O jogo que é um risco real para a infância e a família

Plataforma popular exige vigilância contra gastos, estranhos e riscos ao bem-estar das crianças

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No vasto oceano digital em que as crianças navegam hoje, o Roblox se destaca como um dos destinos mais populares. Mais do que um jogo, é uma plataforma online onde usuários criam e compartilham “experiências”. Em um modelo semelhante ao do YouTube, no qual qualquer pessoa pode produzir conteúdo, atrai principalmente crianças de 7 a 14 anos, que criam avatares e exploram desde simuladores simples até mundos complexos com intensa interação social.

Os perigos do “novo mundo”

Contudo, essa liberdade criativa traz desafios significativos para os responsáveis. Segundo a psicóloga Rosangela Gomes da Silva Alves, o momento atual exige um novo olhar e uma postura mais participativa. “Hoje, acompanhar a juventude tornou-se um grande desafio para pais e cuidadores, especialmente no que diz respeito ao universo dos jogos online, como o Roblox. Não se trata apenas de monitorar o tempo de uso, mas de compreender as plataformas, os conteúdos e as dinâmicas que compõem esse ambiente digital. Muitos adultos se veem diante de um cenário sem precedentes, para o qual nem sempre foram preparados.”

Um dos riscos mais imediatos é o financeiro. O Roblox utiliza a moeda virtual Robux, comprada com dinheiro real, e crianças, muitas vezes sem noção de valor, podem fazer gastos descontrolados em “skins”, itens ou passes VIP, especialmente se o cartão dos pais estiver vinculado ao dispositivo. Além disso, golpistas exploram o público com links de “Robux grátis”, usados para roubar dados ou aplicar fraudes.

O “porão” do jogo

Para além do aspecto financeiro, a segurança pessoal também preocupa. O chat aberto facilita o contato com desconhecidos, abrindo espaço para manipulação e aliciamento (grooming). Mesmo com moderação, a plataforma pode abrigar jogos com conteúdos impróprios ou violentos que burlam as regras. A especialista ressalta que o uso de jogos online pode trazer tanto benefícios quanto riscos. “Por um lado, essas plataformas podem favorecer a conexão social e até aproximar as famílias quando há participação conjunta. Por outro, podem expor os adolescentes a situações de cyberbullying, conteúdos inadequados e ao uso excessivo, fatores que impactam diretamente o convívio familiar e o bem-estar emocional.”

Essa dimensão social do jogo frequentemente transborda para a vida real. Conflitos iniciados no ambiente virtual, com xingamentos e provocações, podem envolver os pais e evoluir para discussões fora das telas. Isso mostra que as crianças ainda estão em desenvolvimento emocional, exigindo dos responsáveis preparo para mediar essas situações com equilíbrio. Nesse processo, é essencial orientá-las a lidar com frustrações e a denunciar comportamentos abusivos na plataforma.

O que fazer

Para que o lazer não se torne um problema, a prevenção é fundamental. Os pais devem adotar controle financeiro rigoroso, evitando cartões salvos e exigindo autenticação para compras. Também é possível ajustar a privacidade no Roblox, desativando o chat ou limitando-o a amigos.
O principal, porém, é a supervisão ativa: acompanhar os jogos acessados, definir horários para evitar uso excessivo, especialmente com impacto no sono, e ensinar noções de educação digital, como não compartilhar dados pessoais, como nome, escola ou localização.

A psicóloga Rosangela ressalta que a solução não está apenas na proibição, mas no fortalecimento da relação familiar. “Estar próximo, dialogar, demonstrar interesse genuíno e estabelecer combinados claros faz toda a diferença no processo educativo.”

Portanto, a segurança no Roblox, e em outros espaços digitais, não depende apenas de ferramentas de bloqueio, mas, sobretudo, de uma presença consciente e mediadora dos responsáveis. A educação dos filhos não pode ser terceirizada para as máquinas.

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Colaborador

Redação / Foto: imagem gerada por IA