O prefeito e a bienal

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De tempos em tempos novos “valores” têm sido introduzidos na sociedade. Alguns são assimilados e aceitos e outros encontram resistência por confrontar o bom senso. Os defensores dos tais novos “valores” ficam incomodados quando parte da sociedade não aceita tal imposição.

Foi o que aconteceu recentemente na Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Um dos estandes comercializava uma publicação da Marvel com o título Vingadores – A Cruzada das Crianças. Nada demais com o nome da obra não fosse o fato de o conteúdo estar vinculado à bandeira LGBT. Ao comprar a revista, os pais se surpreenderam com o desenho de meninos se acariciando e se beijando.

Logo veio o questionamento se havia ali uma propaganda enganosa. Demandado pelas denúncias, o prefeito carioca Marcelo Crivella usando de suas prerrogativas legais evocou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A legislação determina que publicações do tipo sejam comercializadas com lacre (embaladas em plástico ou material semelhante) e com a devida advertência quanto à classificação indicativa do conteúdo.

Em nota, a Prefeitura explicou que, no caso em questão, entendeu ser inadequado, de acordo com o ECA, que uma obra de super-heróis apresentasse e ilustrasse o tema do homossexualismo para crianças e adolescentes, inclusive menores de dez anos, sem aviso prévio sobre o conteúdo. Também explicou que não havia nenhum ato de transfobia ou homofobia ou qualquer tipo de censura à abordagem feita livremente pelo autor, mas o exercício do dever de informação quanto ao que se considerava material impróprio ou inadequado, exigindo-se assim o lacre e a advertência.

Diz o artigo 78 do ECA: “as revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”.

Foi o bastante para o prefeito ser vilipendiado inicialmente pela mídia e por parte da sociedade carioca. Fatos foram manipulados para passar a imagem de um prefeito homofóbico, o que não é verdade.

A subcelebridade Felipe Neto, para confrontar a decisão de Crivella, comprou 14 mil exemplares da revista para distribuí-los gratuitamente e ganhou holofotes. O prefeito não titubeou e seguiu firme com sua posição mesmo em meio às pesadas críticas. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Claudio de Mello Tavares, aceitou o pedido da prefeitura carioca, no dia 7 de agosto, para recolher na Bienal obras que tratassem de temas LGBT “de maneira desavisada” para crianças e adolescentes.

Nas redes sociais, Crivella ganhou a simpatia de muitos que comungam da mesma opinião. Assim como há os que defendem a normalidade do conteúdo e o tipo de divulgação da referida revista, há os que discordam. E é preciso respeito, sobretudo ao que determina a legislação em relação ao assunto.

Estamos vivendo um tempo em que os valores estão invertidos na sociedade. Ser fiel e leal está fora de moda, falar sempre a verdade é careta demais, não usar drogas nem beber faz de você alguém de outro mundo. E pensar diferente da maioria, então? Não pode, porque você corre o risco de ser retrógrado.

Essa inversão exacerbada dos valores tem trazido muita inquietação à sociedade. Pudemos ver isso após o resultado das últimas eleições, quando a maioria dos brasileiros promoveu a ruptura com o tal “politicamente correto” e elegeu representantes liberais na economia e mais conservadores quanto a princípios
e valores.

Por isso, o que a atitude do Crivella traz de ensinamento é muito mais do que a exigência do cumprimento de uma lei, mas a importância do posicionamento firme em relação a princípios, independentemente do que a geração da moda falará.

A corrupção no Brasil não é apenas econômica, mas moral. E o que a atitude do prefeito mostra é que aquele que se mantiver firme em seus valores e princípios fará a melhor escolha. Nossa conversa não termina aqui. Confira mais sobre esse tema na matéria de capa da próxima edição.

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Colaborador

Redação / Foto: Wilton Junior