O voto e o seu grande valor
Quem olha a atual situação do Brasil pode não ter uma visão otimista sobre mudanças que possam beneficiar a população no futuro próximo. Embora seja válido ressaltar que os problemas que ocorrem hoje não tiveram início agora, como corrupção, problemas estruturais na saúde, inflação, aumento dos preços da gasolina, da energia elétrica, do gás e dos alimentos, esses são alguns aspectos que não podem ser ignorados e que certamente contribuem para que muitas pessoas tenham essa opinião.
Os mais pessimistas dirão que não há saída para o que está acontecendo e que não adianta fazer nada para mudar o que está posto aí, mas estão enganados. Muitos não sabem, mas a própria história brasileira traz exemplos que comprovam que a mudança é possível, mesmo quando o panorama tende a apontar para um caminho menos satisfatório. Um personagem emblemático brasileiro, cuja história é pouco conhecida por muitos, tem uma trajetória que prova o quanto podemos estar enganados em acreditar que mudanças para melhor não são possíveis.
Estamos nos referindo a Oswaldo Aranha, gaúcho de Alegrete, no Rio Grande do Sul, homem com uma importante atuação política dentro e fora do Brasil e experiente nas relações internacionais.
Em 1947, quando foram realizadas as discussões e a votação na sede das Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para a criação do Estado de Israel, a partir da divisão do território da Palestina, o papel desse diplomata foi fundamental.
Eram necessários dois terços dos votos de 57 delegados dos países membros para a aprovação da proposta, mas o grande problema é que nada estava decidido e partidários dos dois lados se digladiavam em debates contra e a favor dela, mas, além de fazer tratativas com os representantes das nações para convencê-los da aprovação, Oswaldo Aranha presidiu e fez o discurso de abertura da assembleia decisiva. Depois da sua fala, o impossível aconteceu: a criação de Israel foi aprovada por 33 votos favoráveis, 13 contra, 10 abstenções e uma falta.
O diplomata inaugurou uma tradição nas assembleias da ONU: em razão da repercussão da atuação dele nesse episódio, o discurso de abertura é sempre feito pelo Brasil. Ele não foi reverenciado só aqui, onde virou nome de ruas e avenidas em inúmeras cidades, mas também em Israel, onde foi homenageado com seu nome em uma praça. Mas, mais do que isso, o exemplo dele nos mostra como a atuação política é importante.
As conversas que Oswaldo Aranha teve com os representantes das nações, mesmo os que inicialmente eram contrários ou se mostravam em dúvida sobre a proposta, foram fundamentais para a aprovação da criação de Israel pelo voto. Hoje, trazendo essa situação para a nossa realidade, fica fácil perceber que esse poder de modificar a realidade está nas mãos dos cidadãos brasileiros. O voto é um exercício de cidadania e a porta de entrada para isso.
Estamos às vésperas de mais uma eleição em que será decidido quem são os senadores e deputados que ocuparão o Congresso Nacional, quem será escolhido como chefe do Executivo em cada Estado, quais serão os deputados estaduais em cada Assembleia Legislativa e quem ocupará a Presidência da República. Neste momento, devemos nos mirar no exemplo de Oswaldo Aranha que nos mostrou que o voto pode criar um país. No caso atual, nosso voto pode mudar o País.
Se engana quem despreza o voto como força de transformação ou, pior, quem vota em branco, anula o voto ou não exerce o seu poder político de cobrar dos governantes as propostas feitas na campanha. Votar é fundamental, mas esse é só o início da jornada da cidadania. É preciso ter consciência de sua escolha e que cada voto importa e faz a diferença não só para o resultado do pleito, mas que é determinante para o que vai acontecer dali para a frente.
Jovens que completarem 16 anos até a data da próxima eleição, que ocorrerá em 2 de outubro, podem votar desde que tenham o título de eleitor. O prazo para a confecção desse passaporte de cidadania e para resolver qualquer pendência com a Justiça Eleitoral se encerra no dia 4 de maio. Faça a sua parte, pois a sua atitude será capaz de fazer a diferença. Ainda há tempo para se tornar um cidadão de fato. Informe-se em tse.jus.br.
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo