Os ideais feministas estão ameaçados?
Não é novidade que Jennifer Lopez e Ben Affleck se casaram em julho deste ano, em uma cerimônia intimista. Mas o que talvez muitos não saibam é que a cantora adotou o sobrenome do marido e passou a ser duramente criticada por isso.
O jornal The New York Times, por exemplo, publicou um texto no qual expressa uma grande decepção com a atitude dela, afirmando, inclusive, que “os ideais feministas estão ameaçados na América”. A atriz Katherine Ryan escreveu, em sua rede social, que não fazia sentido essa mudança de nome. Outros usuários chamaram a cantora de “alienada” e “retrógrada”.
Jennifer Lopez, também conhecida como JLo, decidiu responder às críticas em uma entrevista concedida à revista Vogue. Ela falou que considera desnecessário e até ridículo ser perseguida por ter o sobrenome de Ben Affleck e ainda declarou que se sente orgulhosa. “O quê? Sério? As pessoas ainda vão me chamar de Jennifer Lopez. Mas meu nome legal será sra. Affleck porque estamos unidos. Somos marido e mulher. Estou orgulhosa disso. Eu não acho que isso seja um problema.”
É obrigatório?
No passado, a troca de sobrenome era obrigatória por lei. Por que isso acontecia? Existem diversas versões: tradição, simbolismo, para pertencer à família do companheiro, dependência financeira, cultural etc. Desde 2002, quando o novo Código Civil passou a vigorar, a adoção do sobrenome do cônjuge se tornou opcional, tanto para homens como para mulheres. Ou seja, atualmente, adotar ou não o sobrenome do parceiro após o casamento é uma decisão pessoal, e não judicial.
Assim, JLo não fez essa mudança de sobrenome por obrigação. Tanto é que, ao ser questionada sobre o que pensava das críticas e qual teria sido o motivo para essa atitude, ela respondeu: “Parece que é um movimento de poder. Posso entender que as pessoas têm seus sentimentos sobre isso, e tudo bem também. Mas, se você quiser saber como me sinto sobre isso, sinto que é romântico. Ainda carrega tradição e romance para mim, e talvez eu seja apenas esse tipo de garota”, acrescentou.
JLo e Ben namoraram pela primeira vez em 2002, terminaram poucos anos depois e reataram em 2021. “Conseguimos. O amor é belo. O amor é gentil. E acontece que o amor é paciente. Vinte anos de paciência”, declarou a celebridade.
Hipocrisia?
Uma mulher criticar e expor publicamente outra mulher com o intuito de envergonhá-la faz muito pouco sentido. Ainda mais entre grupos que defendem a bandeira da empatia entre o gênero feminino.
Por isso, para quem apoia esses movimentos de internet, um tanto quanto superficiais, fica a reflexão: não é estranho ver pessoas que dizem proteger as mulheres humilharem quem pensa diferente? Onde está a máxima de respeitar as escolhas do próximo?
O ato de incluir ou não o sobrenome do parceiro é uma decisão individual, e essa liberdade não deveria ser contestada, muito menos questionada. Ao fim e ao cabo, o que conta não são as teorias bonitas, mas, sim, as atitudes. De que adianta vender a ideia de compaixão, mas praticar a intolerância?
Ana Carolina Cury, jornalista e editora-executiva do Jornalismo na Record TV
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