Osteoartrite: o desafio de manter o corpo em movimento
Sem cura definitiva, a doença que afeta milhões pode ser tratada, mas a prevenção ainda é o melhor caminho para preservar a qualidade de vida
O corpo humano é uma engrenagem precisa: são, em média, 206 ossos conectados por cerca de 350 articulações, estruturas que garantem estabilidade e, sobretudo, movimento. Algumas são quase imperceptíveis; outras, mais robustas. Todas, porém, exercem papel essencial em ações simples do dia a dia, como caminhar, sentar, levantar os braços ou abrir e fechar as mãos. Entre os diferentes tipos, as articulações sinoviais se destacam por permitirem maior mobilidade, sendo fundamentais para a autonomia do indivíduo.
Revestidas por cartilagem, essas articulações funcionam como verdadeiros amortecedores do corpo. No entanto, com o passar dos anos e o uso contínuo, esse tecido pode se desgastar. É nesse cenário que surge a osteoartrite, doença crônica que figura entre as principais causas de incapacidade no mundo. Antes chamada de artrose, a condição passou a ser denominada osteoartrite por destacar também o componente inflamatório envolvido no processo.
Um problema global
Em entrevista à Folha Universal, o médico reumatologista Francisco Airton Castro da Rocha, coordenador da Comissão de Osteoartrite da Sociedade Brasileira de Reumatologia, chama a atenção para a dimensão do problema: mais de 600 milhões de pessoas no mundo convivem com a doença, o que representa quase 8% da população. No Brasil, embora os dados ainda sejam considerados limitados, estima-se que cerca de 12 milhões de adultos sejam afetados. Entre idosos acima de 60 anos, a incidência pode ser de até 43%.
Segundo o especialista, ainda não há uma explicação definitiva para a alta frequência da doença com o avanço da idade. “O desgaste e a sobrecarga das articulações ao longo dos anos, algo comum à maioria das pessoas, estão fortemente associados ao desenvolvimento da osteoartrite”, explica. Esse processo, muitas vezes silencioso no início, pode evoluir gradualmente até comprometer funções básicas.
Desafio diário
Conviver com a osteoartrite exige atenção constante. “O maior desafio é controlar os sintomas e preservar a função articular ao longo do tempo”, afirma o médico. Quando isso não acontece, o risco é a perda significativa de mobilidade, impactando diretamente a autonomia e a qualidade de vida. Em casos mais graves, pode ser necessário recorrer a tratamentos mais intensivos, incluindo cirurgias.
Embora ainda não exista uma definição técnica clara para o diagnóstico precoce, há consenso sobre a importância da prevenção. “Esse cuidado deve começar desde a infância, com a mesma naturalidade de hábitos como escovar os dentes”, orienta o especialista. Ele também alerta para um equívoco comum: “A ideia de que não há o que fazer é um erro. A osteoartrite pode ser tratada e controlada, com impactos significativos na qualidade de vida”.
Manter-se atento aos sinais, adotar hábitos saudáveis e buscar orientação médica são passos essenciais para preservar o movimento e a independência. Confira, ao lado, o infográfico com sintomas, tratamentos e formas de prevenção.
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