Não seja “estouradão”

Se você cede à raiva, deixa bem claro que as emoções é que mandam em você e que causam as situações das quais se arrependerá no futuro

Imagem de capa - Não seja “estouradão”

É provável que você conheça esta cena: no filme De Volta para o Futuro 2, o personagem Marty McFly (Michael J. Fox) é chamado de covarde ao ser provocado para um “racha” (corrida ilegal de automóveis) em um semáforo. Mas, na hora H, ele não acelera e evita um acidente sério no cruzamento adiante. Ele sabia que aquele acidente lhe causaria um ferimento que lhe custaria os movimentos de uma das mãos, pois, para quem não se lembra, ele viajava no tempo e se viu no futuro.

Até então, Marty havia se metido em muitas brigas (e levado a pior) por não se segurar quando alguém questionava sua coragem. O sangue fervia em suas veias e ele perdia a razão, pois deixava a emoção aflorar. A partir da recusa em participar daquele racha, ele mudaria seu temperamento. Marty estava amadurecendo.

Nós não temos uma máquina do tempo como Marty. No entanto não é preciso exigir muito da inteligência para entender que uma atitude intempestiva dificilmente dará em coisa boa. Para o homem, pode parecer difícil segurar a raiva em alguma situação, mas não é algo impossível.

Um cara “estourado” dificilmente se livra de encrencas sérias. Seu temperamento pode causar (ou não conseguir impedir) uma briga com outros homens, uma discussão mais calorosa com a esposa, uma atitude violenta contra um filho, das quais se arrependerá muito depois.

Uma mulher, no momento da raiva, tende a descarregar o sentimento no choro. Já o homem tende a ser violento. O popular “contar até 10” já salvou muitos de confusões desnecessárias. Não é fácil fazer isso, mas quem conseguiu pode respirar aliviado atualmente.

A Palavra de Deus mostra que ataques de raiva são atos de insensatez: “Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira repousa no íntimo dos tolos.” (Eclesiastes 7.9). Mas, atenção: “engolir” a raiva, incubá-la, pode ser pior do que estourar. Como apelar para a inteligência, então, e resolver esse dilema?

Se você encarar a raiva que começa a vir à tona como um aviso de que algo errado está para acontecer, ou já está acontecendo, pode usar essa advertência a seu favor. No desafio 45 do IntelliMen há um bom exemplo: “se alguém lhe dá uma ‘fechada’ no trânsito, é normal que sinta raiva imediatamente. Afinal, o outro motorista agiu irresponsavelmente e quase provocou um acidente. Mas se você simplesmente reagir à raiva, poderá cometer o mesmo erro dele, um pior ou até querer lhe dar uma fechada também. A solução, portanto, é entender a mensagem daquela raiva”.

E qual seria essa mensagem? O desafio explica: “redobre sua atenção! Há pessoas distraídas e irresponsáveis atrás do volante. Dirija por você e pelos outros”. Sim, o aviso é para deixar a emoção e responder com uma ação prudente. Traduzindo: use a raiva a seu favor, controlando-a. Seja como o Altíssimo deseja: “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.” (Tiago 1.19-20).

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Colaborador

Marcelo Rangel / Foto: Getty Images