“Meu maior desejo era matar toda a minha família”

Mary Helen sofreu abuso sexual aos seis anos, o que gerou revolta na fase da adolescência. Saiba como sua história mudou

Imagem de capa - “Meu maior desejo era matar toda a minha família”

A autônoma Mary Helen Mota, de 27 anos, é a caçula de três filhos. Ela é fruto de uma família desestruturada e marcada pelo abandono. “Minha infância foi completamente destruída. Quando eu tinha dois anos, meu pai nos abandonou e, por conta das dificuldades, minha mãe teve que trabalhar para obter o sustento da casa”, conta.

Tudo piorou quando ela sofreu um abuso sexual, aos seis anos. “A ação partiu de uma pessoa próxima da família e me lembro como se fosse hoje. Depois minha infância passou a ser cheia de situações estranhas, com sonhos pornográficos e medo de brincar com crianças de outro sexo. Eu passei a gostar de ficar sempre sozinha. Eu não gostava de fazer amigos e desconfiava de todos ao meu redor”, relata.

A cada dia, Mary Helen sofria mais e mais em seu lar, pois não tinha proteção nem amor, apenas brigas e o desprezo por parte dos familiares. Esse quadro adverso permaneceu vários anos e ela se tornou uma adolescente com problemas e complexos internos. “Comecei a praticar a masturbação. Por carência me relacionei e fui traída, o que gerou raiva e ódio em mim. Aos 15 anos, vivi relacionamentos abusivos e já tinha vários desejos de uma pessoa adulta, como orgias e até mesmo a vontade de destruir casamentos”, recorda.

A frustração era tão grande que Mary Helen afirma que não aceitava a felicidade alheia, pois ela só vivia a infelicidade. “Eu afirmava que se eu não podia ser feliz, então ninguém seria. Cheguei a ponto de sair com um rapaz casado, pois meu prazer era fazer com que as pessoas sentissem o que eu estava sentindo”, diz.

Mary Helen sofria constantemente com o vazio interno, apesar de procurar a felicidade em situações e pessoas. “Quando eu sentia a dor do vazio, eu batia minha cabeça na parede e mordia partes do meu corpo para que aquela dor na alma passasse. Aos 16 anos, resolvi tatuar meu corpo e colocar piercing em lugares onde ninguém costuma colocar, no dedo do pé e no pulso, por exemplo. Eu queria ser diferente”, explica.

Em razão das frustrações, Mary Helen passou a desejar a morte de seus familiares. “Me tornei uma pessoa fria, cheia de egoísmo e sem nenhum amor. Meu maior desejo era matar toda a minha família, começando pelo meu pai. Passei a ter nojo das pessoas e inveja das mães que perdiam os filhos, pois eu queria que meus pais me perdessem para que eles sentissem a minha falta”, salienta.

Foi nesse cenário difícil que Mary Helen perdeu o pai, o que a levou a pensar no futuro de sua alma.

“Vê-lo no caixão era como se eu estivesse vendo o próprio inferno diante de mim. Depois do dia do enterro, eu passei a não dormir mais e a ouvir vozes me incentivando a cometer o suicídio de várias formas.”

Depois de sentir sua alma sendo sufocada por pensamentos ruins, ela se lembrou da existência de Deus e pediu socorro, pois já tinha frequentado a Universal e conhecia o poder dEle. “Eu lembrei que virei as costas para quem nunca me abandonou quando eu estava sempre sozinha e decidi voltar para a Igreja.

Eu sabia que seria a mudança ou a morte e o milagre aconteceu”, afirma.

Depois desse dia, tudo mudou na vida de Mary Helen. Depois de se entregar a Deus e receber o Seu Espírito, ela teve o interior e o exterior restaurados. “Eu conheci a maior felicidade e em um ano a minha vida mudou completamente. Hoje sou feliz, realizada, me livrei de todo o passado e Deus me presenteou com uma família e um casamento felizes”, conclui.

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Autor

Camila Teodoro / Foto: Alesandro Miranda