quanto espiritual.

Ao longo da história bíblica, dois acontecimentos centrais marcam essa data e revelam um mesmo propósito divino: a libertação do Seu povo.

A libertação dos hebreus no Egito

Em primeiro lugar, a Páscoa remete à libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Deus havia prometido a Abraão que faria de sua descendência uma grande nação. No entanto, com o passar do tempo, esse povo tornou-se escravo.

Diante disso, o Senhor levantou Moisés para conduzir os hebreus à liberdade, levando-os em direção à Terra Prometida, Canaã. Contudo, antes da saída definitiva, Deus deu uma instrução específica: cada família deveria separar um cordeiro sem defeito, sacrificar e marcar as portas com o seu sangue.

Esse ato não era apenas simbólico. Pelo contrário, representava proteção e livramento, pois, naquela noite, o juízo passaria sobre o Egito, mas todos que estivessem sob o sinal do sangue seriam preservados.

Assim, aquele momento ficou marcado como a “passagem” — quando a morte não alcançou os que obedeceram à Palavra de Deus.

Um paralelo com o sacrifício de Jesus

Por outro lado, esse episódio não se limita ao passado. Ele aponta diretamente para um acontecimento ainda maior: o sacrifício do Senhor Jesus.

Séculos depois, o próprio João Batista apresentou Jesus com uma declaração reveladora: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Ou seja, assim como o sangue do cordeiro livrou os hebreus da morte física, o sangue de Cristo liberta da morte espiritual.

Dessa forma, os dois eventos “conversam” entre si e carregam o mesmo significado: Deus deseja salvar, libertar e dar uma nova vida àqueles que creem.

Além disso, o sacrifício sempre esteve presente na história do povo de Deus. O próprio Abraão demonstrou fé ao obedecer sem reservas. No entanto, foi no Senhor Jesus que esse sacrifício atingiu sua expressão máxima, ao entregar Sua vida pela humanidade.

A instituição de uma nova aliança

Nesse contexto, conforme explica o Bispo Edir Macedo em seu livro Nos passos de Jesus, embora o Senhor Jesus tenha participado da Páscoa antes de instituir a Santa Ceia, Ele estabeleceu, a partir dela, uma nova forma de celebrar a libertação espiritual.

Enquanto a Páscoa marcou a libertação dos judeus no Egito, a Santa Ceia passou a representar, para todos os que creem, a libertação do pecado e da condenação eterna.

Portanto, trata-se de uma continuidade do plano de Deus, agora acessível a todos que aceitam o Senhor Jesus como Salvador.

Uma mensagem atual

Além do aspecto histórico e espiritual, a mensagem da Páscoa permanece atual. Durante o programa Inteligência e Fé, exibido no dia 23 de março, o Bispo Renato Cardoso destacou que a Páscoa não deve ser vista apenas como um evento do passado, mas como uma oportunidade presente de libertação.

Segundo ele, cada pessoa precisa identificar de que tipo de “escravidão” precisa ser liberta — seja de sentimentos, erros ou escolhas que a afastam de Deus — e tomar uma decisão prática de mudança.

Um chamado à transformação

Por fim, a Páscoa é um convite direto à transformação. Mais do que relembrar acontecimentos históricos, ela exige uma resposta individual.

Assim como no Egito foi necessário agir — separar o cordeiro e marcar as portas — hoje também é preciso atitude: crer, obedecer e viver de acordo com a Palavra de Deus.

Portanto, nesta Páscoa, a pergunta que fica é: você tem apenas celebrado a data ou vivido, de fato, a libertação que ela representa?

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Colaborador

Sabrina Marques / Foto: iStock